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Ilustração: Capa do livro DONA MATHILDE - Uma médium curadora - Edições Aprendizado Espírita - By Canva


DONA MATHILDE - Uma médium curadora (Parte 3 - Biografia romanceada)


SUMÁRIO

- APRESENTAÇÃO DO AUTOR

Formatos do livro

Parte 3 – Biografia romanceada

- PARTIDAS E CHEGADAS

- IMPERATRIZ TERESA CRISTINA

- A morte da Imperatriz

- O passamento de D. Pedro II

- ADOLFO BEZERRA DE MENEZES

- Chegada de Bezerra de Menezes ao Mundo Espiritual

- MATHILDE GUILHERA

- A origem do sobrenome

- O primeiro encontro com Teresa Cristina

- As notícias do dia do seu nascimento

- DONS ESPIRITUAIS, MISSÃO E OBRAS

- O DESPERTAR DOS DONS

Eclosão mediúnica

O Espiritismo socorre a menina Mathilde

- A MENINA CRESCE E VICEJAM OS DONS MEDIÚNICOS

Conhecendo a Doutrina Espírita

A Imperatriz e a missão

- O DESTINO LEVA MATHILDE À CIDADE DAS ÁGUAS VIRTUOSAS

Palace Hotel - Ponto de apoio das atividades de cura

- NOVA MISSÃO — A CURA ESPIRITUAL

O solo, as serras, o clima e as águas virtuosas

Vinda para Lambari

Um recinto hospitalar no Palace Hotel

Na garagem da casa da Volta do Ó

A Seara Espiritual Bezerra de Menezes

OS TRABALHOS DE CURA NA SEARA BEZERRA DE MENEZES

A preparação

As cirurgias espirituais

Instrumentos da cirurgia espiritual

Relatos de curas

O LAR TERESA CRISTINA

Teresa Cristina indica o local

A luta para realizar a obra

Dificuldades para manter a obra funcionando

Mais gente para ajudar

Atividades das crianças

Uns colaboram, outros dificultam

- ADOECIMENTO E DESENCARNE DE MATHILDE

Afastamento das atividades - 1986

No Lar de Maria - 1989

Velório - 1990

- O LAR E A SEARA APÓS A PARTIDA DE MATHILDE

Destino da Seara

Destino do Lar

O Lar Teresa Cristina retoma suas atividades (1991)

Atividades do LAR e da SEARA nos dias atuais

A SEARA hoje

Projeto Fonte Viva

Costurando Amor

Cantinho da Imaginação

O LAR hoje

Memorial MATHILDE GUILHERA MOREIRA

Fotos e gravuras

Autor

- REFERÊNCIAS


APRESENTAÇÃO DO AUTOR

 

DONA MATHILDE - Uma médium curadora

Uma biografia romanceada da médium MATHILDE GUILHERA MOREIRA

Este livro é uma narrativa em que o autor romanceia fatos da vida, mediunidade e obras da médium Mathilde Guilhera Moreira.

Diversos fatos da vida da médium, das atividades de cura e das obras que edificou foram obtidos por meio de depoimentos escritos de pessoas que conviveram e/ou trabalharam com ela em Lambari (MG), desde sua vinda para essa estância, nos anos 1950, até a doença que a afastou dos trabalhos e a levou a desencarnar-se em dezembro de 1990, e de documentação existente no MEMORIAL erigido em sua homenagem no LAR TERESA CRISTINA — uma das obras que edificou e dirigiu por anos.

De posse das informações acima, e para descrever de forma romanceada as cirurgias espirituais realizadas pela médium MATHILDE GUILHERA MOREIRA — nos seus 30 anos de atividade em Lambari, nos anos 1950/1980 — e explicar os mecanismos de que faz uso a Espiritualidade nos procedimentos de cura, este autor — que lida no Espiritismo desde os anos 1980 e já escreveu sobre o tema — consultou boa bibliografia e novos autores, além de ter visitado a Casa da Esperança, em Palmelo (GO), e a Comunhão Espírita de Brasília, em Brasília (DF), onde assistiu cirurgias espirituais por que passou sua esposa em 2024.

O livro foi idealizado em 3 partes: o CONTEXTO HISTÓRICO, os PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS e a BIOGRAFIA ROMANCEADA, cada uma delas com bibliografia específica.

Na Parte 1 – Contexto histórico, vemos personagens do tempo do Segundo Império, bem como passagens de suas vidas e aspectos de sua personalidade, que vamos retomar na Parte 3 - Biografia romanceada. Assim também foi necessário na Parte 2 – Princípios Doutrinários fornecer informações básicas sobre mediunidade e fenomenologia das curas espirituais, para compreensão de fenômenos espíritas que vamos narrar na parte final do livro.

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Parte 3 – Biografia romanceada

 

Nesta Parte 3 – Biografia romanceada, tendo como fundo histórico e espiritual o que descrevemos na Parte 1 – Contexto histórico, narramos a desencarnação de Teresa Cristina e Bezerra de Menezes e o reencontro deles com Mathilde Guilhera, para cumprirem a missão caritativa e mediúnica, planejada no outro lado da Vida.

Damos também aqui, resumidamente, as lições do Apóstolo Paulo sobre os dons espirituais, comentamos como se deu o despertamento da mediunidade da menina Mathilde, o socorro espiritual que recebeu na Federação Espírita Brasileira (FEB) em 1902, as primeiras leituras espíritas, a evolução de sua mediunidade e a visão de Teresa Cristina anunciando a Mathilde que, juntas, em tempo e local a ser indicado futuramente, fundariam um lar de meninas.

A seguir, ficcionamos como Mathilde conheceu Lambari, cidade na qual exerceria sua missão mediúnica e contamos como se deu a fundação do lar de meninas, dedicado à Imperatriz — Lar Teresa Cristina — e do centro espírita — Seara Espiritual Bezerra de Menezes — devotado ao Médico dos Pobres, e bem assim o porquê da escolha de Águas Virtuosas de Lambari.

Passo seguinte, baseado nos depoimentos já referidos, narramos sua mudança para Lambari, a instalação na casa da Volta do Ó e o início do seu mandato mediúnico em favor de milhares de pessoas.

Em tópico longo e bem detalhado, descrevemos como se processavam as sessões de cura na Seara, da preparação no Plano Espiritual até a rotina semanal dos médiuns e voluntários, a organização das reuniões e o acolhimento das pessoas. A seguir damos pormenores dos procedimentos da cirurgia espiritual e das técnicas utilizadas pelos Espíritos, e registramos alguns casos de curas obtidas.

Na parte final, descrevemos o Lar Teresa Cristina, desde as dificuldades para empreender a obra, bem como de sua direção e manutenção, as atividades das crianças assistidas, a ajuda recebida de almas generosas. Anotamos aqui também como se deu a entrada da Loja Maçônica Fraternidade e Esperança de Lambari na administração do LAR e seu papel nos dias atuais junto à instituição.

Após isso, relatamos o envelhecimento da médium, sua doença, sua internação no asilo Lar de Maria, em São Lourenço, onde veio a falecer em 1990.

Por fim, comentamos a atual situação do LAR e da SEARA, e a inauguração do MEMORIAL em homenagem à médium, uma iniciativa da Loja Maçônica com o apoio dos dirigentes e trabalhadores da Seara Espiritual Bezerra de Menezes.


Formatos do livro

O texto DONA MATHILDE - Uma médium curadora será apresentando nos seguintes formatos:

 

► Postado aqui no site APRENDIZADO ESPÍRITA NET em 3 partes:

► Parte 1 - Contexto histórico - aqui: https://www.aprendizadoespirita.net/visualizar.php?idt=8566309

► Parte 2 - Princípios doutrinários - aqui: https://aprendizadoespirita.net/visualizar.php?idt=8566310

► Parte 3 - Biografia romanceada - aqui nesta página

► E-book gratuito disponível na aba "E-books" deste site - aqui: https://rl.art.br/arquivos/8566339.pdf

► Livro físico à venda na editora UICLAP - aqui: https://loja.uiclap.com/titulo/ua131221

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PARTIDAS E CHEGADAS

Como já dissemos, Teresa, Bezerra e Mathilde viveram, em datas próximas, na cidade do Rio de Janeiro.

Imaginemos como isso se deu.


IMPERATRIZ TERESA CRISTINA

Teresa Cristina chegou ao Rio de Janeiro em 1843 e lá residiu até 1889, por 46 anos. Faleceu na cidade do Porto, em 1889.
Já contamos em resumo como foi sua vida. Vamos descrever agora como foi sua morte.


A morte da Imperatriz

Depois do exílio, em dezembro de 1889, ainda estávamos — a família e a comitiva imperial — em Lisboa, no Hotel Bragança. Algum tempo depois volvemos à cidade do Porto, afligidos pelas parcas finanças. No dia 28 de dezembro de 1889, estava alojada num quarto do Grande Hotel do Porto, e era o dia da coroação do novo rei de Portugal, Carlos I. Amanhecera frio e eu não estava bem. Senti-me desfalecer, quis um padre, que veio dar-me a extrema-unção. Quando o médico chegou, verificou que o velho coração tombara, deprimido pela desgraça que caíra sobre minha família em 14 de novembro daquele ano.

Como sabemos, morte e desencarnação são fenômenos diferentes. Aquela é a cessação da vida; esta, é a mais ou menos lenta saída do corpo, que cada espírito realiza de modo particular, conforme tenha vivido bem ou mal sua existência terrena.

Terminei de cumprir minha última obrigação católica, recebi a absolvição, tranquilizei-me... Depois, senti violenta dor no peito, e parti!
Breve perturbação se seguiu, e eu flutuava... Abaixo de mim, meu corpo estava nos braços da boa Maria Izabel, baronesa de Japurá. Com os olhos enevoados e cheios de lágrimas, vi muitas almas ao meu redor. E os fui reconhecendo! Minha mãe, Leopoldina, meus meninos! Ah, que saudade!

Após, percebi que pequena equipe de médicos e enfermeiros rodeavam meu corpo e movimentavam suas mãos sobre ele. Mais ao fundo — meus pretos e pretas amados! — eles que haviam partido antes de mim me ofereceram seus braços ao tempo que espargiam luz e flores sobre todos os que estavam naquele cenário!
.......................

Pouco tempo depois, me foram permitidas algumas visitas ao meu Pedro, que amargava o exílio, a perda dos filhos, a falta de recursos, a ingratidão dos amigos — e a minha morte.

Passei em revista os anos que vivemos juntos — o casamento, os filhos, os dias de refúgio no palácio em Petrópolis, as viagens, as lutas políticas, o momento memorável da Lei Áurea — e assim também as cartinhas apaixonadas que lhe escrevi e as suas infidelidades em vista das quais me resignei pela união da família e o desempenho de suas funções, o que, de resto, já perdoei.

E nessas breves visitas o acarinhava e orava para que ficasse bem. E como prêmio pude recebê-lo quando de seu retorno à Pátria Espiritual.

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O passamento de D. Pedro II

Com os pulmões atacados por uma pneumonia, encontrava-se o Imperador no Bedford, um modesto hotel de Paris, desde outubro de 1891. No dia 4 de dezembro, à noite, começou a agonizar, vindo a falecer horas depois, nos primeiros minutos do dia 5 de dezembro de 1891. Em sua companhia somente Isabel, o marido e Eulália, prima de Isabel.

E deu-se que nos dias da amargura final, (uma) luz desceu sobre os cabelos brancos de Pedro, santificando-lhe a morte, como seu Anjo Guardião prometera e Humberto de Campos anotara no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.

Estive ao lado de meu esposo no dia 2 de outubro, quando completou 66 anos. Não houve comemoração, pois estava passando muito mal. E acompanhei seus últimos dias, até sua desencarnação, no dia 5 de dezembro de 1891. Pude consolar a ele, e beijar a face de minha filha Isabel e a de meu genro. Como acontecera comigo, também Pedro teve a ventura de ser recebido do outro lado da vida por uma plêiade de espíritos de luz. 

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Estás uma deusa — não és mais rainha!  

1770630.png Narra-se ainda que a maior emoção de Pedro d'Alcântara quando de seu desencarne foi ter avistado Teresa Cristina — que se apresentou mais jovem, de feições e corpo belíssimos, um arco dourado cingindo os longos cabelos levemente grisalhos, fagulhas de luz projetando-se da barra de uma longa saia branca, olhos encantadores, uma grande nobreza de gestos...

Ao que ele, maravilhado e em lágrimas, balbuciou: — Ah, minha santa! Estás um deusa — não és mais rainha!  

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ADOLFO BEZERRA DE MENEZES

Bezerra chegou ao Rio em 1851, e ali desencarnou em 1900.

Espírito de todas as luzes, a par de sua atuação na medicina, na política, nas letras, desenvolveu ainda diversos trabalhos em prol da união e da liberdade dos estudiosos da Doutrina. Foi por duas vezes presidente da Federação Espírita Brasileira.

Ele desprendeu-se da Terra, tendo consolidado a sua missão em face da Doutrina Espírita. Diante do quadro de serviços prestados na sua última encarnação, retornou serenamente à Dimensão Espiritual.

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Chegada de Bezerra de Menezes ao Mundo Espiritual

Sobre a chegada de Bezerra de Menezes no outro plano da vida, conta Divaldo Franco que certa feita perguntou ao venerável Médico dos Pobres: 

— Meu caro Dr. Bezerra, qual foi sua maior felicidade quando chegou ao Mundo Espiritual?

— Ah, meu filho, a minha maior felicidade foi quando Celina, a mensageira de Maria Santíssima, se aproximou do leito em que eu ainda estava dormindo, e, tocando-me, falou, suavemente:

— Bezerra, acorde Bezerra!

Abri os olhos e a vi, bela e radiosa.

— Minha filha, é você, Celina?

