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Ilustração: Capa do livro DONA MATHILDE - Uma médium curadora - Edições Aprendizado Espírita - By Canva


DONA MATHILDE - Uma médium curadora (Parte 1 - Contexto histórico)


SUMÁRIO

- APRESENTAÇÃO DO AUTOR

- Formatos do livro

Parte 1 – Contexto histórico

- INTRODUÇÃO

Missão Mediúnica – Uns chegando, outros partindo: Teresa, Bezerra, Mathilde

- SEGUNDO IMPÉRIO BRASILEIRO (1840-1889)

- Humberto de Campos e a missão espiritual de Pedro, Teresa e Isabel
- Paulo Roberto Viola – Uma visão espírita-cristã do Segundo Império
- Um espírita na Corte – Manuel de Araújo Porto-Alegre
- O Rio de Janeiro do Segundo Reinado

- PERSONAGENS DESTA HISTÓRIA

- IMPERATRIZ TERESA CRISTINA

- A missão

- Dados biográficos

- O casamento

- As pernas da Imperatriz e as estâncias hidrominerais

- Percalços do casamento

- A figura apagada se mostra brilhante

- Uma família caridosa

- Os filhos que perdeu

- Exílio e morte

- Grande Hotel do Porto

- A Imperatriz na memória do Brasil

- Nos tempos do Imperador

- DOM PEDRO II

- A missão

- Um longo período de prosperidade e liberdade

- A imprensa independente

- A austeridade nos gastos da família

- Liberdade religiosa no Segundo Reinado

- O Espiritismo na Capital do Império

- O Espiritismo na BahiA

- Espiritismo e a abolição da escravatura

- O Espiritismo na Corte e a proteção aos espíritas

- Visitando velhos conhecidos

- Epítetos elogiosos ao maior brasileiro da história

- O retorno de Pedro d'Alcântara

- PRINCESA ISABEL

- A missão

- Síntese biográfica

- As santas de devoção

- A Princesa no Sul de Minas

- A promessa em Aparecida

- Chico Xavier e Isabel, A Rainha Santa

- BEZERRA DE MENEZES

- A missão

- Resumo biográfico

- No mundo espiritual

- TREZE DE MAIO DE 1888 - A ABOLIÇÃO

- Rosa de Ouro

- MATHILDE GUILHERA

- O nome

- Santa Matilde e a descendência dos Reis de Portugal

- Dados biográficos

- REFERÊNCIAS


APRESENTAÇÃO DO AUTOR

DONA MATHILDE - Uma médium curadora
Uma biografia romanceada da médium MATHILDE GUILHERA MOREIRA

Este livro é uma narrativa em que o autor romanceia fatos da vida, mediunidade e obras da médium Mathilde Guilhera Moreira.

Diversos fatos da vida da médium, das atividades de cura e das obras que edificou foram obtidos por meio de depoimentos escritos de pessoas que conviveram e/ou trabalharam com ela em Lambari (MG), desde sua vinda para essa estância, nos anos 1950, até a doença que a afastou dos trabalhos e a levou a desencarnar-se em dezembro de 1990, e de documentação existente no MEMORIAL erigido em sua homenagem no LAR TERESA CRISTINA — uma das obras que edificou e dirigiu por anos.

De posse das informações acima, e para descrever de forma romanceada as cirurgias espirituais realizadas pela médium MATHILDE GUILHERA MOREIRA — nos seus 30 anos de atividade em Lambari, nos anos 1950/1980 — e explicar os mecanismos de que faz uso a Espiritualidade nos procedimentos de cura, este autor — que lida no Espiritismo desde os anos 1980 e já escreveu sobre o tema — consultou confiável bibliografia e novos autores, além de ter visitado a Casa da Esperança, em Palmelo (GO), e a Comunhão Espírita de Brasília, em Brasília (DF), onde assistiu cirurgias espirituais por que passou sua esposa em 2024.

O livro foi idealizado em 3 partes: o CONTEXTO HISTÓRICO, os PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS e a BIOGRAFIA ROMANCEADA, cada uma delas com bibliografia específica.

Na Parte 1 – Contexto histórico, vemos personagens do tempo do Segundo Império , bem como passagens de suas vidas e aspectos de sua personalidade, que vamos retomar na Parte 3 – Biografia romanceada. Assim também foi necessário na Parte 2 – Princípios Doutrinários fornecer informações básicas sobre mediunidade e fenomenologias das curas espirituais, para compreensão de fenômenos espíritas que vamos narrar na parte final do livro.

Antônio Carlos Guimarães

Lambari, MG - A cidade das Águas Virtuosas - Setembro de 2025


Formatos do livro

O texto DONA MATHILDE - Uma médium curadora será apresentando nos seguintes formatos:

 

► Postado aqui no site APRENDIZADO ESPÍRITA NET em 3 partes:

► Parte 1 - Contexto histórico - aqui nesta página

► Parte 2 - Princípios doutrinários - aqui: https://aprendizadoespirita.net/visualizar.php?idt=8566310

► Parte 3 - Biografia romanceada - aqui: https://aprendizadoespirita.net/visualizar.php?idt=8566312

► E-book gratuito disponível na aba "E-books" deste site - aqui: https://rl.art.br/arquivos/8566339.pdf

► Livro físico à venda na editora UICLAP - aqui: https://loja.uiclap.com/titulo/ua131221



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Parte 1 – Contexto histórico

 

Nesta Parte 1 – Contexto histórico, com base na obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (Humberto de Campos/F. C. Xavier), abordamos o papel missionário da Família Real (D. Pedro II, Imperatriz Isabel Cristina e Princesa Imperial Isabel Cristina) e de Astolfo Bezerra de Menezes na história do Brasil.  

Nessa época  — primórdios do Espiritismo do Brasil  — viveram na Capital do Império dois personagens que se conheceram em vida e vão se rever no além-túmulo, comandando a missão mediúnica e caritativa de Mathilde Guilhera em Lambari (MG) — Isabel Cristina, sua guia espiritual, e Bezerra de Menezes, o espírito-médico das cirurgias espirituais. 

Um pequeno resumo biográfico desses dois personagens principais foi necessário para deixar ao leitor uma memória do que fizeram em sua última existência terrena, além do fato de que, de algum modo e em determinados momentos, Mathilde, Bezerra e Teresa Cristina estiveram no mesmo cenário, isto é, na cidade do Rio de Janeiro — Mathilde ali nasceu em 1896 — quando Bezerra ainda estava vivo — e 7 anos após o passamento de Teresa Cristina. E esses três personagens vão se reencontrar décadas depois em Lambari.

De fato, Bezerra e Teresa Cristina coexistiram na segunda metade do Século XIX e tinham em comum a caridade, a emancipação dos escravos e, provavelmente, o Espiritismo — doutrina que Bezerra abraçou e da qual Teresa Cristina, ao menos, teve notícias, visto que intelectuais espíritas eram próximos da Família Real, como se verá nesta narrativa.

No caso da Imperatriz, fizemos uma pesquisa mais cuidadosa sobre aspectos esquecidos de sua vida, já que a historiografia brasileira, ao exaltar demais o Imperador, deixou à margem importantes ações da Imperatriz e ricos traços de sua personalidade.

Aqui examina-se também como se deu a introdução do Espiritismo na Capital do Império. Precedida pelo magnetismo de Mesmer e a homeopatia de Hahnemann, a Doutrina de Kardec vai chegar por meio da elite e em francês, e bem assim falamos dos espíritas que frequentaram a Corte e fizeram a Família Real se interessar pelos fenômenos da mediunidade.


A Parte 2 está aqui: https://aprendizadoespirita.net/visualizar.php?idt=8566310

           A Parte 3 está aqui: https://aprendizadoespirita.net/visualizar.php?idt=8566312

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INTRODUÇÃO

O médium curador tem amplas possibilidades de servir.

Dispõe de sua própria reserva magnética.

Pode e deve aliar ao fluido pessoal o fluido generoso dos Amigos Espirituais.

Com os recursos da vontade firme, projeta, a distância, o fluido que lenitiva e cura.

Utilizando a prece, leva bem longe seus poderes curativos.

Palavra, olhar e gesto, estimulados pelo desejo de servir, conjugam-se no esforço da cura.

MARTINS PERALVA. Mediunidade e evolução. [Peralva, 1980]


Este texto romanceia fatos da vida, mediunidade e obras de Mathilde Guilhera Moreira, uma médium curadora, nascida no Rio de Janeiro (DF) (28/03/1896) e falecida em São Lourenço (MG) (10/12/1990).

Inspirada pelo espírito da Imperatriz Teresa Cristina, sua guia espiritual, Mathilde fundou um orfanato em Lambari (MG) — Lar Teresa Cristina — em 1967.

Desde os anos 1950, ela frequentava a estância outrora chamada de Águas Virtuosas de Lambari e aqui possuiu uma casa na Volta do Ó. Por essa época, já atendia a inúmeras pessoas, veranistas inclusive, que, sabedores de seus recursos mediúnicos, a procuravam. 

Mathilde os acudia, desinteressadamente, cumprindo o mandamento do Cristo: — Dai de graça, o que de graça recebestes! (Mateus 10:8, comentado em O Evangelho segundo o Espiritismo - XXVI).

Com o aumento do número de necessitados, passou a atender na garagem da residência na Volta do Ó. 

Algum tempo depois, em 1974, viria a fundar a Seara Espiritual Bezerra de Menezes, centro espírita de orientação kardequiana no qual, assistida pela Equipe Espiritual desse nobre espírito, realizou incontáveis sessões de cura.

Adoentou-se em 1986 — contava, então, 90 anos — e se afastou dos trabalhos. Tempos depois, o Lar e a Seara interromperiam suas atividades.

Veio a falecer em 10 de dezembro de 1990, em São Lourenço (MG), e seu corpo foi enterrado em Lambari (MG).

Após sua partida, o Lar e a Seara foram cuidados por Gioconda Reis Figueiredo e Manoel Vicente Fernandes.

Atualmente, o imóvel do Lar Teresa Cristina abriga a Loja Maçônica Fraternidade e Esperança de Lambari, o Memorial dedicado a sua fundadora e parte das funções da Seara — que opera regularmente, desde 2007, com atividades doutrinárias espíritas (palestras, sessões de passe, estudos, evangelização, voluntariado).

Pois bem, vamos conhecer a missão, as curas e as obras dessa grande mulher, cuja mediunidade reuniu, a um só tempo, as almas generosas de a Mãe dos Brasileiros  e a do Médico dos Pobres!

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Missão Mediúnica – Uns chegando, outros partindo: Teresa, Bezerra, Mathilde

Na verdade, essa história começa bem antes, no Plano Espiritual.

De fato, toda mediunidade missionária decorre de uma programação, na qual há o compromisso de realizar determinadas tarefas — no caso, fazer uso dos dons mediúnicos em prol de pessoas necessitadas. [Peralva, 1980, Cap. 30]

Assim se deu que Teresa, Bezerra e Mathilde viveram, em datas próximas, na cidade do Rio de Janeiro.

Teresa chegou ao Rio em 1843 e lá residiu até 1889, por 46 anos. Viria a falecer 2 meses depois, em Portugal, premida pelo exílio imposto à Família Real por obra dos republicanos de 14 de novembro.

Bezerra chegou ao Rio em 1851, e ali desencarnou em 1900.

Mathilde nasceu no Rio de Janeiro em 1896 — quando Bezerra ainda estava vivo — e 7 anos após a passamento de Teresa.

Como se vê, muitas vezes, para cumprimento de uma missão mediúnica – uns chegam, outros partem – e se reencontram na tarefa...