— Sim, sou eu, meu amigo. A Mãe de Jesus pediu-me que lhe dissesse que você já se encontra na Vida Maior, havendo atravessado a porta da imortalidade. Agora, Bezerra, desperte feliz!

Mais não precisa ser dito desse Apóstolo do Cristo, que há mais de um século deixou a Terra,  mas continua lidando no outro Plano da Vida em benefício dos seus irmãos menores encarnados e desencarnados.

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MATHILDE GUILHERA

Mathilde Guilhera nasceu no Rio de Janeiro em 1896 — quando Bezerra ainda estava vivo — e 7 anos após o passamento de Teresa.

Romanceemos como foi sua chegada aqui entre nós.


A origem do sobrenome

Levas de espanhóis aportaram no Rio de Janeiro, a partir da década de 1880, buscando melhores condições de vida. Eram pessoas humildes, provenientes de Andaluzia, Galícia, Catalunha, Castela. Poucos eram trabalhadores qualificados, alguns eram artesãos e a maioria, trabalhadores braçais. Grande número deles acabaram por se instalar no centro da cidade, em bairros como Saúde, Gamboa e Santo Cristo, próximos ao antigo porto do Rio. Moravam em pequenas vilas de casas e disputavam modestos empregos com negros libertos e outros imigrantes. Os sobrenomes mais comuns eram: García, Rodríguez, Martínez, López, González, Pérez, Sánchez, Ramírez, Torres, Morales, Domínguez, Ruiz e Guilhera.

O sobrenome Guilhera é usado na Espanha desde a Idade Média, sendo originário da região da Galiza, no noroeste do País. É derivado da palavra galega "guillera", que significa "pedra".

Mathilde era filha de Marcellino Guilhera, que fora casado com Maria Nunes,  e seu sobrenome possivelmente tem a origem acima.

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O primeiro encontro com Teresa Cristina

Conta-se que nos últimos dias do mês de março de 1896, quando as dores de d. Maria Nunes se intensificaram, avisada, logo bateu à porta dos Guilhera a parteira Salviana, uma negra entendida do ofício, que era juntada com um português amigo da família e com ele trabalhava numa banca de quitandas ali próxima da residência de Marcellino.

E foi entrando sem cerimônia, passo firme e decidido, saia branca arredondada; desenrolou longo avental da cintura, desfez a rodilha que trazia à cabeça, buliu o fogo que esquentava um caldeirão de água — eram os apetrechos do parto.

E foi pelas mãos de Salviana que a primogênita dos Guilhera deu os primeiros vagidos neste mundo, e saiu tão ligeira a menina que chegou a tempo de ouvir a caridosa alforriada terminar sua ocupação fazendo o sinal da cruz e entoando, com voz grave e ritmada, esta cantoria: 

— Fui menina preta libertada/pelas mãos da Imperatriz/E em seu nome benzo esta criança/Que venham outras desta matriz!

Era o fecho com que Salviana dava por terminada a tarefa de trazer crianças ao mundo!

E uma menina gordinha, clarinha e graciosa, a quem deram o nome Mathilde, ouviu pela primeira vez o nome daquela que seria seu anjo tutelar nesta existência.


Água Inglesa, medicamento muito utilizado à época durante a gravidez

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As notícias do dia do seu nascimento

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No dia 28 de março de 1896, o Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, em 12 páginas, trazia notícias nacionais, internacionais, atos do governo, pequenas ocorrências políticas e policiais, avisos e propagandas, tais como:

►Aviso do Mosteiro de São Bento, comunicando os atos religiosos da Semana Santa

►Estatística mortuária: número de mortos, causas, idade

►Inteiro teor do Novo Regulamento da Estrada de Ferro Central do Brasil e o Código Geral de Corridas do Turf Brasileiro

►Notas sobre lançamento de livros, anúncios de teatros

►Propagandas de móveis, dentista, venda de uma farmácia, de um escritório de descontos de títulos e de loterias


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Em 1896, presidia a Federação Espírita Brasileira (FEB) o inolvidável Bezerra de Menezes.

E o Reformador, órgão de divulgação editado pela FEB, de março de 1896, trazia um texto de MAX, intitulado LAZARO - O LEPROSO.

Como se recorda, MAX era pseudônimo usado por Adolfo Bezerra de Menezes.

Por essa época, Bezerra de Menezes e Mathilde Guilhera estavam reencarnados, ambos no Rio de Janeiro.


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DONS ESPIRITUAIS, MISSÃO E OBRAS

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

(...) Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais.

PAULO. 1 Coríntios 12:4-7; 14:1


A partir deste ponto — com os protetores no Espaço e a menina na Terra — começa nossa história.

Mathilde Guilhera trazia uma missão programada no Mundo Espiritual, que desenvolveria ao amparo de Teresa Cristina e Bezerra de Menezes.

E para isso, trazia preciosos Dons do Espírito, que houvera desenvolvido em outras vidas.


Como sabemos os espíritas, Paulo de Tarso teve

(...) a mediunidade como missão, e essa sua faculdade [foi] valiosíssimo instrumento na gigantesca tarefa de universalizar as ideias cristãs. Mas ele não fora médium somente, e sim também um profundo conhecedor da mediunidade, tendo legado um estudo sobre os dons mediúnicos da mais alta significação histórica e espiritual — o pequeno tratado sobre os Carismas, inserto nos Capítulos 12, 13 e 14 de sua Primeira Epístola aos Coríntios. (Miranda, 1974 - Guimarães, 2015) (Grifamos.)

Pois bem, como anotou o Apóstolo:

► Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
► E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
►  E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

Ou seja: da mesma FONTE DIVINA provêm as Faculdades (dons), as Atividades (ministérios) e os Procedimentos (operações), devendo os dons

► ser útil a todos: Segui o amor — pois há somente um PAI — e 

► cultivados: com zelo — para serem instrumentos de AUTOILUMINAÇÃO e AUXÍLIO aos necessitados.


E como já visto anteriormente, a mediunidade pode se apresentar como de provas ou trabalho — sendo aí uma ferramenta auxiliar da missão evolutiva do espírito — ou de expiação — como um instrumento de purificação ou resgate.

De qualquer modo, é a mediunidade coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente — como judiciosamente prescreveu Allan Kardec.

E como veremos, Mathilde Guilhera vai usar santamente seus dons na missão e nas obras que realizou.

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O DESPERTAR DOS DONS

A primeira visão se lhe produziu num dia de verão, ao meio-dia. (...)

Joana orava no jardim contíguo à casa de seu pai, perto da Igreja.

Escutou uma voz que lhe dizia: - "Joana, filha de Deus, sê boa e

cordata, frequenta a igreja, põe tua confiança no Senhor." 

LÉON DENIS. Joana D'Arc Médium 


Eclosão mediúnica

Quer seja de provas ou de resgate — a mediunidade, sendo uma faculdade nativa, eclode ou surge na época apropriada, prevista em planejamento reencarnatório, podendo ou não apresentar desconfortos físicos e emocionais ao médium em desenvolvimento.

É comum que a eclosão se dê na infância, pois até 7 anos não foi completado o processo reencarnatório e a criança se vê dividida entre dois planos, fase em que pode ver "coisas", "sombras", "vultos", ter afetado seu sono e comportamento e ficar atemorizada e irritadiça. (Sallum, 2019)

Ocorre de a mediunidade também se manifestar mais tarde, na adolescência, e aí podem se verificar quadros mais graves, como ataques convulsivos, desmaios, calafrios, tonturas. (Tourinho, 2000)

Chico Xavier, aos 4 anos ouvia uma "voz desconhecida". Depois, passou a ter visões e diálogos com a mãe recentemente desencarnada. Aos 17 anos, na noite de 8 de julho de 1927, recebeu mensagem de Isabel de Aragão, a Rainha Santa de Portugal, e dois dias depois a viu em seu quarto, quando orava. [Reveja o tópico Chico Xavier e Isabel, A Rainha Santa, na Parte 1.]

Yvonne Pereira conta em Recordações da Mediunidade (FEB, 1966) que nasceu médium já desenvolvido (...) e na primeira infância via e ouvia os espíritos e se desdobrava em corpo astral. Narra, também, um quadro terrível pelo qual passou, aos 29 dias de nascida: 

— (Tive)... um súbito acesso de tosse, em que sobreveio sufocação, fiquei como morta... Durante 6 horas consecutivas permaneci com rigidez cadavérica, o corpo arroxeado, a fisionomia abatida e macilenta do cadáver, os olhos aprofundados, o nariz afilado, a boca cerrada e o queixo endurecido, enregelada, sem respiração e sem pulso.

Ela chegou mesmo a ser amortalhada e providenciaram sua certidão de óbito. Suicida em vida passada, reencarnada com mediunidade de purificação, Yvonne trouxe reminiscências mentais e vibratórias que a traumatizaram por longo tempo.

Zé Arigó, considerado o maior médium de curas do mundo, também foi portador de uma mediunidade expiatória. Segundo o livro Arigó, o 13º Profeta, escrito por Leida Lúcia de Oliveira, que com ele trabalhou por longos anos, Arigó viu seus dons mediúnicos despontarem muito cedo, com visões que o assustavam e faziam que fosse dormir no quarto dos pais. Ninguém acreditava em suas histórias e se afastou dos amigos. Mas na escola, conhecedores de sua extrema sensibilidade, os colegas pediam que fizesse previsões: — o que vai acontecer comigo? Quem vai adoecer? Amanhã chove ou não?
E assim cresceu vendo bolas de fogo com traços de rostos humanos, espíritos que não o deixavam em paz, vozes que lhe davam comandos, que geralmente não obedecia...

Fritz — seu guia espiritual — dizia que ele era um "cabeça dura" e que lhe dera muito trabalho para controlar sua mediunidade.

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O Espiritismo socorre a menina Mathilde

Desde menina,  Mathilde Guilhera sofreu os perrengues da mediunidade. Via, ouvia, falava sozinha e era incomodada pelos espíritos, notadamente às refeições, pois pratos e talheres voavam longe, e a menina não se alimentava.

Quando insistiam em fazer a menina comer, enfiando-lhe o garfo à boca, esse era atirado violentamente contra a parede.

Mathilde passou a ficar amedrontada só de ver o prato de comida, e saía correndo, desabaladamente, sem destino certo. E, assim, durante muito tempo se alimentou de pão e água.

E frente a esse sofrimento, para o qual nenhum remédio surtira efeito, a família procurou ajuda no Espiritismo.

De fato, foi o espírito de Teresa Cristina, que amparava a menina Mathilde, quem pôs um espírita, colega de trabalho de Marcellino, a lhe indicar o caminho da Federação Espírita Brasileira (FEB).


Nos início dos anos 1900, após o falecimento de Bezerra de Menezes, a sede da FEB, que passara por constante mudança de endereço, em 1903 se instalou num imóvel alugado na Rua do Rosário, nº 133. Dali só sairia para sua sede própria e histórica, na Avenida Passos nºs. 28 e 30, um ponto privilegiado no Centro do Rio de Janeiro.


    

(1) Em 10/12/1911 aqui se instalou a FEB               (2) Foto recente da FEB, restaurada


Corria o ano de 1904, contava a menina então com 8 anos, quando Marcellino Guilhera tomou a filha pela mão e a levou na Federação Espírita Brasileira, instalada na Rua do Rosário, centro do Rio de Janeiro, não muito longe de onde moravam.

A mãe ficara em casa orando. Católica, não acreditava naquelas coisas de espiritismo. Mas rezou à Nossa Senhora da Serra, tradição de sua família oriunda de Trás-os-Montes.

Por essa época, Leopoldo Cirne presidia a FEB e foi em sua  gestão que se deu a construção do prédio que alberga a sede da Federação na Avenida Passos.

Recebidos com carinho e atenção por voluntários, foram orientados a como tratar o problema e a menina foi encaminhada aos trabalhos mediúnicos que então se davam na casa.

Como ocorre nos casos de perturbação espiritual, o diagnóstico é fácil, a cura pode ser morosa, tendo em vista as inúmeras razões por trás do desequilíbrio.

No caso de Mathilde, associaram-se a missão de amparo aos necessitados da casa-máter, a qualidade dos médiuns, o merecimento da família Guilhera e a proteção de Teresa Cristina — e em algumas semanas a menina se estabilizou, os fenômenos cessaram e ela voltou a se alimentar normalmente.

Por certo, Bezerra, em algum momento também estendera sua mão àquela médiunzinha com quem viria a trabalhar no futuro...


— Quanto lhes devo pelo tratamento e os vidrinhos de remédio? — perguntou Marcellino.

— A nós, não deve nada! Ajude a quem puder, recomendou o Cristo!

E ele agradecido doou modesta quantia ao programa de Assistência aos Necessitados, então mantido pela FEB.


Reformador Junho de 1902

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A MENINA CRESCE E VICEJAM OS DONS MEDIÚNICOS

Você não ponderou, todavia, meu caro André, que essa preparação não constitui, ainda, a realização propriamente dita.

Saem milhares de mensageiros aptos para o serviço, mas são muito raros os que triunfam.

Alguns conseguem execução parcial da tarefa, outros muitos fracassam de todo.

ANDRÉ LUIZ/F. C. XAVIER. Os Mensageiros, cap. 3


Conhecendo a Doutrina Espírita

Orientados pelos colaboradores da FEB, os Guilhera passaram a ler o Evangelho, orar em família e a ter paciência com eventuais distúrbios que pudessem se dar em razão das faculdades da menina, pois na passagem da infância para adolescência, à medida que sua força magnética se desenvolvesse, seria natural que surgissem novas desordens físicas ou emocionais.


 A menina Mathilde, com 10 anos (Imagem por IA/CoPilot)


No entanto, nada de mais grave ocorreu, e Mathilde foi se acostumando às visões, vozes, intuições e sonhos premonitórios.

Começou a aplicar os passes em gente conhecida — e sentiu que podia ajudar outras pessoas com isso. Adquiriu e estudou com afinco Depois da Morte, de Léon Denis, que a FEB lançara em 1901.

Nesse livro, que contém uma síntese dos postulados espíritas em linguagem poética, na belíssima tradução de João Lourenço de Souza — responsável por organizar a editora e a livraria da FEB —, Mathilde aprendeu os fundamentos da Vida Imortal: Deus, Espírito, Matéria, evolução, reencarnação, comunicação com os espíritos, vida no além-túmulo, leis morais, outros mundos habitados — e sentiu-se presa a temas que lhe calavam fundo — mediunidade, fluidos, magnetismo — e sublinhou este texto, que relia constantemente:

— Alguns médiuns servem também de intermediários aos Espíritos para transmitirem aos doentes e valetudinários eflúvios magnéticos que aliviam e, algumas vezes, curam esses infelizes. É uma das mais belas e úteis formas da mediunidade.

(E uma voz interior lhe soprava as palavras de Jesus: — Curai enfermos, purificai leprosos, expulsai demônios...)

Em suas leituras, sentia também suaves aproximações de sua guia espiritual.

Teresa Cristina estava presente!

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A Imperatriz e a missão

Certa noite, na cama, recostada e lendo Depois da Morte, sentiu como que uma brisa balançasse a cortina do quarto. Em seguida, teve a sensação de que alguém transpusesse a janela — e acentuada luz brilhou ao pé da cama. Era o espírito de Teresa Cristina, que pela primeira vez se mostrava nitidamente à jovem médium.

E Mathilde, estupefata, parecia duvidar de si mesma, quando uma voz doce e suave, lhe falou:

— Filha, há anos te acompanho e muitas vezes pudeste sentir minha presença! Agora, finalmente, podes também me ver! Sou Teresa Cristina, fui rainha, hoje sou apagada servidora do Cristo!

Como também se emocionara com o (re)encontro, pareceu que respirasse, e prosseguiu:

— A caridade e o cuidado das crianças têm sido a causa que abracei após meu desenlace. Por isso estou aqui! Minha missão e a tua será a construção de um orfanato, para cuidar de meninas desamparadas, sem pais, sem família, sem arrimo!

E rematou: 

— Segues estudando e educando tua mediunidade. Em momento oportuno, voltarei e te direi aonde vamos juntas construir um lar de meninas!

E a imagem da Imperatriz foi se dissipando aos poucos, enquanto Mathilde balançava a cabeça como se não acreditasse no que vira e ouvira — e chorava baixinho, emocionada!


Alguns anos depois desse episódio, em 1918, a gripe espanhola chegaria ao Rio de Janeiro, uma cepa devastadora que infectou dois terços da população urbana e matou cerca de 15 mil pessoas. Mathilde não foi infectada e pôde ajudar familiares e amigos próximos com passes salutares.

No início dos anos 1920, Mathilde contraiu núpcias com Antônio Duarte Moreira, companheiro que viria a apoiá-la com firmeza, na dificultosa tarefa mediúnica e de caridade que a médium desenvolveria por décadas.

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O DESTINO LEVA MATHILDE À CIDADE DAS ÁGUAS VIRTUOSAS

   

Nação Brasileira, nº 256, dezembro de 1944, e a propaganda do Palace Hotel de Lambari


Findava o ano de 1944, quando Antônio Duarte chegou à casa, como era costume, segurando o jornal do dia. Mas trazia também um exemplar da revista Nação Brasileira com Getúlio Vargas e o General Dutra na capa.

Mais tarde, afolheando a revista, Mathilde encontrou uma propaganda que lhe chamou atenção — a de um pequeno e convidativo hotel na cidade de Lambari, Sul de Minas Gerais, com diárias a preço razoável. E disse ao marido: 

— Querido, que tal fôssemos conhecer essa estância mineira? Estou precisando cuidar melhor do estômago e fígado, e as águas de lá parecem ótimas para isso. Encontrei aqui uma propaganda, veja se gosta.

Algum tempo depois, o casal tomou o trem no Rio de Janeiro e saltou na Paradinha Mello, em Lambari. Em seguida, alugaram uma charrete e se dirigiram ao Palace Hotel.


  

 Chegada a Lambari: da Paradinha Mello ao Palace Hotel, de charrete


Desse modo foi que o casal veio a conhecer a cidade das Águas Virtuosas de Lambari. Realizava assim o destino seu papel de trazer Mathilde Guilhera Moreira para o local onde deveria cumprir sua missão mediúnica e caritativa.

Em Lambari, ela construiria o Lar Teresa Cristina e a Seara Espiritual Bezerra de Menezes, entidades nas quais, com o apoio espiritual de Teresa Cristina e de Dr. Bezerra de Menezes e sua equipe, socorreria dezenas e dezenas de meninas sem lar e curaria centenas e centenas de pessoas com a mediunidade abençoada que desenvolvera.


Palace Hotel - Ponto de apoio das atividades de cura

 Antes de findar a década de 1940, Mathilde se instalou no Palace Hotel, do qual fez, por algum tempo, sua nova morada. Por essa época o estabelecimento havia sido arrendado a Maria Alvarina Andrade, conhecida por Dona Mariazinha, que se tornaria amiga e colaboradora das atividades da médium, como vamos narrar mais à frente.

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NOVA MISSÃO — A CURA ESPIRITUAL

Na mediunidade de prova, a criatura humana tem de desempenhar determinadas tarefas, consoante a lei de ação e reação.

Nesses casos, o perispírito sofre intervenção no mundo espiritual, antes do renascimento,

para que possa atuar como médium ostensivo na nova experiência terrestre.

MARLENE NOBRE. O Dom da Mediunidade: Um sentido novo para a vida humana, um novo sentido para a humanidade


Desde que se casara, na década de 1920, Mathilde passou a atender inúmeras pessoas que a procuravam, necessitadas de orientação ou cura.

Fazia isso em casa ou em domicílio, sempre amparada por seus espíritos protetores. Esses anos, passados no Rio de Janeiro, na verdade, foram uma espécie de aprendizado, pois seria em Lambari, tempos depois, que sua mediunidade atingiria a plenitude. 

De fato, ela passara por todas as fases da mediunidade: a princípio ocorreram manifestações físicas; depois se tornou sucessivamente médium audiente, vidente, de premonição e doadora de fluidos. 

Mas estava sendo preparada para convergir suas faculdades para a cura espiritual — conforme a intuíam seus guias.

Tratava-se de nova missão que deveria cumprir em Lambari, a cidade das Águas Virtuosas — lhe disse Teresa Cristina.

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O solo, as serras, o clima e as águas virtuosas

Essas serras, o clima, os ventos, as águas que brotam aqui, o lago de águas serenas, os minerais surgidos em eras primevas no seio desta poderosa cava vulcânica em que se construiu a cidade de [Águas Virtuosas], tudo isso constitui um vasto recurso energético curador e restaurador. 

ANTÔNIO CARLOS GUIMARÃES. Os Curadores do Senhor, Cap. 8 


Mas por que foi esta a cidade escolhida? — quis Mathilde saber.

E em fenômeno de vidência, Teresa Cristina esclareceu:

— Tu achas que a propaganda da revista foi um acaso? Não, não foi! Por muitas razões tua missão deve ser cumprida aqui na cidade das Águas Virtuosas — onde também construiremos nosso Lar de Crianças.

— Este local tem propriedades minerais, vegetais, energéticas e climáticas apropriadas, além da água dita santa, benéfica à saúde, aos banhos e aos tratamentos de cura, seja pelos médicos da Terra (*), seja pelos médicos do Céu.

E em breve esta estância terá mudado seu foco econômico, visto que os jogos de azar serão proibidos. (**) E se forem diligentes, as lideranças políticas deverão vocacionar Lambari para uma estação de cura, com turismo de saúde, medicina alternativa e curas naturais.


  


— Além disso, Mathilde, tenho especial carinho por esse lugar, pois aqui, em tempo passado, esteve Isabel, minha filha, buscando os benefícios destas benditas águas para engravidar. (***) 

— E mais: — A protetora desta terra é Maria de Nazaré, aqui cultuada como Nossa Senhora da Saúde, e sabes que tendo sido católica em minha última existência, tinha na Virgem Maria meu esteio e meu consolo, tantas vezes clamei por sua ajuda e proteção. (****)

— Veja também, Mathilde, que nosso irmão Francisco de Paula Vítor abriu os caminhos, pois nos antecedeu nas tarefas de cura, na primeira casa espírita desta cidade. Lá, sob seu amparo, muitas pessoas têm recebido ajuda espiritual. (*****)

—  Aliás, Padre Vítor também se manifesta no Planalto Goiano, nas atividades espíritas de cura que ocorrem na antiga Fazenda Palmela. (******)

—  Desse modo, é chegada nossa vez de socorrer incontáveis irmãos carentes de ajuda física e espiritual!

—  Em minha última encarnação, perdi 3 filhos amados, todos ainda muito jovens! Oh, dor! A pior dor que uma mãe pode passar! Tivéssemos — quem sabe? — conhecido a cura espiritual, talvez não tivessem partido tão cedo!

—  Desabafo de uma mãe, não se incomode! Tantos anos depois e ainda tenho em mente essas tão tristes perdas, nada obstante eu de há muito compreender e aceitar a Ordem Soberana das Leis Cósmicas da Evolução!

— Saibas que Bezerra e sua equipe estão a postos!

— Prepara-te, tu também! Tenha especial atenção à sua vidência, pois ela será essencial para os trabalhos de cura que irás empreender!   


► (*) Em ÁGUAS VIRTUOSAS DE LAMBARI houve grandes crenólogos [médicos especialistas em tratamento e prevenção de doenças com águas minerais], entre eles: Garção Stockler, João Braulio Moinhos de Vilhena, João de Almeida Lisboa, Benicio Chaves, José dos Santos, Manoel Airosa, José Nicolau Mileo, José Benedito Rodrigues, Ismael Gesualdi.

► (**) V. MEMÓRIAS DE ÁGUAS VIRTUOSAS - O fechamento dos cassinos - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=47394

► (***) V. MEMÓRIAS DE ÁGUAS VIRTUOSAS - A Princesa Isabel em Águas Virtuosas - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=47427

► (****) A Imperatriz Teresa Cristina registrou sua vida em diários e cadernos pessoais, num total de mais de 1.400 páginas, no período de 1852-1887. Escritos em português e italiano, encontram-se hoje no Arquivo Histórico do Museu Imperial em Petrópolis e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, como parte da coleção denominada “Collecção D. Thereza Christina Maria"

► (*****) V. ABIGAIL [Mediunidade e redenção] - Antônio Carlos Guimarães. Este livro narra o caso de redenção espiritual de Abigail Guimarães e seus familiares e está entrelaçado à história do Centro Espírita 24 de Junho (atual Casa Espírita Francisco de Paula Vítor), de Lambari, MG, cujo patrono é Padre Vítor. - https://www.oconsolador.com.br/editora/51a100/Abigail.htm

► (******) V. AGNELO MORATO,  De Sacramento a Palmelo, p. 89 - Na área da Fazenda Palmela é que surgiu a cidade de Palmelo, GO, conhecida como Capital Espírita do Brasil por ter sido criada em torno de um centro espírita, o Centro Espírita Luz da Verdade. Foi emancipada no dia 13 de novembro de 1953.

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Vinda para Lambari

Não levem nem ouro, nem prata, nem cobre em seus cintos;
não levem nenhum saco de viagem, nem túnica extra, nem sandálias, nem bordão; pois o trabalhador é digno do seu sustento.
Na cidade ou povoado em que entrarem, procurem alguém digno de recebê-los, e fiquem em sua casa até partirem.
JESUS. Mateus 10: 9-11


No início dos anos 1950, à vista da missão que recebera — na verdade duas missões —, as quais deveria desenvolver em Lambari, Mathilde, já aposentada, mudou-se do Rio de Janeiro e instalou-se provisoriamente no Palace Hotel.
Em Lambari, passou a frequentar o Centro Espírita 24 de Junho, cujo mentor era Francisco de Paula Vítor, o Padre Vítor de Três Pontas. Ali ficou conhecendo, entre outros,  Margarida Augusta Guimarães e seu esposo José Batista Guimarães, Alberto Moreira Franco, Vicente Guimarães de Souza.
No final de 1956, reuniu alguns espíritas e outros simpatizantes e fundou o LAR TERESA CRISTINA, cujo estatuto foi assinado em 26 de dezembro de 1956 e arquivado no Cartório do 2º. Ofício de Lambari (MG) em 9 de janeiro de 1958. 
Na verdade, esse documento, em resumo, dispunha que a instituição tinha por objeto e fins o estudo e a propaganda do Espiritismo
(plano para a construção da Seara) e a prática da caridade, sendo que para esse último ponto se dedicaria ao amparo e à educação da infância desprotegida e, quando fosse possível, à velhice desamparada (plano para a edificação do Lar).
Confira as disposições do Capítulo I:


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O Capítulo II, artigos 4º. ao 13, dispunha sobre os Sócios, seus deveres e direitos. 
O Capítulo III, artigos 14 a 17, dispunha sobre a Assembleia Geral.
O Capítulo IV, artigos 18 a 22, dispunha sobre o Conselho Superior.
O Capítulo V, artigos 19 a 30, dispunha sobre A Diretoria.
O Capítulo VI, artigos 31 e 32, dispunha sobre A Sociedade.
O Capítulo VII, artigos 33 a 37, tratava das Disposições Diversas.
O Capítulo VIII, artigo 38 e seu Parágrafo único tratavam das Disposições Transitórias.