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SEGUNDO IMPÉRIO BRASILEIRO (1840-1889)

Nas Esferas mais próximas da Terra, os nossos labores por afeiçoar sentimentos à exemplificação do Cristo são também minuciosos e intensos. Escolas numerosas se multiplicam, para os Espíritos desencarnados. E eu, que sou agora um discípulo humilde desses educandários de Jesus, reconheci que os Planos espirituais têm também o seu folclore. (Grifei)

HUMBERTO DE CAMPOS/F. C. Xavier. Boa Nova, 1941 - [Campos, 1941]


Para conhecer dois atores da supracitada missão mediúnica em Lambari e contextualizar sua última passagem pela Terra, temos de voltar ao Rio de Janeiro da época do Segundo Império Brasileiro (1840-1889) — tempo em que viveram Teresa Cristina e Bezerra de Menezes, nos primórdios do Espiritismo do Brasil — doutrina essa que, aliás, frequentou a Corte.

De fato, D. Pedro II, a Imperatriz Teresa e a Princesa Isabel tinham uma grande missão providencial a ser cumprida no Brasil.

Providencial porque, na visão espírita, Deus não apenas criou o céu e a terra, governa também tudo na Natureza, a qual é submissa a sua vontade.

Disso decorre o Providencialismo, que é a doutrina que vê na história uma ordem ou um plano providencial.

É a confiança na ação da providência. 

Nessa perspectiva é que o espírito Humberto de Campos, na obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, psicografada em 1938, por Francisco Cândido Xavier, romanceia a missão da Família Imperial — e assim também o faz em relação à tarefa missionária de Bezerra em face da Doutrina Espírita.

Sim, romanceia, pois, a nosso sentir, os relatos dos "encontros", mencionados no livro Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, fazem parte de um "folclore do Céu", que "encerram profundas lições", as quais Humberto, por Chico Xavier, nos trouxe mediante seus extraordinários recursos literários.

Vejamos.

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Humberto de Campos e a missão espiritual de Pedro, Teresa e Isabel

Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido... 
Atos 9:15


Segundo a narrativa romanceada de Humberto de Campos, Dom Pedro II recebeu dos Planos Superiores o seguinte comando:

— Serás imperador do Brasil, até que ele atinja a sua perfeita maioridade, como nação. Concentrarás o poder e a autoridade para beneficiar a todos os seus filhos. Não é preciso encarecer aos teus olhos a delicadeza e sublimidade desse mandato (...)

Dos teus esforços se exigirá mais de meio século de lutas e dedicações permanentes (...)

Ampara os fracos e os desvalidos, corrige as leis despóticas e inaugura um novo período de progresso moral para o povo das terras do Cruzeiro. Institui, por toda parte, o regime do respeito e da paz, no continente, e lembra-te da prudência e da fraternidade que deverá manter o país nas suas relações com as nacionalidades vizinhas (...)

E o cerne da missão do Imperador estava aqui: a escravidão!  

Procura aliviar os padecimentos daqueles que sofrem nos martírios do cativeiro, cuja abolição se verificará nos últimos tempos do teu reinado (...)

Para esse desiderato, as Falanges do Bem

contavam colaboradores decididos no movimento libertador, quais Castro Alves, Luís Gama, Rio Branco e Patrocínio.  A própria princesa Isabel, cujas tradições de nobreza e bondade jamais serão esquecidas no coração do Brasil, viera ao mundo com a sua tarefa definida no trabalho abençoado da abolição.

E por fim Dom Pedro é notificado da época e do seu destino — a derrubada do trono, o exílio e o desencarne:

Tuas lides terminarão ao fim deste século, e não deves esperar a gratidão dos teus contemporâneos; ao fim delas, serás alijado da tua posição por aqueles mesmos a quem proporcionares os elementos de cultura e liberdade.

E o grande jornalista, poeta e escritor brasileiro, deixou anotado ainda que

Em 1843, D. Pedro II desposara D. Teresa Cristina Maria, princesa das Duas Sicílias, que viria partilhar com ele, no sagrado instituto da família, da mesma abnegação e amor pelo bem do Brasil. [Campos, 1938]

Desse modo, o ponto central da missão espiritual atribuída a Pedro, Teresa e Isabel culmina na assinatura da Lei Áurea pela Princesa, a 13 de maio de 1988.

E, como registra a história, um ano e alguns meses depois, isto é, a 14 de novembro de 1989, a abolição deu azo ao golpe republicano que derrubou o Imperador e decretou o exílio da Família Real. 

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Paulo Roberto Viola – Uma visão espírita-cristã do Segundo Império

?id=1160467&bgcolor=transparent&maxw=550&maxh=1200 Paulo Roberto Viola foi advogado, jornalista, pesquisador, escritor muito ligado a Lambari e sua história, e era filho do lambariense Paulo Grandinetti Viola. É dele o livro Lambari, como eu gosto de você!, no qual registrou memórias de seu pai.

Sob a inspiração espírita-cristã, Paulo Roberto, grande admirador de Dom Pedro II e da Princesa Isabel, escreveu uma série de livros sobre o período do Segundo Reinado. 

Os livros dessa série são estes:

Dom Pedro II e a Princesa Isabel
No Tempo do Império - Bons tempos aqueles
Princesa Isabel - Uma Viagem no Tempo
Barão de Santo Ângelo - O Espírita da Corte

​Além desses, escreveu também dois outros livros de fundo espírita:

Bezerra de Menezes - O Abolicionista do Império
Francisco de Paula - O Eremita da Caridade


 Essa série de livros não só serviu como fonte de consulta deste autor, como foi ensejo inspirador para a feitura deste opúsculo sobre a mediunidade curadora de Mathilde Guilhera Moreira. 