 

Esse último capítulo diz que:



Com isso estabelecia o estatuto que a fundadora — Mathilde Guilhera — exerceria a presidência da instituição por 10 anos, até que se desse a construção do prédio e aquisição do imobiliário. 
A partir de janeiro de 1957, Mathilde se empenhou duramente na construção do almejado prédio do LAR TERESA CRISTINA e conseguiu inaugurá-lo em dezembro de 1967.

As instalações da SEARA ficariam prontas em agosto de 1974.
Informe-se que do estatuto não constou o endereço provisório da instituição. 


Uma das surpresas que esta pesquisa possibilitou a este autor e a todos seus familiares foi ter conhecimento de que sua avó paterna – MARGARIDA AUGUSTA GUIMARÃES – foi uma das sócias-fundadoras do LAR TERESA CRISTINA e da SEARA.

Acima, no estatuto, a primeira assinatura é de MATHILDE GUILHERA MOREIRA, a segunda, de minha avó. Também assinaram este documento ALBERTO MOREIRA FRANCO e VICENTE GUIMARÃES DE SOUZA.

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Um recinto hospitalar no Palace Hotel

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. 

JESUS. Mateus 11:28


Mesmo antes que se instalasse na casa que viria a adquirir em Lambari, situada na Volta do Ó, Mathilde continuou frequentando as sessões do C. E. 24 de Junho e atendendo inúmeras pessoas que a procuravam, inclusive funcionários do próprio hotel.

Desse modo se deu que tanto gente da terra, quanto veranistas foram descobrindo que no Palace Hotel havia uma senhora que orava, aplicava passes — e curava! 

  O número de assistidos foi crescendo e Dona Mariazinha se desdobrou para atender as necessidades demandadas pela atividade da médium: ao lado das acomodações de Mathilde, ela reservou pequeno apartamento, que se tornou um recinto hospitalar: banheiro privativo, cama, pijama, toalhas, criado, cortina na janela.

Toda rouparia era branca e sobre o criado havia uma jarra de vidro transparente com água fluidificada ou chás de ervas naturais preparados com água virtuosa de Lambari, composições homeopáticas e uma rosa amarela ou branca, colhida no jardim do hotel. Somente uma determinada arrumadeira, orientada pela médium, cuidava de manter limpo e higienizado o ambiente e providenciar a lavagem e troca de rouparia.

Quando aumentava o número de pacientes, novos recintos semelhantes a esse eram providenciados.

E assim também ocorria com a dieta dos enfermos. Mesmo que as intervenções se dessem no corpo espiritual (perispírito) e não houvesse corte, sutura, curativos no corpo físico, certamente os havia no corpo fluídico, e os assistidos passavam por dietas e repouso, antes e depois das cirurgias espirituais. E aqui louve-se novamente os cuidados da operosa Mariazinha, que selecionava os ingredientes e orientava os funcionários da cozinha no preparo das refeições.


►A propósito, vale registrar um incidente ocorrido no Palace Hotel, por essa época. Certo dia, com o hotel cheio de hóspedes e bem assim os recintos reservados para os internos de Dona Mathilde, irrompeu, na cozinha, uma confusão que se transformou em briga entre os garçons, com pratos e talheres voando por todo lado. Chamada, Mathilde orou e apaziguou os contendores invisíveis que inspiraram e incentivavam ruidosamente aquele lance infeliz, que ademais visava a perturbar os trabalhos da médium e seus pacientes alojados no hotel. 

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Na garagem da casa da Volta do Ó

Como já vos foi dito muitas vezes nas diferentes instruções, a mediunidade curadora, conjuntamente com a faculdade de vidência, é chamada a desempenhar um grande papel no período atual da revelação. São os dois agentes que cooperam com a maior força na regeneração da Humanidade e para a fusão de todas as crenças numa crença única, tolerante, progressiva, universal. (Grifei.)

ALLAN KARDEC. Revista Espírita - 10/1867


Tempos passaram e Mathilde resolveu dispor de uma casa própria, na cidade.

Tendo um único filho — Carlos Alberto Guilhera Moreira — o casal adquiriu uma residência na Volta do Ó — assim conhecida uma longa avenida que circunda o Parque Wenceslau Braz em Lambari — e registrou o imóvel em nome do herdeiro.

Por essa época, Mathilde passava longo tempo em Lambari; seu marido e o filho continuaram residindo no Rio de Janeiro e a visitavam com frequência.


Casa de D. Mathilde, Volta do Ó, Lambari, MG


Mathilde logo se instalou na nova residência e continuou sua tarefa mediúnica, mantendo o recinto hospitalar no Palace Hotel.

Por esse tempo, chegou do Rio de Janeiro o jovem Guaracy Pereira Dias, que viera com seu tio Waldemar Cavalcanti, representante comercial dos Laboratórios Schering, que passava férias em Lambari e conhecia Mathilde e seus trabalhos mediúnicos. Ambos acabaram por ficar dois dias hospedados na casa de Mathilde.

Mais à frente, em novembro de 1961, Guaracy mudou-se para Lambari, para gerenciar um laboratório farmacêutico — o Laboratório Santa Maria, que fora comprado por seu tio. Pouco tempo depois, já conhecedor da doutrina de Kardec, saiu à procura de uma casa espírita e dirigiu-se ao Centro Espírita 24 de Junho, e lá reencontrou Dona Mathilde, que regularmente comparecia às reuniões daquela instituição.

A partir desse encontro, Guaracy se aproximou da médium e viu que ela atendia qualquer um que a procurasse, a qualquer hora, em casa ou na rua, de dia ou de noite, durante as refeições ou horário de descanso. Ia mesmo atender em domicílio, quando alguém precisava e não podia se locomover. E o número de necessitados que procuravam a médium só crescia.
Então, Guaracy sugeriu que ela organizasse os 
atendimentos e que fossem feitos nos sábados à tarde, na garagem da residência, um espaço lateral que dava acesso a um galpão nos fundos do terreno.

Esse local improvisado foi o primeiro centro espírita fundado por Mathilde. Nele havia apenas uma mesa com toalha branca e cadeiras e um armarinho de vidro com medicação homeopática, que era distribuída de conformidade com o receituário passado pelos Espíritos. Na parede, um quadro de Jesus e outro de Bezerra de Menezes.

Com o número de pessoas atendidas sempre crescente, alguns voluntários, médiuns inclusive, passaram a ajudar Mathilde em suas intensas atividades — alguns deles, talvez, preparados no Centro de Mensageiros a que se reporta André Luiz. (*)

Mais à frente, engrossaria a fieira dos voluntários uma filha de Dona Mariazinha — Teresa Vercesi, cujos dons mediúnicos, despertados na juventude, se equilibraram nos anos que se seguiram ao seu casamento, ocorrido em 1951.

Quando viu Teresa chegar, acompanhada de sua mãe, se oferecendo para trabalhar, Mathilde disse:

— Ah, sim, você é aquela menina que ficava zanzando pelo Palace, quando cheguei a Lambari! Seja bem-vinda! O que não falta aqui é trabalho! Sua mãe conhece bem, porque não dou sossego a ela!

Incansavelmente, Mathilde e seus voluntários, sob a supervisão espiritual de Bezerra de Menezes e sua Falange do Bem, atendiam pessoas necessitadas de orientação, de passes, de medicação homeopática, de desobsessão e de cirurgias espirituais.

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Imagem ilustrativa. Jesus, o Médico dos Médicos, curando um enfermo


Com o grande movimento de pessoas atendidas, também o recinto hospitalar no Palace Hotel teve de ser duplicado, depois triplicado — tantos eram os assistidos que lá faziam ora o pré, ora o pós-operatório.

Note-se que os espíritos orientadores eram enérgicos e incisivos quanto à necessidade da dieta e do repouso, posto que podiam ocorrer incidentes ou intercorrências pós-operatórias, em razão de pacientes, não vendo sinais da cirurgia e sentindo-se melhores e mais fortalecidos, saírem a caminhar, exercitar ou cavalgar, ou não seguirem as dietas indicadas.


As atividades de cura prosseguiam sem descanso na garagem da casa da Volta do Ó e Mathilde já contava com um bom número de colaboradores quando Guaracy se afastou dos trabalhos e foi juntamente com Benedito Moreira Franco reabrir o Centro Espírita 24 de Junho, que havia paralisado suas atividades.

Os trabalhos na Volta do Ó seguiram em frente até a inauguração da Seara Espiritual Bezerra de Menezes, ocorrida em 1974.

A partir dessa data e na nova casa, as cirurgias espirituais atingiriam um patamar mais elevado, fosse na quantidade de pessoas atendidas, fosse na qualidade das curas, fosse nos resultados obtidos. De fato, não ocorreram somente melhorias no plano físico,  na organização das reuniões, na preparação dos médiuns, no acréscimo de colaboradores, mas também na dinâmica das equipes espirituais de proteção, sustentação e execução dos procedimentos cirúrgicos.


► (*) V. Por essa época, meados dos anos 1940,  André Luiz, por intermédio de Francisco Cândido Xavier, já havia narrado parte do que ocorre na Vida Espiritual. Pois bem, num de seus livros, André refere o Centro de Mensageiros, existente em Nosso Lar, nos informando que:

O Centro prepara entidades a fim de que se transformem em cartas vivas de socorro e auxílio aos que sofrem no umbral, na crosta e nas trevas. (...) 

Preparam-se aqui numerosos companheiros para a difusão de esperanças e consolos, instruções e avisos, nos diversos setores da evolução planetária. Não me refiro tão só a emissários invisíveis. Organizamos turmas compactas de aprendizes para a reencarnação. Médiuns e doutrinadores saem daqui às centenas, anualmente. Tarefeiros do conforto espiritual encaminham-se para os círculos carnais, em quantidade considerável, habilitados pelo nosso Centro de Mensageiros. (...) (Grifamos.)                                                                                                     (Fonte: Os Mensageiros - André Luiz/F. C. Xavier, FEB, Rio, 1944)

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Seara Espiritual Bezerra de Menezes

Filhos, toda doença tem a sua origem nas imperfeições do espírito, que reflete sobre as
células que lhe constituem o corpo material os desajustes da consciência.
BEZERRA DE MENEZES


 

Após ter fundado em 1967 o Lar Tereza Cristina, Mathilde inaugurou, no dia 13 de agosto de 1974, em anexo ao orfanato, a Seara Espiritual Bezerra de Menezes.

Com isso, as atividades de assistência espiritual e trabalhos de cura que por anos vinham sendo feitas precariamente na garagem da residência da Volta do Ó, passaram a ser realizadas na sede da Seara.

Assim funcionou a  Seara até final dos anos 1980, quando sua fundadora adoeceu. 

Tempos depois (anos 1990), a Seara reiniciou atividades, tendo como médium Dona Gioconda Figueiredo.

E durante bom tempo essa médium e diversos voluntários atenderam inúmeras pessoas necessitadas que procuravam a Seara.

Mais à frente, com o falecimento de Gioconda, a instituição prosseguiu sob nova direção e orientação.

No início dos anos 2000, a casa encerrou seus trabalhos.

Em 12 de setembro de 2007, a Seara retomou suas atividades e continua funcionando até nossos dias.

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OS TRABALHOS DE CURA NA SEARA BEZERRA DE MENEZES

Sempre houve médicos e os haverá sempre: apenas os que aproveitarem as novidades que lhes trouxerem os desencarnados terão uma grande vantagem sobre os que ficaram para trás. Os Espíritos vêm ajudar o desenvolvimento da ciência humana e não suprimi-la.

ALLAN KARDEC. Revista Espírita, 09/1865


A preparação

Se havia uma organização na Plano Terreno, havia primeiramente uma outra na Dimensão Espiritual.

De fato, dava-se também entre os auxiliadores espirituais uma divisão de tarefas. 

Equipes de assepsia e energização, de vigilância, de doação de fluidos magnéticos, de manuseio de instrumentos cirúrgicos, de manipulação de remédios — todo um conjunto espiritual de suporte a Bezerra de Menezes e sua equipe auxiliar.

A tarefa dos primeiros, qual se fora num hospital na Terra, porém com mais vigor e instrumentação própria, era fazer assepsia energética de todo o ambiente, eliminando miasmas e cobrindo de energia pura o recinto, os móveis, as vasilhas de água, os medicamentos em estoque, etc. 

As equipes de vigilância faziam o controle de entrada e saída de espíritos, quer fossem doentes ou desequilibrados, quer fossem perturbadores ou obsessores. E assim também interditavam a entrada de magos e suas falanges, que tentassem quebrar as defesas psíquicas e espirituais da Seara.

Os doadores de fluidos espirituais, além de fornecer ectoplasma para as cirurgias, auxiliavam os médiuns de sustentação no seu trabalho. E assim também havia quem cuidasse dos instrumentos cirúrgicos, visto que muitos desses eram plasmados conforme a necessidade dos médicos operadores. Manipuladores de remédios, tanto fluidificavam individualmente a água, como os medicamentos a serem fornecidos aos necessitados.


No Plano Terreno, os trabalhos de cura seguiam rotina orientada pela equipe espiritual, por meio da psicofonia de Mathilde.

Nas sextas-feiras, nos sábados e mesmo nos domingos, visto a grande ocorrência de consulentes e necessitados, reunia-se a equipe mediúnica e demais colaboradores para preparação dos trabalhos, acolhimento, atendimento e encaminhamento das pessoas assistidas, mediante fichas numeradas.

Além de pessoas locais, havia muitos veranistas, alguns vindos até mesmo do exterior, todos buscando alívio ou cura de distúrbios psíquicos ou doenças do corpo físico. Longa fila de carros elegantes, alguns importados, se formava nas ruas paralelas à Seara.



Por esse tempo, grande era também o número de pessoas que chegavam de ônibus e ora o taxista Raimundo Bolero, ora o caseiro de Mathilde — José Antônio — se encarregava de buscar e levar pessoas, algumas hospedadas no Hotel Palace.

Reunidos no salão, a assistência era orientada pelos colaboradores sobre questões básicas acerca das curas espirituais:


► — Quando alguém toma a decisão de vir a esta casa, passa a ser "monitorizado" pelos Espíritos.

Primeiramente, pelo Anjo Guardião e parentes desencarnados, interessados em auxiliar. A seguir, por algum espírito membro da equipe de Bezerra de Menezes.

► — De modo que, nos dias que antecedem à sessão de cura, deve seguir as recomendações que já foram feitas, quais sejam:

(1) No aspecto emocional, aceitar a enfermidade, ter fé de que será curado, orar, manter pensamentos nobres, sentimentos elevados, coração aberto. 

(2) No físico, evitar fumo, bebida alcoólica, relações sexuais, carne vermelha — fazer alimentação leve. Tudo isso vai ampliar as possibilidades de cura!

► — E aqui na sala de espera, enquanto aguarda atendimento, cada um pode ajudar a si mesmo a alcançar a cura! Para isso, mantenha-se vigilante e em prece, pois que o tratamento tem início já nesta sala e assistentes da equipe espiritual estarão entre vocês dando passes, energizando, inspirando fé nos Curadores do Senhor, que são emissários do Cristo!


Cada sessão era precedida pela leitura da Oração de Bezerra de Menezes, seguida da canção Quanta Luz.


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A seguir, Bezerra de Menezes, incorporado na médium Mathilde, examinava o assistido, ditava a uma médium auxiliar o receituário homeopático e outras orientações (passes, evangelho no Lar, educação da mediunidade, desobsessão), e, quando fosse caso de cirurgia espiritual, a pessoa era encaminhada para a sessão de cura, que se dava na segunda-feira, dia em que eram realizadas quatro cirurgias por vez.


Imagem ilustrativa da médium examinando um enfermo, tendo ao fundo o Espírito Bezerra de Menezes

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As cirurgias espirituais

E há [nos trabalhos de cura] também enfermeiros, médicos, assim como há curandeiros índios, pretos-velhos, caboclos. Desses é que vem toda a alquimia das águas, das matas, dos minerais. Eles é que dominam os poderes curadores da natureza e dão importante contributo para a formação do ectoplasma, elemento fundamental para a ocorrência de inúmeros fenômenos de cura.

ANTÔNIO CARLOS GUIMARÃES. Os Curadores do Senhor, Cap. 8 


Como dissemos, a sessão de cura — durante a qual ocorriam as cirurgias espirituais — acontecia nas segundas-feiras e desenrolava-se da seguinte maneira:

►O paciente deitava-se numa maca e a médium Mathilde, assistida por um médium de sustentação, explicava que a cirurgia se dava no perispírito, sem uso de nenhum instrumento de corte.

►Enquanto isso, os demais médiuns de sustentação sentavam-se numa mesa, concentrados. Esse grupo – apoiado pelos espíritos –  fornecia ectoplasma para a consecução das cirurgias.

►Em seguida, tinha início a cirurgia espiritual e a médium Mathilde, pela vidência, ia narrando como ela se processava.

►Terminada a cirurgia, Bezerra de Menezes, incorporado à médium Mathilde, ditava a uma assistente da médium o receituário homeopático e demais orientações de dieta e repouso.

►O receituário homeopático era aviado ali mesmo no recinto em que se dava a cirurgia, numa saleta, aos fundos, onde um colaborador entregava os medicamentos ao assistido.

►Terminada a quarta cirurgia, o mesmo Bezerra de Menezes encerrava os trabalhos.


 

Imagem ilustrativa da cirurgia espiritual na Seara Bezerra de Menezes

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Instrumentos da cirurgia espiritual

O corpo reflete o que há no Espírito, sendo assim, o Espírito precisa ser curado primeiro.
 A Medicina Espiritual há de ser associada à Medicina Humana, em função de que uma vai cuidar
 do corpo e a outra do Espírito. A Medicina socorre o perispírito, mas também socorre o corpo, ela não
 se sobrepõe ao remédio, porque cada um age no seu campo; cada um tem a sua esfera de ação; cada um
 tem o seu momento.
 
IGNÁCIO BITTENCOURT - Evento no C. E. Léon Denis, RJ


 

Na sala de espera da Seara, afixado num quadro com o título Instrumentos da cirurgia espiritual, havia um texto recebido pela mediunidade de Dona Mathilde, assinado BM, médica da equipe de Bezerra de Menezes, explicando didaticamente como se dava o procedimento no Plano Espiritual.

Eis a transcrição da mensagem:


►— O primeiro ato da nossa equipe é orar, pedindo proteção para os nossos trabalhos. A prece feita por Dr. Bezerra é dirigida ao Criador da Vida, a Jesus, o Médico Divino, e a Maria de Nazaré, a protetora de toda a humanidade.

►— A providência seguinte é verificar a situação espiritual do paciente. Assim examinamos sua ficha cármica, isto é, a origem da doença, nesta vida ou em outras vidas, e se será possível curá-lo ou não, visto que nem todos se curam ou podem ser curados neste momento. (*)

►— Temos ao nosso lado diversos colaboradores — médicos, enfermeiros, técnicos — e muitas vezes o espírito protetor ou um parente do enfermo, que, preocupados e interessados no procedimento, vêm nos auxiliar também.

► — Verificamos a seguir o prontuário do paciente, elaborado por meio de auscultação psicoscópica, no qual temos informações não só de sua alma, como do corpo físico: hemograma, tipo sanguíneo, histórico de doenças, presença de tumores etc.

► — Após isso, examinamos seu perispírito — que é onde de fato se localizam as doenças. Elas surgem ali, geralmente em razão de desregramentos de natureza física ou mental, e depois são transmitidas ao corpo físico.

► — De forma que a cirurgia espiritual é processada no corpo fluídico. Sanado este, cura-se o corpo físico, pois eventual sucesso do procedimento transfere-se automaticamente ao corpo somático.

► — Esse exame do perispírito é feito com auxílio de aparelhagem que não tem correspondência na Terra. Ela possibilita diversos exames, como verificar onde se localiza a moléstia, quais são as células enfermas, qual é a natureza dos fluidos que as envolvem, que centros de força foram atingidos, que tipo de fluidos são apropriados para o tratamento e assim por diante.

► — Desse modo, chegamos ao diagnóstico e decidimos como alcançar a cura — se possível — ou como minorar a dor ou, ainda, como preparar o enfermo para eventual desencarne, visto que o corpo espiritual é o corpo com que se vive no Além!

► — Tomada a decisão pela intervenção, forma-se uma equipe cirúrgica —  integrada por médicos especializados na enfermidade a ser tratada — a qual se utiliza especialmente de fluidos espirituais, passes magnéticos e manipulação de ectoplasma, seja para materializar equipamentos cirúrgicos específicos para aquele caso, seja para desintegrar nódulos e tumores, e outras aplicações mais.

► — E são ainda utilizados outros meios espirituais desconhecidos da medicina terrena para, por exemplos, desobstruir campos de energia, apagar marcas energéticas do passado, onde a rigor estão as matrizes das doenças, e refazer ligações energéticas do corpo espiritual sob tratamento.

► — Note-se, ao final, que o ectoplasma —  ou raios ectoplasmáticos — cujo papel é fundamental nessas cirurgias — é colhido de diversas fontes: do plano espiritual, de médiuns e de formas vivas da natureza. 


Imagem ilustrativa. Cirurgia espiritual. Equipe Bezerra de Menezes

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(*) Sobre esse ponto, (re)leia o tópico 2 - DOENÇAS DO CORPO E DA ALMA, na parte 2 deste trabalho.


Relatos de curas

Um deles, quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz.
Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradeceu. Este era samaritano.
Jesus perguntou: "Não foram purificados todos os dez? Onde estão os outros nove?"

JESUS. Lucas 17:15-17


Muitas das pessoas atendidas e saradas voltavam, agradeciam e divulgavam que a cura fora obtida do médico espiritual Bezerra de Menezes, por meio de Mathilde Guilhera. E isso fazia com que mais gente acorresse à Seara.

Não só presencialmente, pois chegavam cartas de várias partes do País com pedidos de consulta ou orientação, algumas delas contendo doação em dinheiro ou cheques. Toda semana a caixa postal da Seara ficava repleta de cartas.

E há centenas e centenas de casos de cura obtidos através da mediunidade de Mathilde, incorporando o Espírito Bezerra de Menezes, e pessoas mais antigas da comunidade lambariense costumam contar muitas dessas ocorrências.

Nos depoimentos colhidos por Lourdes Bernadete Sampaio (Sampaio, 2016) são mencionados alguns casos e assim também ocorre nos dias de hoje com pessoas que frequentam ou visitam o Lar ou a Seara: relatam que parentes, amigos ou conhecidos foram curados pela ação benfazeja de Bezerra de Menezes, por meio dos dons de Dona Mathilde.

Podemos citar casos colhidos por este autor.

Vejamos:

►A. L. S. R e G. R. S. foram tratadas e curadas com indicações homeopáticas, sendo que a segunda retirou pedras na vesícula por meio de cirurgia espiritual.

►A filha de G. P. D. durante 3 meses não conseguia dormir. Levada à casa de Dona Mathilde um espírito perturbador foi doutrinado e o problema resolvido. Essa cura fez a mãe da criança se interessar pelo Espiritismo e desenvolver sua mediunidade.

 

►M. F. L., uma menina de 6 anos, com intensa dor na coluna, foi levada à Dona Mathilde pela mãe, na Volta do Ó, para tomar passe e buscar água fluida. Havia muitas pessoas no recinto, mas a médium chamou a menina em primeiro lugar, orou, aplicou-lhe passes e deu-lhe água fluidificada. A garotinha saiu andando, sem dores e nunca mais teve problemas na coluna.

 

►D. G. P. vivia às voltas com problemas nas articulações, principalmente num dos joelhos. Dona Mathilde a atendeu em domicílio, acompanhada de dois ajudantes (Darci Pereira e Vicente Cândido, o Candinho). A jovem ficou curada.

 

►E. C. M. , policial federal aposentado, deixou o Rio de Janeiro, alugou um apartamento em Lambari e se mudou para cá com os filhos. Há anos sofria de uma úlcera, à qual nenhum médico dava conserto. Em Lambari, ficou sabendo das curas d. Mathilde, mas não quis procurá-la. 
No entanto, seu irmão J. C. M, que residia no Rio de Janeiro, lá ouviu amigos comentarem sobre essa médium de Lambari. E insistiu para o que E. C. M. a procurasse, visto que ele estava residindo em Lambari e não custava nada fazer uma consulta à médium.
E. C. M. foi, passou por uma cirurgia espiritual, e ficou bom. Veio a falecer muitos anos depois de outra causa, pois sua úlcera nunca mais lhe deu problema.

 

►A menina L., recém-nascida, filha do casal G. e N., não conseguia dormir e isso já durava mais de 3 meses. Consultada, Dona Mathilde disse: — Leve sua esposa até minha casa.
Por esse tempo, N. era católica praticante, mas foi conhecer a médium. Conversaram e Dona Mathilde disse: — N., você possui dons mediúnicos e vai dar passagem a um espírito agora!
E assim foi. Incorporou-se na assustada N. o espírito de um africano, que se identificou e contou sua história. 
Disse que não queria prejudicar a menina, pelo contrário, viera agradecer e ajudar. Relatou que em vida passada a menina L. fora filha de um rico fazendeiro, que possuía centenas de escravos. Ele era um desses escravos. Quando ficou velho e doente, o fazendeiro mandou que fosse embora, e ele, sem nenhum recurso, alojou-se numa choça na mata próxima da fazenda. E a menina, tomada de pena pelo escravizado, às escondidas levava-lhe alimento, durante muito tempo, até sua desencarnação.
Assim que se recuperou de doloroso transe para a vida espiritual, andou à procura da menina, para demonstrar seu apreço e gratidão. E durante anos não a encontrou, até que descobriu que ela se reencarnara em Lambari, como filha do casal G. e N. E se aproximou da menina. 
Mas essa aproximação a perturbava e fazia que chorasse sem parar. Ele agora, ao passar pela médium, entendera que não estava pronto para ajudar e prometeu afastar-se e procurar evoluir. E fez uma promessa: — Quando E. tiver 15 anos, voltarei e serei seu Preto-Velho protetor! 
E assim foi que a menina E. ganhou um protetor e sua mãe desenvolveu a mediunidade.

 

►V. F. residia e exercia sua profissão no Rio de Janeiro e, ocasionalmente, acompanhava seus pais, que eram espíritas, em suas visitas frequentes à Seara e ao Lar, em Lambari.

Era o final de 1977, V. F. era casada e mãe de um casal de filhos, sendo a mais nova com 2 anos. Nessa época, ela estava se sentindo muito mal, com uma hemorragia persistente, dores e fadiga, a ponto de ter dificuldade para subir uma pequena rua inclinada no caminho do seu trabalho.

Seus pais tinham ido a Lambari e voltaram apressadamente no dia seguinte, dizendo — Filha, venha agora para casa. Amanhã bem cedo você vai para Minas, falar com d. Mathilde!

Mas V. retrucou— Mas papai, não posso ir! Faz uma semana que o A. (o marido) começou em novo emprego, não tem como pedir licença!
Porém, tudo se resolveu. A. conseguiu se afastar do trabalho por uma semana, e a família veio rapidamente para Lambari, a tempo de participar de uma sessão de curas que aconteceria naquela semana.

V. passou muito mal durante a viagem, sofrendo de hemorragia constante, sem conseguir urinar ou evacuar, além de dores e cansaço constantes.

Assim que chegou foi levada à presença de D. Mathilde, que estava no salão de curas, sentada e “balançando os pés” — um hábito que indicava que ela estava incorporada por Bezerra de Menezes.