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Bezerra de Menezes - O Abolicionista do Império

Com esse livro o autor resgata e comenta uma obra histórica de Bezerra de Menezes, que dormia esquecida nos arquivos da Fundação Biblioteca Nacional: A Escravidão no Brasil e as Medidas que Convém Tomar para Extingui-la sem Dano para a Nação, um opúsculo do grande médico, escritor e político brasileiro, e expressão grandiosa do Espiritismo em nosso País.​​


Princesa Isabel - Uma viagem no tempo

Você sabia que a princesa Isabel, primeira governante de nossa História, como princesa regente, tinha uma musa espiritual na qual se inspirava para governar? Uma rainha da Turíngia que viveu ao tempo de Francisco de Assis, no século 13. Linda jovem que entrou para a História com a frase: "Como posso eu usar uma coroa preciosa, se meu Rei usava uma coroa de espinhos". Isabel da Hungria, que desencarnou com apenas 24 anos de idade, outra coisa não fez durante sua curta existência no planeta senão dedicar-se aos excluídos, aos enfermos e aos esquecidos da providência dos homens. Foi canonizada pela igreja católica por suas virtudes elevadas. Ela era portadora de mediunidade prodigiosa, própria daqueles que sustentam alto padrão vibratório.
Muita gente pergunta qual a ligação de Dom Pedro II e da princesa Isabel com o espiritismo. A ligação deles é a mesma de Teresa de Calcutá, de Francisco de Assis e de todos os demais ícones de nosso credo: os elevados valores morais.
(Fonte: Edições Correio Fraterno do ABC)​


Dom Pedro II e a Princesa Isabel

Pela primeira vez na literatura pátria, o Imperador Dom Pedro II e sua filha, a Princesa Isabel, tiveram direito a uma defesa histórica diante dos acontecimentos que precipitaram a República, quando derradeiramente esses nobres personagens sofreram maledicências e humilhações absolutamente imerecidas, depois de meio século de trabalho e efetiva dedicação aos superiores interesses do Brasil. O livro, que foi lançado na Academia Brasileira de Letras, homenageia seis imortais: Humberto de Campos, Manoel de Araujo-Porto Alegre, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Castro Alves e Joaquim Manuel de Macedo, sendo que a obra tem inspiração no livro de Francisco Cândido Xavier - o Mineiro do Século - denominado Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. (Fonte: Googlebooks)

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Um espírita na Corte – Manuel de Araújo Porto-Alegre

 O Barão de Santo Ângelo, título conferido ao gaúcho Manuel de Araújo Porto-Alegre, foi um talento múltiplo da Corte brasileira durante o governo do Segundo Reinado.

Sua capacidade singular de unir história e arte o transformou numa figura de citação obrigatória para quem analisa o Brasil sob a regência do grande Imperador missionário Dom Pedro II e sua filha, a Princesa Isabel.

Conceituado pintor, foi ele, também, literato, jornalista, dramaturgo, orador, arquiteto, caricaturista, professor, crítico e historiador de arte, além de político e diplomata.

Com essas credenciais, em carta manuscrita a seu amigo, Joaquim Manuel de Macedo, outra celebridade cultural da corte, Porto alegre se declarou um espírita convicto e apaixonado pela doutrina que iria iluminar o mundo a partir da metade do século XIX. E foi nessa condição que chegou a conhecer, na França, Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita.

Note-se que em 1867 Porto-Alegre enviou ao Imperador um memorial sobre a extinção gradual da escravidão no Brasil.

Esse documento antecedeu a proposta de Bezerra de Menezes (A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a nação, 1869) em dois anos.

E antes disso, em 1866, um outro espírita, bastante jovem — Antônio da Silva Neto —, publicara pela Tipografia Esperança o opúsculo Estudos sobre a emancipação dos escravos no Brasil,  de 46 páginas, "dedicado aos senhores fazendeiros". [Wantuil, 1968]

Este livro sobre Porto-Alegre mostra os bastidores do 15 de novembro de 1889, a movimentação dos primeiros espíritas brasileiros, como também a curiosidade da Princesa Isabel em relação à figura de seu guia protetor e o determinismo espiritual que selava o destino da escravatura no Brasil. (Site da FEB e Prefácio de André Trigueiro)


Manuel de Araújo Porto-Alegre – Coroação de Dom Pedro II – 1840 (Fonte: Wikipedia)

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O Rio de Janeiro do Segundo Reinado

Em 1808, fugindo de ameaças de Napoleão Bonaparte, a Corte Portuguesa — D. João VI, Carlota Joaquina, membros da corte, lacaios — chegou ao Rio de Janeiro e encontrou uma cidade precária, malcheirosa, provinciana, suja e descuidada, com as ruas estreitas, mal calçadas e imundas. [Bueno, 2012]

Pouco tempo depois, D. João VI deu início ao remodelamento da cidade. No apertado espaço entre o mar e as montanhas, charcos foram drenados, ruas ampliadas e calçadas construídas, novos e suntuosos bairros, como Glória, Flamengo e Botafogo, praticamente criados, e a Rua Direita, toda modernizada. [Bueno, 2012]

Assim, em menos de cinco anos, o Rio já estava bastante modificado. Com a chegada da missão francesa, em 1816, a cidade iria lentamente adquirir ares imperiais, visto a necessidade de adequá-la à nova função de sede do Império Português.

Com efeito, em 1816 chegou ao Rio de Janeiro a Missão Francesa — assim chamado um grupo de pintores, escultores, gravadores e arquitetos franceses trazido por D. João VI, para "civilizar" a cidade. [Bueno, 2012]

Com o crescimento populacional, deu-se a expansão urbana, a melhoria da infraestrutura, a construção de imóveis e a de espaços administrativos e de serviços, como o Paço e outros órgãos burocráticos do Império Português. Muito desse espaço foi conquistado aos pântanos e lagoas, objetos de aterros e drenagens.

A capital da colônia, agora promovida a capital do Império Português, iria dar um salto urbanístico, cultural e econômico.


Chegada família Real. 1808. Autor desconhecido

Rio. Meados anos 1800. Teatro. Debret. Fonte: Wikipedia


Em 1843, quando chegou ao Brasil, Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias encontrou um Rio de Janeiro com palácios, teatros e cafés, frequentado pela elite, num espaço urbano de ruas estreitas, calçadas irregulares e o estilo colonial português nas construções, notadamente o centro histórico.

Acresça-se que após 1808 se estabeleceram a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (depois, Academia de Belas Artes), a Biblioteca Pública (hoje, Biblioteca Nacional), o Jardim Botânico, a Academia da Marinha, a Academia Militar, e, ainda, o Banco do Brasil, a primeira tipografia do Brasil e a Imprensa Régia. [Avella, 2014]

Em contraste, a população pobre situava-se em cortiços e moradias precárias. Com a carência de saneamento, ocorriam com frequência a febre amarela e a cólera.