Imediatamente V. foi conduzida à maca atrás do biombo e orientados por Mathilde/Bezerra dois médiuns espalmaram as mãos sobre seu abdômen, pois se tratava de uma cirurgia de emergência, visto a hemorragia não cessar.

V., ainda consciente, sentiu um “corte” na barriga e, antes de desmaiar, ouviu Bezerra dar uma ordem em voz alta para a equipe espiritual: — Doar sangue! Fazer doação de sangue!

Era um câncer no útero, já em estágio avançado!

V. adormeceu e sonhou que via uma menina chamando pela mãe: — Mãe! Mãe! Mãe! — porém, não conseguia localizá-la!

Ao acordar, ainda estava se sentindo muito mal. Tremia, vomitava, não conseguia sentar-se! Bezerra pediu concentração e preces ao grupo de médiuns e orientou a preparação de um remédio homeopático, que lhe foi ministrado. 

Bezerra então falou — Você precisa fazer xixi e cocô! Esforce-se! — mas V. não conseguiu.

Quando se sentiu melhor, foi levada de carro ao Palace Hotel, para recuperar-se. Mas não estava bem ainda e não conseguia urinar e evacuar. Sua mãe insistia, e nada! Ela continuou passando mal.

Quando contatada, d. Mathilde lhe enviou uma infusão de passiflora, que ela consumiu, sentiu-se aliviada e, finalmente, conseguiu eliminar a urina e as fezes que estavam retidas há dias.

Dias depois, na véspera de Natal, voltou ao Rio de Janeiro, porém ainda não se sentia muito bem. D. Mathilde mandou que se tomasse salsaparrilha. Manteve-se em repouso e seguindo uma dieta rigorosa até que, algum tempo depois, lhe apareceu o Espírito André Luiz. E ela o descreveu assim:

— Ele era alto, magro, cabelo castanho, usava um jaleco branco que levemente se inclinava ao azul clarinho...

De fato, V. soube depois que Bezerra de Menezes havia designado uma equipe de especialistas para atendê-la naquela emergência, entre eles os médicos André Luiz e Miguel Couto, tendo como enfermeiras a Irmã Cláudia e a Irmã Scheila.

Quando V. melhorou, seu pai quis confirmar que ela estava realmente curada e a levou ao médico, que realizou uma ultrassonografia (um exame inovador naqueles anos). O exame revelou a presença de vários cortes na região do útero. E o médico disse:

— Bem, não parecem cicatrizes das cesarianas pelas quais você passou. Aquelas já se foram, e estas parecem ser novas!

Pois é, doutor! — afirmou V. — Eu passei por uma cirurgia espiritual!

Hoje, com 73 anos, V. F. nos deu esse depoimento, informando ter sido curada pelas mãos de Mathilde e seus guias espirituais.


Ilustração. Mathilde concentrada, tendo ao fundo o grupo de médiuns e o Espírito Bezerra de Menezes

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O LAR TERESA CRISTINA

A caridade e o cuidado das crianças tem sido a causa que abracei após meu desenlace. Por isso estou aqui! Minha missão e a tua será a construção de um orfanato, para cuidar de meninas desamparadas, sem pais, sem família, sem arrimo! (...) Segues estudando e educando

tua mediunidade. Em momento oportuno, voltarei e te direi onde vamos juntas construir um lar de meninas!

TERESA CRISTINA, falando à jovenzinha MATHILDE de sua missão


Teresa Cristina indica o local da construção

Aprontada a casa de Lambari, Mathilde aqui se estabeleceu e acentuou ainda mais seus trabalhos de cura. 

Certa tarde, por volta do final da década de 1960, caminhando pela Volta do Ó, o Espírito de Teresa Cristina a conduziu para uma área de terreno nas proximidades e lhe disse:

— É neste local, minha boa Mathilde, que vamos construir nosso lar de meninas!

— Esta é uma área abençoada, pois aqui, tempos e tempos atrás, deu-se uma "queimada" que devorou tudo o que encontrou pela frente, à exceção de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, que foi descoberta posteriormente intacta, conquanto fosse talhada em madeira! (*)

— Esses terrenos também um dia formarão uma Vila, e nesta vila haverá uma igreja dedicada à Nossa Senhora da Conceição Aparecida! E tu sabes de minha Fé com a Virgem Santíssima! (**)

Teve início, então, a grande batalha da construção nos terrenos que o casal Mathilde/Antônio Duarte Moreira comprou numa área recém-desmembrada do antigo sítio da Família Campos, que deu origem ao bairro Vila Campos.


►(*) V. Origens da Igrejinha de N. S. da Conceição Aparecida (1) A descoberta da imagem - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=54028

►(**) V. Origens da Igrejinha de N. S. da Conceição Aparecida (3) A nova igreja - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=54738


Localização da Casa da Volta do Ó, do Lar Teresa Cristina e da Seara Bezerra de Menezes.

A primitiva rua Antônio Cândido de Souza atualmente se chama Mathilde Guilhera Moreira, em homenagem à fundadora das entidades citadas (Fonte: GoogleMaps)

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A luta para realizar a obra

Mathilde, então, iniciou campanha de arrecadação de fundos, com vista à construção do lar das meninas. 

Claro, ela nada cobrava pelos atendimentos que fazia, mas muita alma caridosa e agradecida contribuiu para a edificação do orfanato, como também autoridades municipais e pessoas da sociedade, do comércio e indústria locais e das atividades rurais.

O orfanato, que tomou o nome de sua inspiradora: LAR TERESA CRISTINA, foi inaugurado em 8 de dezembro 1967.


 

Lar Teresa Cristina. Inauguração (8/12/1967) (Fonte: Correio da Manhã, RJ)


Programa de inauguração do LAR TERESA CRISTINA - 8/dez/1967


Para a inauguração, foram convidados os sócios, autoridades municipais e o povo em geral. 

A festa foi abrilhantada pela Banda de Música PAULO DE TARSO, sob a regência do maestro Aquino Costa Japiassú.

Vieram também convidados do Rio de Janeiro, entre eles Geraldo de Aquino e a Caravana Cristã da Guanabara.

Aquino, grande lidador do espiritismo e fundador da Rádio Rio de Janeiro, emissora espírita, foi o orador oficial da cerimônia.

Falou também o prefeito municipal Jairo Ferreira, e coube a ele cortar a fita simbólica do evento.

O Cônego José Ramos Leal oficiou a bênção das instalações do Edifício Sede do LAR TERESA CRISTINA.

Ao final, foi oferecido a todos os presentes um lanche, realizado no salão de cerimônias da instituição.


Fora longa a luta de Mathilde, visto que alguns não viam com bons olhos suas atividades espíritas. Mas grande maioria da comunidade deu apoio e colaborou com a obra — e o preconceito logo se dobrou à vista das ações caridosas da médium, que durante anos assistiu, educou e criou meninas desamparadas: o orfanato iniciou com oito crianças, logo chegou a 20 e tempos depois alcançou a lotação máxima: 36 meninas! — que receberam carinhoso acolhimento, dedicação e amor!

De qualquer modo, a constante carência de recursos fez a obra seguir em ritmo lento. Mathilde trouxe pedreiros e serventes do Rio de Janeiro, além de contratar outros locais, e servia-lhes ela própria o almoço, e, toda tarde, ajudava na feitura do concreto, carregando latas de britas e areia. Queria ser o exemplo, queria deixar seu suor na obra de Teresa Cristina.

Ainda assim a obra acabou sendo descontinuada diversas vezes, ocasionando um atraso de mais de 5 anos do plano inicial.

Num esforço final, Mathilde intensificou os pedidos à comunidade local, buscou donativos no Rio de Janeiro e em cidades vizinhas, conseguiu verbas junto ao Governo Federal, até que pudesse, enfim, realizar a missão que lhe dera Teresa Cristina.

Dentre as muitas mãos caridosas que apoiaram financeiramente a obra, Mathilde registrou as de: Nelson Ribeiro da Silva, Francelísio Leal, Antônio Monteiro Marques Portugal, Lydia de Souza, Consuelo Raposo, Paulo Pereira, além de seu filho Carlos Alberto Guilhera Moreira e o marido Antônio Duarte Moreira. (Correio da Manhã, 1967)


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Dificuldades no funcionamento e manutenção

Mas as dificuldades não cessaram aí, pois será enorme sua luta para manter a instituição funcionando...

Na verdade, muitas pessoas de boa vontade, que confiavam no caráter de Mathilde, colaboravam para manutenção do Lar, com doações em dinheiro, entre eles o hoteleiro José Simes. Alguns outros regularmente mandavam alimentos, como Dona Mariazinha, por exemplo, que enviava comida pronta da cozinha do Palace Hotel. Pastéis fritos e frango assado eram os preferidos das meninas!

Mas o que de fato deixava a criançada alvoroçada e feliz eram as guloseimas trazidas por Antônio Moreira, quando este vinha do Rio de Janeiro visitar a esposa.

E assim também a Paróquia local, durante bom tempo, destinou parte da renda obtida nas festas da padroeira para o orfanato.


Verbas do Governo de Minas conseguidas em 1969


Muitas vezes, Mathilde saía pelos bairros da cidade a pedir donativos e, nas manhãs geladas do Sul de Minas, usava por baixo da saia uma calça comprida, costume que divertia os que passavam. E quando os recursos escasseavam, a ponto de faltar para a alimentação das internas, ela tomava duas meninas pelas mãos, vestia um casaco branco, com dois enormes bolsos, e saía pela cidade pedindo donativos — e voltava com os bolsos cheios para a despesa da semana.

No início, como era pequeno o número das internas, havia uma caseira — D. Maria — que cuidava das meninas. E também um jardineiro — Teófilo Prazeres — que zelava pela horta e jardins.
Como dona Mathilde ajudara muita gente, sempre havia pessoas agradecidas — como os parentes do menino F. A. S — que vinham semanalmente da zona rural trazendo legumes, hortaliças e frutas para as crianças.
Por essa época, Mathilde dormia no orfanato, mas continuou residindo na Volta do Ó. Mais à frente, ela se mudaria definitivamente para o Lar.


As cartas

Tarde da noite, fatigada pela trabalheira de uma semana especialmente difícil — caixa vazio, contas vencidas, salários a pagar —, Mathilde recolhida em seu leito ora tentava dormir, ora tentava rezar, mas não conseguia nem uma coisa nem outra... Quase em desespero, falou em voz alta:

— Oh, Deus meu! O que faço? Onde busco forças? De que fonte conseguirei os recursos que nos faltam? — e passou o lenço pelo rosto molhado de lágrimas, suspirou profundamente, tentou orar novamente...

De súbito, Teresa Cristina lhe aparece:

— Filha, não te desesperes! Há tantas crianças que precisam de ti! Elas chegaram a esta casa guiadas por nós e vamos ajudar-te!

Confusa, indormida, sentiu-se tonta. — Como? O que mais posso fazer, senhora! Minhas energias se vão mais pelas dificuldades financeiras do que pelo dia a dia do orfanato!

— Sabemos disso, filha! Por isso estamos aqui. Levanta-se, vai até a escrivaninha!

Mesmo sem entender direito a ordem da Imperatriz, descobriu-se, sentou-se, acendeu o abajur, calçou as sandálias e obedeceu.

— Abre a gaveta! — disse Teresa Cristina.

Mathilde obedeceu novamente — e um mundo de cartas como que saltaram e se esparramaram pelo chão do quarto.

— Vamos respondê-las juntas, Mathilde!

Mais trabalho! — pensou — A essa hora e eu mal podendo ficar em pé...

Mas sentiu que alguém tomava sua mão e ia respondendo cada uma das cartas. Eram pedidos de orientação, de mensagens do além, de receitas de remédios, de vibrações e curas a distância e outros tantos pedidos inusitados.

Rompia a madrugada quando Mathilde dormitou sobre mais de uma centena de cartas respondidas.

— Pela manhã, faze os envelopes e põe sem falta no Correio! E reserva 2 noites por semana para respondermos às cartinhas que chegarem.

E a cada semana a caixa postal do Lar Teresa Cristina atulhava-se de envelopes, muitos contendo doações em dinheiro — que boas almas agradecidas enviavam — e muitos outros com pedidos de orientação e ajuda!

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Mais gente para ajudar

Mas o número de meninas só foi aumentando, havia voluntárias auxiliando algumas horas por dia, e foi preciso encontrar quem se dispusesse a morar na instituição. Assim foi que o casal Geni Rosa dos Santos e José Antônio dos Santos — esse tratado por Zé da Geni — foi apresentado a Dona Mathilde pelo Wílson, proprietário do Laticínios Belloni, que era voluntário nos trabalhos de cura da médium.

Geni e José chegaram ao Lar no início de 1971, estando ela grávida da primeira filha, que viria a nascer em outubro daquele ano.
Nessa época, o orfanato abrigava cerca de 40 meninas e Mathilde procurava dar-lhes carinho e compreensão, mas muitas vezes tinha de agir com energia para que obedecessem e seguissem normas a que não estavam acostumadas, pois que muitas eram crianças deseducadas e carentes, provenientes de lares desfeitos, miseráveis, nos quais faltava tudo.
Foi esse o quadro que Geni e José se dispuseram a enfrentar, de 5h da manhã às 10h da noite, numa faina diária de fazer refeições, dar banhos, lavar e passar roupas, entre outras atividades.
Além disso, olhavam as crianças e levavam ao grupo escolar as menores que estudavam fora. Cerca de 15 meninas, entre as maiores, iam e voltavam sozinhas do Grupo João Bráulio.
Na hora dos banhos, com a água quente das serpentinas dos fogões a lenha, Geni se desdobrava ensaboando, esfregando e Quando nasceu a primeira filha, dona Mathilde e seu marido quiseram que ela se chamasse Teresa Cristina, mas os pais já haviam escolhido o nome: Rosana. Entraram em acordo e a menina foi registrada como Rosana Cristina. Por esse tempo, um pouco mais à frente, veio Viviane, a segunda filha do casal.
Rosana e sua irmã cresceram no Lar, convivendo com as demais meninas. E naquele tempo, muitas pessoas frequentavam o Lar, quer para visitas, quer para fazer doações, quer para conhecer a obra. Entre eles, casais que queriam adotar alguma criança. Deu-se que um casal se encantou com a garotinha Rosana, sem saber quem ela era, e queria adotá-la. D. Geni abraçou a criança e respondeu: — Esta não! Esta é minha filhinha!
As filhas de Geni e José também brincavam com uma neta de Mathilde, chamada Teresa Cristina. E certa feita a menina enrabichou por uma cachorrinha pertencente a Rosana, que atendia por Cadela. E tanto fizeram os pais da menina que convenceram Rosana a dar a cadelinha para Teresa Cristina. E lá se foi a Cadela para o Rio de Janeiro, mas, infelizmente, tempos depois, acabou atropelada e morreu...