Frise-se que Teresa Cristina, educada e preparada para um dia ser rainha, deixara para trás sua Nápoles — uma cidade cosmopolita, espécie de encruzilhada cultural da Europa, a maior cidade do continente, atrás apenas de Paris e Londres.

 


Residência oficial do Casal Imperial no Rio de Janeiro

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PERSONAGENS DESTA HISTÓRIA

A IMPERATRIZ TERESA CRISTINA

A Imperatriz Teresa Cristina


A missão

Como já referido, D. Teresa Cristina viria partilhar com Pedro II, no sagrado instituto da família, da mesma abnegação e amor pelo bem do Brasil. [Campos, 1938]

Mas, alma nobre, foi além de amar a família e o Brasil: amou os pobres, amou os doentes, amou os escravizados, amou as crianças desamparadas, amou os imigrantes que chegaram ao Brasil...


Dados biográficos

Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, a imperatriz TERESA CRISTINA DO BRASIL, nasceu a 14 de março de 1822, no Palácio Real de Nápoles, Reino das Duas Sicílias, e faleceu no dia 28 de dezembro de 1889, na cidade de Porto, em Portugal.

Era filha de Francisco I das Duas Sicílias e Maria Isabel da Espanha, e pertenceu, por nascimento, à Casa Real Bourbon-Duas Sicílias, e, por casamento, à de Bragança.

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O casamento

Teresa Cristina casou-se por procuração com Dom Pedro II, cuja cerimônia se deu em Nápoles, no dia 30 de maio de 1843, e presencialmente em 4 de setembro de 1843 no Rio de Janeiro.

O Imperador tinha, então, menos de 18 anos de idade — e ela 23 — sendo três anos e nove meses mais velha.


Cerimônia do casamento por procuração, em Nápoles (por Alexandre Cicarelli, 1846)


   

D. Pedro II na época do casamento (tela de Rugendas)


Antes do casamento, o jovem Dom Pedro II recebera a tela abaixo, mas ao conhecê-la pessoalmente em setembro de 1843 assustou-se com sua aparência: — era baixota, gorda, feia e manca. [Lira Neto, 2006]


Retrato de Teresa Cristina de Bourbon, enviada ao noivo, antes do casamento (tela atribuída a José Correia de Lima, 1843)


As pernas da Imperatriz e as estâncias hidrominerais

A nenhum historiador passou em branco a perna manca da Imperatriz — geralmente em tom pejorativo. A causa talvez fosse um caso de joelho varo (pernas de cowboy, isto é, arqueadas: uma condição normalmente genética em que os joelhos se mantêm afastados mesmo quando a pessoa consegue encostar um tornozelo no outro). 

ZERBINI anota diversas situações em que as pernas claudicantes da imperatriz lhe causaram embaraço, como no caso de escadas e viagens. [Zerbini, 2019] 

E REZZUTTI diz que d. Teresa Cristina, em 1885, ao passar pela biblioteca, tropeçou num fichário, caiu de frente e quebrou o úmero. [Rezzutti, 2019]

Nos relatos das viagens da família imperial à Europa, vamos encontrar a Imperatriz — por vezes ao lado do esposo — tratando-se com águas termais ou fazendo estação de águas, em estâncias como Baden Baden, Carlsbad, Aix-le-bains, Gastein.

Na sua primeira viagem através do Brasil, em outubro de 1845, o casal imperial visitou Desterro, em Santa Catarina, e outras localidades próximas, como Arraial do Cubatão (atual Santo Amaro da Imperatriz), aos pés da Serra do Tabuleiro onde águas quentes brotavam do solo.

Teresa Cristina, então grávida de Isabel, passou quase um mês por lá, e atribui o nascimento da filha, como "presente deixado em meu corpo pelos banhos de água quente daquelas fontes milagrosas de Santa Catarina, que até hoje guardam meu nome". [Zerbini, 2019] 

Note-se ainda que em outubro de 1886 a Imperatriz esteve na então Vila de Nossa Senhora da Saúde das Águas de Caldas, atual Poços de Caldas, onde D. Pedro II inaugurou o Ramal de Caldas da Estrada de Ferro Mogiana e lá conheceu as fontes de águas sulfurosas termais.

Aliás, o surgimento e evolução das estâncias hidrominerais no Brasil, no final do século XIX, contou com a simpatia e “apadrinhamento” da família imperial – e da elite ligada ao Império – pelas águas minerais e termais.

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Percalços do casamento

Longe da fantasia dos romances, oculto sob nomes e sobrenomes com que éramos batizadas, destinos curiosos, por vezes cruéis, sempre espreitaram a nós, princesas de sangue, usadas como peças de xadrez na composição de acordos e como moeda nos arranjos de Estado. Não lamento meu casamento político. Acredito de modo sincero que com ele só me advieram vantagens. Francamente, o que mais eu poderia esperar, vinda à luz pouco bela, quando a liberdade concedida a uma mulher, na época e onde nasci, dependia do grau de sua formosura?

EUGÊNIA ZERBINI. Para você nunca se esquecer de mim: Imperatriz nos tempos do imperador

 


Se do ponto de vista espiritual o encontro de Teresa Cristina com Pedro d'Alcântara fora programado, pelo prisma histórico foi um contrato político, pois assim se dava com os casamentos reais, que eram ajustados pelas chancelarias dos países, por meio de um tratado internacional.

De modo que, na vida conjugal, social e política houve desatenções, estranhamentos, infidelidades.

E há diversos registros históricos disso.