O casal morou por 2 anos numa casinha existente nos fundos do orfanato. Dois anos depois, mudaram para uma casa nas vizinhanças. Passados 9 anos, em 1980, deixaram Lar e foram trabalhar de caseiros em uma residência na cidade.

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Atividades das crianças

As crianças recebiam educação escolar básica no orfanato e aprendiam artes manuais com Dona Mathilde: cestas, colchas de retalhos, pinturas, que eram expostas e vendidas ao público, outra forma de arrecadar dinheiro para manutenção da instituição.

Era comum crianças da redondeza frequentarem o orfanato — entre eles o menino F. A. S, já referido — e o coração generoso de Mathilde as acolhia também. Juntamente com as internas, se alimentavam, assistiam às aulas, faziam artesanato, ouviam histórias, viam TV, comiam pipocas — e brincavam!

Havia também um charreteiro: José Borges Ribeiro — que juntamente com sua mulher Ana Luzia — prestava ajuda ao orfanato e muitas vezes socorria emergências das crianças.

Conquanto mantivesse a rotina de trabalhos mediúnicos, ainda assim Mathilde conseguia tempo e energia e saía a passear com as crianças pela cidade, fosse no Parque das Águas, no Parque Novo, na Volta do Lago — e aqui, muitas vezes, tomavam o Trenzinho da Alegria para completar o circuito.

Dava gosto de ver aquele bando de crianças educadas, alegres, bem vestidas, e a população podia observar os frutos do trabalho daquela mulher simpática, fervorosa, generosa que se doava para dar vida a um grande número de filhas que não gerara, mas amava profundamente.

E nos dias de hoje, muitas dessas meninas continuam por aqui, outras se foram, grande número delas estão casadas, formaram um lar, tiveram filhos e se recordam com carinho e gratidão da “mãe” que um dia as acolheu.

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Uns colaboram, outros dificultam

É de se mencionar também que muitas pessoas visitavam o Lar para oferecer ajuda, ler ou brincar com as crianças. E assim também prestadores de serviços — pedreiros, pintores e outros — apareciam nos finais de semana para consertar coisas, pintar paredes ou dar manutenção elétrica e hidráulica.

E bem assim Mathilde contou todo o tempo com a ajuda destas pessoas oriundas do Rio de Janeiro: Domingos Viera; Dona Gioconda dos Reis Figueiredo e seu esposo Gaspar; e Manuel Vicente Fernandes e sua esposa Maria Emília. Ela, Gioconda, uma professora aposentada; ele, Manuel, um comerciante, que tivera um parente curado de câncer pela mediunidade de D. Mathilde.


      

Gioconda, Manuel e Maria Emília


O casal Manuel e Maria Emília morava no Rio de Janeiro, mas vinha com frequência a Lambari, onde possuíam apartamento. Em épocas de festas e de Natal, Maria Emília saía a enfeitar o orfanato com cortinas coloridas, com colchas de retalhos, com almofadas de toda espécie. Aliás, há no jardim de entrada do Lar uma plaquinha em homenagem a Dona Maria Emília Jorge Fernandes, ela que tanto cuidava das meninas, como das flores da instituição. 



Mas, por outro lado, houve problemas também na administração do Lar.
Em um internato de meninas de diferentes idades, a maioria proveniente de lares desajustados, a desobediência, a violação de regras, os conflitos, o desaparecimento de objetos e pertences, além das brigas e disputas entre as mais velhas e as mais novas, eram comuns. Para lidar com esses desafios, Mathilde e os demais gestores precisaram de muita firmeza.
Ocorrências como essas levaram a que, no 21 de setembro de 1975, conforme ata 04/1975 (MEMORIAL, Ata 04/1975), fosse discutida em reunião das diretorias uma reclamação acerca de mau funcionamento da entidade. 

Em síntese, dizia-se que a finalidade do LAR TERESA CRISTINA quando foi criado em 8 de dezembro de 1967 era “dar habitação, amparo, educar, instruir e encaminhar à luz do Evangelho de Jesus Cristo suas alunas, em condições de trabalhar por uma vida honesta e laboriosa” – e que tal objetivo, por vários motivos, não vinha sendo alcançado satisfatoriamente, problema que persistia desde 1973, quando a diretoria do Lar teria sido notificada por autoridades competentes de certas irregularidades formais.
Os problemas apontados eram de ordem administrativa (espaços físicos mal utilizados, falta de salas separadas para certas atividades, falta de armários individuais, regime de educação e instrução das internas etc.), os quais foram discutidos e decisões foram tomadas para corrigir as inadequações, que haviam sido apontadas por um diretor, que acabou por se afastar.

E também, em que pese a todo o esforço e cuidados com as internas, certa vez Dona Mathilde foi chamada à Promotoria de Justiça, sob acusação de estar maltratando as crianças, que gritavam e choravam à noite. Duas testemunhas pusilânimes e mentirosas sustentaram a versão da denunciante. Conduzidas pelo advogado José Astério, que orientava gratuitamente a direção do Lar, testemunhas ilibadas, que de fato conheciam a rotina do internato, entre elas Teresa Vercesi, depuseram a favor de Dona Mathilde. E o inquérito foi arquivado.

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ADOECIMENTO E DESENCARNE DE MATHILDE

A fé no futuro, a elevação do pensamento, durante a vida, para os destinos vindouros, favorecem e aceleram o desligamento do Espírito, por enfraquecerem os laços que o prendem ao corpo, tanto que, frequentemente, a vida corpórea ainda se não extinguiu de todo, e a alma, impaciente, já alçou o voo para a imensidade.

ALLAN KARDEC. O Evangelho segundo o Espiritismo. Coletânea de preces espíritas


Afastamento das atividades - 1986

Em 1986, perto de completar 90 anos, Mathilde adoece e se afasta das lidas no LAR e na SEARA.

Acometida por tenaz pneumonia foi internada e reinternada diversas vezes.

Por essa época, após recidiva da doença, deixou seu quartinho no LAR e mudou-se para a casa da VOLTA DO Ó, sendo cuidada pelo filho, por amigos e pelos caseiros Vítor Pereira dos Santos e sua esposa Terezinha Fernandes de Souza.

Ela não voltaria mais ao LAR nem à SEARA — sua jornada terrena estava próxima do fim.

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Na Casa de Maria - 1989

Em meados de 1989, com mais de 90 anos, apareceu-lhe dor no peito, dificuldade para respirar, fraqueza em um lado do corpo. Foi diagnosticada a causa: enrijecimento das artérias - arteriosclerose.

Continuou sendo assistida em Lambari, na casa da VOLTA DO Ó. Mas, pouco tempo depois, ocorreu a desencarnação do seu filho, e ficou muito difícil cuidar de Mathilde em Lambari.

Assim, diretores do LAR e alguns amigos decidiram pela internação na CASA DE MARIA, um asilo e casa de idosos, ligada ao Centro Espírita Allan Kardec, em São Lourenço, MG.

Lá foi muito bem acolhida, permanecendo internada alguns meses.

Os diretores do LAR, muitos amigos e pessoas que foram curadas por sua mediunidade a visitavam regularmente.

MATHILDE GUILHERA MOREIRA desencarnou na CASA DE MARIA, em São Lourenço, MG, no dia 10 de dezembro de 1990, uma segunda-feira, pela manhã.


Imagem ilustrativa. Casa de Maria, São Lourenço, MG

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Velório - 1990

O corpo de Dona Mathilde foi velado no salão da SEARA no dia 10 de dezembro de 1990 (de tarde/noite) e no dia 11 de dezembro de 1990 (pela manhã).

Nesse mesmo dia 11 de dezembro de 1990 seu corpo foi enterrado no Cemitério Municipal de Lambari.


Imagem ilustrativa. Velório de Dona Mathilde Guilhera no salão da SEARA


Imagem ilustrativa. Túmulo de Dona Mathilde Guilhera Moreira no Cemitério de Lambari

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O LAR E A SEARA APÓS A PARTIDA DE MATHILDE

Destino da Seara

Em 1986 quando Mathilde adoeceu as atividades do Lar  e da Seara foram encerradas.

No início dos anos 1990, a Seara reiniciou atividades e algum tempo depois ocorreram sessões de cura, tendo Dona Gioconda Figueiredo atuando como médium da Equipe do Espírito André Luiz.

Mais à frente, Dona Gioconda veio a falecer, e a instituição prosseguiu sob nova direção e orientação.

No início dos anos 2000, a casa encerrou seus trabalhos.

Em 19 de janeiro de 2007, a Seara retomaria suas atividades, tendo à frente o casal Renata Fernandes e Adão Juarez.


No tempo em que Dona Gioconda atuava como médium de curas, sob orientação da Equipe do Espírito André Luiz, muitas pessoas obtiveram o merecimento de serem saradas de males físicos e espirituais. Mas um caso merece ser contado.

Dona G. M., uma senhora viúva, há muitos anos crochetava com esmero, quando lhe surgiu um problema no osso escafóide da mão! — Ah, sem as mãos, o que faz uma veterana crocheteira?

Tratada por experiente e competente médico ortopedista de São Lourenço, a senhora entristeceu-se grandemente quando lhe foi anunciado que não havia mais recursos médicos que pudessem ajudá-la.

E ela então resolveu conversar com o filho caçula, que frequentava os trabalhos de cura de Dona Gioconda e já lhe falara muitas vezes para buscar ajuda na Seara. Mas ela resistia, à vista de sua crença católica.

E assim, diante de um quadro médico sem esperança, resolveu se tratar na Seara e perguntou ao filho — Eu tenho que ir lá? 

E deu-se que no sábado seguinte, acompanhada do filho, ela foi à Seara. Nesse dia, ocorria uma reunião semelhante ao procedimento ao tempo de Dona Mathilde: — Prece de Bezerra de Menezes, hino Quanta Luz e passes nas pessoas necessitadas. Durante os passes, Dona Gioconda selecionava as pessoas que seriam submetidas a cirurgia espiritual, que acontecia na terça-feira.

Assim, logo no domingo pela manhã Dona G. M. foi se confessar, relatando ao padre o mal que acometera suas mãos, que fora tomar passe numa casa espírita e que teria de voltar na terça-feira seguinte. O bom padre compreendeu bem o dilema espiritual da boa católica, perdoou-a da falta venial e disse: — Sim, volte para concluir o tratamento! 

Na terça-feira Dona G. M. foi operada por André Luiz/Gioconda, numa cirurgia espiritual sem cortes.

Poucos dias depois voltava a crochetar!


Este outro caso também é muito interessante:
F. A. S. e seu irmão M. compunham o quadro de médiuns da Seara, por essa época de dona Gioconda.
Ele fizera uma endoscopia e foi diagnosticado com uma grave úlcera, e ficou na dúvida se operava ou não, pois tinha medo da cirurgia
— tanto a dos médicos da Terra quanto da dos médicos do Espaço. 
Na semana seguinte, dia de sessão de cura, Dona Gioconda lhe disse:
— Prepare-se! Os espíritos disseram que seu caso é grave, mas vão curá-lo. Você terá que ficar uma semana de repouso, num regime sem sal. O repouso começa hoje, você vai para casa de carro.
F. obedeceu. Pediu licença na Prefeitura, onde trabalhava, e seguiu à risca o regime e na semana seguinte foi ao centro de carro.

Ele já conhecia a rotina das cirurgias, então, deitou-se na maca, Dona Gioconda incorporada puxou um lençol branco sobre sua cabeça e ele “apagou” completamente. O lençol sinalizou que lhe deram anestesia geral.
Outra semana de repouso e regime – ficou completamente curado e até os dias de hoje nada mais teve no estômago. Mas ele confessa: 
— Não vi nada! Só sei que me “cortaram por dentro!”

 

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Destino do Lar

Como dissemos, com a doença de Dona Mathilde, o LAR TERESA CRISTINA encerrou suas atividades e a direção da instituição continuou sob a responsabilidade de Gioconda Figueiredo e Manuel Vicente Fernandes, antigos e dedicados companheiros de Mathilde na administração e manutenção do Lar.

Desse modo, o prédio do Lar permaneceu fechado e sem nenhuma atividade até pouco antes do desencarne de Dona Mathilde, em dezembro de 1990.

Os casais Gioconda/Gaspar e Manuel/Maria Emília, por essa época, eram vizinhos no Condomínio Grande Hotel, no centro da cidade, onde possuíam apartamentos.

Ali nas proximidades do Grande Hotel, reunia-se num apertado cômodo da casa de José Carlos de Alcântara a Loja Maçônica Fraternidade e Esperança de Lambari, que à época — setembro de 1990 — estava à procura de um lugar para se instalar.