Del Priore pontuou: — Em público, [D. Pedro] se mostrava gelado com Teresa Cristina. Mal lhe falava no teatro, dando atenção aos camaristas. Muitas vezes, fingia que não a ouvia. [Priore, 2016]

Na ficção histórica que escreveu sobre a vida da Imperatriz — com Teresa Cristina narrando fatos de sua vida — Eugênia Zerbini registrou diversas situações [Zerbini, 2019]:

— Os festejos do casamento duraram vários dias, e no dia 12 de setembro houve uma missa de ação de graças na Capela Imperial, que Teresa Cristina/Zerbini narrou: — Embaraçava-me a falta de atenção com que Pedro insistia em tratar-me, ignorando-me a seu lado.

— Numa solenidade no Teatro São Pedro d'Alcântara, deu-se que: — Meu marido fazia de conta que eu não existia. Eu apelei à Viscondessa de São Salvador dos Campos, com quem eu já me abrira uma vez. Entre lágrimas, pedi que transmitisse a seu marido meu desejo de voltar para casa, aproveitando o retorno da esquadra napolitana para o reino do qual nunca eu deveria ter saído.

— Falando sobre como eram cândidas suas relações íntimas com o esposo, Teresa Cristina comenta: — Em 1847 e 1848, durante a visita ao interior da Província do Rio de Janeiro, Pedro havia circulado por ambientes cheios de fausto e novidades, sem minha companhia. Teve ocasião de estar próximo a belas mulheres. Não lhe faltou oportunidade de fruí-las, e bem de perto. O jovem casto que me esposara desvendara os segredos da conquista. [Zerbini, 2019]

Numa das viagens da família à Europa: — Pedro deixou-me em um hotel, como se eu fosse uma mala. Meu marido apenas me suportava. Melhor assim, saber-me desprezada do que sê-lo sob uma capa de lisonja.

Talvez a mais grave crise de seu casamento — a Condessa de Barral —  é relatada por Laurentino Gomes [Gomes, 2013]:

A Condessa de Barral permaneceu nove anos na Corte do Rio de Janeiro e exerceu sobre dom Pedro um fascínio como nenhuma outra mulher. Ela foi sua maior e mais íntima confidente até o fim da vida. Quem mais sofreu com isso foi a Imperatriz Teresa Cristina, (...) mas conformada com seu destino (...) dissimulou os sentimentos, fazendo vistas grossas à óbvia paixão do marido...

No entanto, para o memorialista Paulo Roberto Viola, a posição de historiadores à vista desse episódio trata-se de uma maledicência sem piedade, que acusa o Imperador de vida extraconjugal. [Viola, 2008]

Quando faleceu a Imperatriz, Dom Pedro II chamou-a "santa" — e anotou em seu diário: — Não sei como escrevo. Morreu haverá meia hora a imperatriz, essa santa. Ninguém imagina a minha aflição. Somente choro a felicidade perdida de 46 anos... [Viola, 2008] (...) mas preciso não sucumbir. Não sei o que farei agora. Só o estudo me consolará de minha dor. [Gomes, 2013]

D. Pedro sentiria até o  final dos seus dias a falta da antiga companheira, a quem sempre chamaria de santa. [Rezzutti, 2019]

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A figura apagada se mostra brilhante

Inicialmente rejeitada por Dom Pedro II por sua aparência, Teresa Cristina era, no mais, uma viva mulher de sentimentos delicados, inteligente e culta, apaixonada pela música e pelo canto, esposa fiel e dedicada, mãe extremosa — por tudo isso ela conquistou respeito e admiração no desempenho do papel de imperatriz, sendo, por essa razão, designada Mãe dos Brasileiros. 

Aliás, a qualificação Mãe dos Brasileiros surgiu deste episódio:

Durante o verão de 1855, poucos meses depois da fundação da “Società Italiana di Beneficenza e Mutuo Soccorso”, teve início no Rio uma epidemia de cólera-morbo. Em vez de retirar-se em Petrópolis, como fizeram todos que podiam, os soberanos permaneceram na cidade para prestar assistência aos doentes, prodigalizando visitas nos hospitais, distribuição de medicamentos, alimentos, vestuário. Teresa Cristina foi eficiente, incansável, discreta e a partir daquele momento começou a ser chamada “Mãe dos Brasileiros”. [Avella, 2014]

De outra parte, estudiosos reconhecem que o matrimônio foi decisivo em atenuar a timidez do jovem Imperador, tornando-o mais seguro e expansivo nas funções oficiais e na vida social. [Murilo de Carvalho, citado por Avella, 2014]

O fato é que ela amou enormemente a terra brasileira. As quase cinco décadas que permaneceu entre nós foram um período no qual se construiu parcela importante da identidade brasileira, em que se deu o enriquecimento cultural da Capital Federal, com a vinda de artistas e artesãos europeus das atividades teatrais, musicais, artesanais; em que se trouxe para o Brasil uma coleção de mais de 700 peças de arqueologia clássica, a maior da América Latina; em que se estreitaram laços entre Itália e Brasil, com reflexos na política e cultura brasileira e italiana; em que — visando a melhorar a situação da saúde pública e do ensino — se facilitou a vinda para a Corte de muitos italianos médicos, engenheiros, professores, farmacêuticos, enfermeiras; em que se intensificou a imigração italiana para o Brasil, dando início aqui à formação da maior colônia de emigrantes italianos no exterior. [Roscilli, 2021, passim]

Meio esquecida pela historiografia brasileira — que tradicionalmente silenciava papéis femininos e se debruçou quase inteiramente sobre a extraordinária figura do Imperador Magnânimo — os autores a viam apenas como 

"uma mulher silenciosa, que compensava a falta de beleza física com a bondade e as virtudes do coração" [Roscilli, 2021], ou 

"uma mulher que não se interessava por assuntos de Estado,  vivendo constantemente à sombra do marido, D. Pedro II" [Tapioca Neto, jun/2015]. 

E só mais recentemente pesquisadores de arquivos italianos e brasileiros — recorde-se que ela deixou vasto acervo documental no Museu Imperial de Petrópolis e muitos mais foram localizados em instituições de Nápoles e de outras do Sul da Itália — começaram a "restituir voz, corpo e espessura a uma personalidade injustamente esquecida" e a mostrar sua real dimensão: [Roscilli, 2021; Zerbini, 2019; Avella, 2014; Vanni, 2000]

personalidade feminina muito bem-preparada, de notável cultura e força, bem longe da imagem submetida e discreta; uma mulher influente na política e dispensadora de conselhos para o marido. A própria história encarrega-se de mostrar quanto ela foi incentivadora e amante das artes, da música, da arqueologia, da pintura. [Roscilli, 2021]

Essas pesquisas trouxeram a lume, por exemplo, que a Imperatriz foi

 (..) um importante anel de conjunção entre Itália e Brasil (na diplomacia, na cultura, nos negócios)... [Roscilli, 2021]

Que apoiou a criação de uma sociedade de mútuo socorro:

(...) Como selo do protagonismo cultural e social, a imperatriz quis apoiar pessoalmente a fundação da primeira sociedade beneficente italiana no exterior, para ajudar os mais necessitados, os imigrantes. Chamou-se “Società Italiana di Beneficenza e Mutuo Socorro”. Criada em 17 de dezembro de 1854 junto com 26 expoentes da coletividade italiana do Rio de Janeiro, qualificou-se como “italiana” muito antes da unidade política da península itálica... [Roscilli, 2021]

Que por sua influência, Dom Pedro

(...) em 1875, criou no interior fluminense a colônia de Porto Real, para onde encaminhou um grupo de casais italianos, trazidos pelo navio Anna Pizzorno... [Vanni, 2000]

Que foi uma grande colecionadora de artes clássicas e do artesanato brasílico:

Durante os anos de sua permanência no Brasil, ela exportou para a Itália várias peças produzidas pelos índios locais e em troca recebia artigos oriundos do império romano. O conjunto dessas peças hoje faz parte da coleção “Teresa Cristina Maria”, conservada pelo Museu Histórico Nacional. [Tapioca Neto, jun/2015]

Que se interessava por escavações arqueológicas em Pompéia e Herculano (próximas de sua Nápoles) e pelos objetos das tumbas arcaicas de Veios, com preciosidades etruscas, onde herdara propriedades de sua tia Maria Cristina de Bourbon. [Avella, 2014] [Zerbini, 2019]

Além disso, seu gosto artístico

(...) não se limitou à proteção dos talentos, mas manifestou-se também na decoração do jardim anexo ao palácio de São Cristóvão, chamado Jardim das Princesas. Assentos, fontes e muros do jardim foram adornados com conchas e fragmentos de porcelana, formando mosaicos de refinada elegância. [Avella, 2014]

E o seu amor pelos livros:

(A partir de 1855) o casal imperial dava exemplo aos membros da corte, lendo em francês. A imperatriz Teresa Cristina recebia de Paris caixotes de livros enviados pela duquesa de Berry. E, para o imperador, d. Pedro II, vinham os exemplares da Revue des Deux Mondes, fundada em 1829. [Del Priore, 2016]

Possuidora de imensa biblioteca, com obras de naturalistas e relatórios de viajantes, dona Teresa Cristina era mesmo ávida consumidora dos romances de José de Alencar. [Del Priore, 2016]

É conhecido, por exemplo, o seu grande amor pelas inovações científicas do período, especificamente pela fotografia. Em muitas delas podemos observar a Imperatriz com seu marido e filhas, acompanhada de livros, como um sinal do seu interesse pela erudição. [Tapioca Neto, jul/2015]



Incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro - 2 de setembro de 2018 - Instituição científica mais antiga do país e um dos maiores e mais renomados museus da América Latina

Depois do exílio em 1889, objetos da imperatriz foram doados por D. Pedro II ao novo governo, formando assim o acervo da coleção Teresa Cristina Maria do Museu Nacional, com cerca de 700 peças. Até o incêndio da instituição, era possível ver os bancos e as fontes decoradas no Jardim das Princesas e o acervo arqueológico da soberana. Infelizmente, a maior parte desses objetos foi destruída ou danificada. Alguns, porém, conseguiram ser recuperados dos escombros, tais como amuletos, panelas, pulseiras, anéis, estatuetas e jarros, incluindo afrescos extraídos diretamente das habitações da antiga Pompéia. Em julho de 2025, o Museu foi reaberto, mas as obras de recuperação prosseguirão até 2028.  [TAPIOCA NETO, out/2021 - nationalgeographicbrasil.com/nov/2020] - Foto - Fonte: Wikipedia

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Uma família caridosa

Registra VIOLA que a imperatriz Teresa Cristina e sua filha Isabel organizavam memoráveis saraus beneficentes para arrecadar fundos destinados ao imenso lençol de caridade pessoal. (Viola, 2009)
Consta, inclusive, que Teresa Cristina nunca dizia um não a quem a ela suplicasse ajuda. Sua bondade era tamanha que acabou ficando identificada como a mãe dos brasileiros. (Viola, 2011)

Verdade é que a caridade que a Família Real

dispensava regularmente aos necessitados era absolutamente discreta e anônima. A identidade de sentimentos humanos e propósitos fraternais entre o Imperador, sua mulher e a Princesa Isabel era uma realidade. Chamavam-se esses assistidos da família real de pensionistas do bolsinho imperial. O socorro não vinha do Erário público, mas das dotações orçamentárias de natureza pessoal dos integrantes da Coroa. (Viola, 2011)

Anotou o historiador José Murilo de Carvalho, segundo VIOLA, que o programa anual de esmolas para os pobres de São Cristóvão, em 1857, empregava mais recursos do que a dotação de seus seis ministros. (Viola, 2011)
Para isso, D. Pedro nunca aceitou reajuste de suas dotações pessoais e cortou cargos inúteis de seu governo e dotações para a Guerra do Paraguai.
Concedeu ao longo do Segundo Reinado 151 bolsas de estudo, sendo 41 para o exterior.
(Viola, 2011)

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Os filhos que perdeu

― Ah, meu Deus, fostes sempre a minha Providência, por que me castigastes tão duramente em vida com a perda de três dos meus quatro filhos? ― foi a pergunta que passou dominar meu juízo (que cheguei pensar em perder, tão grande foi meu sofrimento).