Logo, sabendo da situação do edifício do LAR TERESA CRISTINA, membros da Loja Maçônica fizeram um primeiro contato com os administradores da instituição, levando a proposta de ocupar a cobertura do imóvel — que sempre fora um espaço sem uso — e reabrir o Lar —  atendendo com isso à função filantrópica da Loja.

Mas não houve acordo, permanecendo a direção do Lar, especialmente Dona Gioconda, irredutível diante da proposta.

Novos encontros, novas discussões — e a negociação não chegava a termo.

Deu-se, então, que o dr. José Sgarbi Astério, que sempre atendera gratuitamente demandas judiciais do Lar, aconselhou os diretores da instituição a aceitarem a proposta, pois tinham a garantia de reabertura das atividades e a segurança de estar entregando o Lar a um grupo de pessoas responsáveis, todas conhecidas da sociedade lambariense. 

E mais: tratava-se de um prédio com mais de 1.000 m2 que chamava a atenção por estar fechado e sem uso — e estando o imóvel ocupado e com atividades caritativas não haveria eventuais riscos de desapropriação, intervenção ou coisas do gênero, como ocorrera em certa gestão municipal.

E os termos da cessão continuaram sendo minuciosamente discutidos.

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O Lar Teresa Cristina retoma suas atividades (1991)

Por essa época, faziam parte da Loja Maçônica entre outros, os seguintes: Antônio Moraes, Reinaldo Moraes, Antônio Moraes, Reinaldo Moraes, José Wadih Bacha, Eduardo Martins,  Domingos Enéas, Luiz Antônio Noronha.

Com as negociações ainda em andamento, deram-se os seguintes fatos, em sequência:

— No dia 9 de dezembro de 1990, o sr. Manuel e sua esposa Maria Emília fizeram um churrasco de confraternização, na sede do Lar, convidando membros da Loja Maçônica e toda a diretoria do Lar Teresa Cristina. Esse evento teve o caráter de firmar o texto final do acordo de cessão do Lar.

— No dia 10 de dezembro de 1990, faleceu Dona Mathilde, em São Lourenço, na Casa de Maria.

— No dia 11 de dezembro de 1990, deu-se o enterro da veneranda médium.

— No dia 12 de dezembro de 1990, três crianças são admitidas no Lar. V. e J. e J., essas duas, irmãs gêmeas, dando início a uma nova fase do Lar Teresa Cristina!

De fato, Antônio Moraes e o dr. Hélio Walter de Araújo (então, Promotor de Justiça de Lambari), há tempos estavam, sem sucesso, à procura de crianças que pudessem ser adotadas para reabrirem a instituição. E naquele dia 12 de dezembro de 1990 o "milagre" aconteceu!

Reaberta na data acima, ocorreram mudanças no estatuto do Lar Teresa Cristina, seja pela retirada do nome da falecida Mathilde Guilhera, seja pela inclusão de nomes indicados pela Loja Maçônica, e em alguns cargos principais foram mantidas pessoas da gestão anterior, como Gioconda Reis Figueiredo e Manuel Vicente Fernandes.

E assim, gerida pelos novos administradores, a instituição foi aumentando gradualmente o número de crianças assistidas.

Tempos depois, por insistência de Dona Gioconda e Seu Manuel, que envelhecidos temiam pelo futuro da instituição, o imóvel que abrigava o Lar Teresa Cristina foi passado à Associação Maçônica Fraternidade e Esperança de Lambari, entidade formada pelos mesmos membros da Loja, mas com outra finalidade estatutária, com o compromisso de serem mantidos os objetivos com que fora criado o Lar: assistir crianças necessitadas!

No final da década de 1990, faleceu no Rio de Janeiro Dona Maria Emília, esposa de Manuel Fernandes, e o valoroso benfeitor, viúvo, idoso e cansado, não pôde mais vir a Lambari. Em dezembro de 2009, faleceu Dona Gioconda Figueiredo.

Nos anos seguintes, membros da Loja, atuando na diretoria do Lar, continuaram gerindo a instituição. 

Das 3 meninas iniciais, a entidade chegou a cuidar de 33 crianças, a máxima lotação. Nessa época — de 1991 a 2012 — sua manutenção foi garantida por recursos da Loja Maçônica, doações de particulares e empresas e realização de chás e almoços beneficentes.

Na década de 2010, o número de crianças assistidas foi diminuindo, havia dificuldades em cumprir a rigorosa legislação pertinente, e o Lar acabaria por encerrar as atividades em definitivo em 2012.

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Atividades do Lar e da Seara nos dias atuais

A seara hoje

Como dito acima, com o casal Renata Fernandes e Adão Juarez à frente, em 19 de janeiro de 2007, depois de um período de portas cerradas, a Seara reiniciou suas atividades. Inicialmente com estudo em grupo, e em 12 de setembro de 2007, retomando atividades comuns ao centro espírita: palestras, passes, evangelização.

Atualmente dirigida por Renata de Jesus Oliveira Fernandes e Benedita Reis, tendo como tesoureiro Silvino Reis e secretária Isabella Bacha, a instituição funciona na Rua Mathilde Guilhera Moreira, 159 - Vila Campos, em Lambari, MG.

Desde a sua reabertura, a Seara tem se dedicado com amor à prática do Espiritismo, fundamentada nos ensinamentos de Jesus e na caridade como caminho de luz. 

Suas atividades doutrinárias e assistenciais são as seguintes:



Projeto Fonte Viva
Nesse projeto são atendidas crianças e adolescentes de 8 a 14 anos, que participam de atividades como: leitura, música, pintura, culinária, bijuterias, palestras educativas, etc.


 


Registre-se que a maioria das atividades sociais e de evangelização da Seara, acima e abaixo especificadas, ocorrem em bom espaço físico do edifício LAR TERESA CRISTINA, cedido em comodato pela Loja Maçônica.

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Costurando Amor
Além dessas atividades, há o Costurando Amor – um projeto que reúne voluntários espíritas, católicos e evangélicos para confeccionar enxovais para recém-nascidos e roupas para entidades assistenciais.

Aqui: https://www.aprendizadoespirita.net/blog.php?idb=46429#projeto

 

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Biblioteca Cantinho da Imaginação
A biblioteca Cantinho da Imaginação foi idealizada por Celeste Emília Krauss Guimarães e montada com a ajuda de amigas da Seara Bezerra de Menezes. Um local para leituras, contação de histórias e de "imaginação" para as crianças que participam das atividades da casa.
Móveis, estantes, tapetes, almofadas, bonecos, cartazes e livros — muitos livros — compõem o ambiente.
Aqui: https://www.aprendizadoespirita.net/blog.php?idb=46429#ibli


  

 

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EBM - Espaço Seara Espiritual Bezerra de Menezes

 Em 1º. de janeiro de 2016, foi criada uma página eletrônica intitulada EBM - ESPAÇO SEARA ESPIRITUAL BEZERRA DE MENEZES, disponível no site APRENDIZADO ESPÍRITA, deste autor, contendo informações históricas e atuais sobre a instituição: criação, fundadora, eventos, atividades, etc.

Aqui: https://www.aprendizadoespirita.net/blog.php?idb=46429

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O Lar hoje

Como já dissemos, a instituição Lar Teresa Cristina encerrou suas atividades em definitivo em 2012.

Atualmente, a Loja Maçônica ocupa o andar superior do prédio, e cedeu por comodato boa parte dos cômodos do edifício para atividades assistenciais da Seara Espiritual Bezerra de Menezes. 


Memorial MATHILDE GUILHERA MOREIRA

 Na reunião pública ocorrida no dia 9 de setembro de 2025, na Seara, foi comemorada a maioridade – 18 anos – dessa instituição, visto que as atividades da casa foram retomadas em 12 de setembro de 2007, depois de longo tempo paralisadas.

Nessa oportunidade, foi inaugurado, por iniciativa da Loja Maçônica Fraternidade e Esperança de Lambari e apoio dos dirigentes e trabalhadores da Seara Espiritual Bezerra de Menezes, o MEMORIAL MATHILDE GUILERA MOREIRA, instalado numa das salas do Lar Teresa Cristina.

Para montagem do MEMORIAL, tanto o salão da Seara como dependências do prédio do LAR TERESA CRISTINA foram pintados e ornamentados. Móveis antigos de D. Mathilde foram recuperados e envernizados por Adão Juarez, que também restaurou uma pintura retratando a Imperatriz Teresa Cristina.

No MEMORIAL foram expostos painéis com a linha do tempo e atividades de Dona Mathilde, livros de atas das entidades, retratos, documentos, diplomas, certificados e livros espíritas de Bezerra de Menezes, e objetos pessoais que pertenceram à homenageada.


   

  

Veja cerimônia de inauguração e fotos aqui: https://www.aprendizadoespirita.net/blog.php?idb=46429#MAT

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Fotos e gravuras

Lar Teresa Cristina – Na inauguração, 1967

Seara Espiritual Bezerra de Menezes – Gravura envelhecida

Igrejinha de N. S. Aparecida, na Vila Campos, nas proximidades do LAR e da SEARA

Foto atual do LAR TERESA CRISTINAx

Foto atual da SEARA ESPIRITUAL BEZERRA DE MENEZES

Gravura. Aquarela. Dona Gioconda e meninas do LAR TERESA CRISTINA

Gravura. Aquarela. Dona Gioconda e meninas do LAR TERESA CRISTINA – Festa de Natal

 


Autor

 ♦ ANTÔNIO CARLOS GUIMARÃES é Contador, Auditor-Fiscal RFB aposentado, memorialista de Lambari, autor de livros, expositor espírita.
♦ Seu perfil está aqui: https://www.aprendizadoespirita.net/perfil.php  
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♦ Seus livros físicos estão à venda aqui: https://uiclap.bio/guimaguinhas  
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https://www.aprendizadoespirita.net/ 


REFERÊNCIAS

Autores
♦ ALONSO, Ismael. (Psicofonia de João Berbel). Medicina do Além. Franca, SP, Editora Farol das Três Colinas, 1988
♦ FRUCTUOSO, Paulo Cesar. A Face Oculta da Medicina. Lar de Frei Luiz, Rio de Janeiro, 2013
♦ GUIMARÃES, Antônio Carlos. Abigail [Mediunidade e redenção]. UICLAP, SP, 2013
♦ GUIMARÃES, Antônio Carlos. Os Curadores do Senhor. UICLAP, SP, 2013
♦ MORATO, Agnelo. De Sacramento a Palmelo. Correio Fraterno, 1989
♦ OLIVEIRA, Leida Lúcia de. Arigó, o 13o. Profeta. Mythos, SP, 2010
♦ PAPA, Rafael. Medicina espiritual: Um diálogo com o espiritismo e médicos espirituais. Capivari, SP, EME, 2023.
♦ PAPA, Rafael; CHERCI JR., Sérgio; RAMOS, Maria Fátima (psicogr.). Curas espirituais à luz da doutrina espírita - Catanduva, SP : Nova Visão, 2021.
♦ PEREIRA, Yvonne A. Recordações da Mediunidade. FEB, Rio, 1966
♦ SALLUM, Ricardo. Afinal, por que adoecemos? - A visão espírita. EME, 2019
♦ TOURINHO, Nazareno. Experiências mediúnicas com crianças e adolescentes. DPL, SP, 2000
Jornais e revistas
♦ CORREIO DA MANHÃ - Rio de Janeiro - 16 de novembro de 1967 (bn.digital.gov.br)
♦ JORNAL DO COMMERCIO - Rio de Janeiro - 28 de março de 1896 (bn.digital.gov.br)
♦ REFORMADOR - FEB, Rio - 15 de março de 1896
♦ REVISTA Nação Brasileira nº 256, dezembro de 1944
Entrevistas
♦ SAMPAIO, Lourdes Bernadete. Mathilde Guilhera Moreira - Uma biografia por meio de depoimentos - Seara Espiritual Bezerra de Menezes, Lambari, MG, 2016

♦ ARAÚJO, Marly Framil Lobo. Entrevista a este autor – Lambari, MG, 2025
♦ DIAS, Guaracy Pereira. Entrevista a este autor – Lambari, MG, 2025

♦ FERNANDES, Vera Lúcia. Entrevista a este autor – Lambari, MG, 2025
♦ MORAES, Antônio. Entrevistas a este autor - Lambari, MG, 2020 e 2025

♦ SANTOS, José Antônio dos. Entrevista a este autor – Lambari, MG, 2025

♦ SILVA, Fernando Afonso da. Entrevista a este autor - Lambari, MG, 2025

♦ VERCESI, Teresa. Entrevista a este autor - Lambari, MG, 2025
Sites 
♦ MIRANDA, Hermínio C. O "Livro dos Médiuns" de Paulo, Apóstolo. Reformador - Fev/1974 - FEB, Rio de Janeiro - https://regeneracaodobem.blogspot.com/2021/06/o-livro-dos-mediuns-de-paulo-apostolo.html 
♦GUIMARÃES, Antônio Carlos. A MEDIUNIDADE SEGUNDO O APÓSTOLO PAULO - Sessões mediúnicas nos tempos apostólicos, 2022 - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=5247491  
♦ EBM - ESPAÇO SEARA ESPIRITUAL BEZERRA DE MENEZES - https://www.aprendizadoespirita.net/blog.php?idb=46429 
♦ MEMORIAL MATHILDE GUILHERA MOREIRA - https://www.aprendizadoespirita.net/blog.php?idb=46429#MAT 
Outros
♦ FONTE dos jornais e revistas citados: bn.digital.gov.br  
♦ IMAGENS E GRAVURAS acima por IA/Copilot/Microsoft
♦ PESQUISAS sobre os temas acima in IA/Copilot/Microsoft e Wikipedia
♦ CAPA feita pelo autor, com fotos do seu acervo e recursos do CANVA

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ALGuimaraes
Enviado por ALGuimaraes em 24/02/2026
Alterado em 21/03/2026
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