EUGÊNIA ZERBINI. Para você nunca se esquecer de mim: Imperatriz nos tempos do imperador 


Coroada pelo povo como “rainha de misericórdia”, a imperatriz teve de sofrer o destino da perda de filhos. [Avella, 2014]

O casal imperial teve 4 filhos: 

Afonso, herdeiro do trono, nasceu em fevereiro de 1845 e faleceu em 11 de junho de 1847, aos 2 anos de idade.

Em junho de 1846, nasceu Isabel Cristina, falecida em 1921, aos 75 anos.

Em julho de 1847, nasce Leopoldina, a segunda filha mulher, que veio a falecer em 1871, com 24 anos.

Pedro Afonso nasceu em julho de 1848 e morreu em janeiro de 1850, também aos 2 anos.

A chegada do primeiro filho, Afonso, é certo que favoreceu uma relação mais estreita e mais harmoniosa entre seus pais, cujo casamento fora protocolar, até então.

Com o falecimento dos filhos homens, Isabel Cristina tornou-se, aos 14 anos, herdeira presuntiva do Império do Brasil.


Teresa Cristina e seus três filhos Isabel, Leopoldina e Pedro Afonso em 1849, por Ferdinand Krumholz. Fonte: Wikipedia


Após a perda de Leopoldina, a Imperatriz, em 6 de março de 1871, escreve a Isabel, que estava em viagem pela Europa:

Vos escrevo envolta na mais viva dor. Foi terrível para mim a notícia que recebemos ontem da morte da minha amada Leopoldina. Que Deus e a Virgem Maria me deem a força para resistir a esta desgraça. [...] Adeus meus amados filhos, vinde o mais cedo possível consolar esta mãe infeliz e triste.  [Avella, 2014]

Em 23 de março, ainda inconsolada com a perda da filha mais nova, escreve novamente a Isabel:

Minha cara e sempre amada filha Isabel, não me posso consolar pela perda de uma filha tão amada e tão jovem. Perdemos um anjo que agora está no céu. 

Logo após o retorno de Isabel, a essa é confiada a regência e no fim do mês de maio D. Pedro e esposa partem para longa viagem ao Exterior: desejam visitar a tumba de Leopoldina e abraçar novamente o genro junto com os netos órfãos.

Quando visitam Nápoles, ela vai anotar em seu diário: 

Não posso dizer a emoção que tive em rever depois de 28 anos a minha pátria e não encontrar mais as pessoas amadas por mim. [Avella, 2014]


Imperatriz d. Teresa Cristina de Bourbon. Museu Imperial/Ibram/Secult/MTur

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Exílio e morte

Dona Teresa Cristina faleceu em Portugal, na cidade do Porto em 1889, pouco tempo depois do exílio da família imperial. 

Quando chegaram a Portugal, após o golpe republicano, alojaram-se num hotel tradicional de Lisboa, o Bragança, mas logo  o deixaram, em razão das dificuldades financeiras, e foram para o interior, hospedando-se no Grande Hotel do Porto. Grande era um adjetivo inadequado, sem correspondência na simplicidade que ali reinava. [Zerbini, 2019]

Foi sepultada no Panteão dos Braganças, em Lisboa.

D. Pedro morreu dois anos depois e foi enterrado a seu lado.
Os restos mortais do casal foram posteriormente repatriados para o Brasil em 1921. 
O imperador e a imperatriz foram sepultados na Catedral de S. Pedro de Alcântara, em Petrópolis.


Tumbas de Pedro e Teresa Cristina. Nas laterais, as tumbas da P. Isabel (esquerda) e do Conde d'Eu (direita) [Wikipedia]

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Grande Hotel do Porto

 D. Pedro II anotaria mais tarde em seu diário que ricos portugueses que haviam ficado milionários no Brasil pensaram em comprar o hotel e fazer dele um asilo com  o nome de Asilo d. Teresa Cristina, transformando-se o aposento em que a ex-imperatriz  faleceu em capela. O projeto não prosperou e o  Grande Hotel do Porto permanece com a sua função original até os dias atuais. [Rezzutti, 2019]

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A Imperatriz na memória do Brasil

A presença da imperatriz na memória histórica do Brasil é demonstrada pelo nome de algumas cidades: Teresina, capital do estado do Piauí; Santo Amaro da Imperatriz, em Santa Catarina; e Imperatriz, no Maranhão. [Avella, 2014]

Mas temos também: Teresópolis, no Rio de Janeiro e Cristina, em Minas Gerais.

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Nos tempos do Imperador

Fonte: Globo/Wikipedia

Nos Tempos do Imperador é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 9 de agosto de 2021 a 4 de fevereiro de 2022. Teve a autoria de Thereza Falcão e Alessandro Marson, com colaboração de Júlio Fischer, Duba Elia, Lalo Homrich, Mônica Sanches e Wendell Bendelack.

No drama, a Imperatriz é retratada como uma mulher forte e dedicada, enfrentando desafios como o golpe da República e a separação do Imperador Dom Pedro II. (Wikipedia)

 O papel da Imperatriz Teresa Cristina foi interpretado pela atriz Letícia Sabatella.

Fonte: Globo/Wikipedia

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DOM PEDRO II

D. Pedro, uniforme militar, 1877


A missão

Após a Guerra do Paraguai, em carta dirigida a Dom Pedro II, incentivando-o a acabar com a escravidão, Manuel de Araújo Porto-Alegre, que se tornara amigo do imperador, escreveu:

As minhas apreensões são grandes, maiores são minhas esperanças, porque confio em Deus. Nada será, Senhor, se Vossa Majestade Imperial começar já o remonte de sua Grande Missão, a que o colocará no Céu, ao lado de Deus, e na Terra, a par dos maiores homens da humanidade.

Os soberanos de sua natureza são mandados; e Vossa Majestade Imperial tem que ser o apóstolo da verdadeira liberdade da regeneração do Brasil e o imortal criador da segunda via do Império Americano sem a qual ele deixará de existir. 

(...) Prevenir as coisas a tempo e impedir desastres é a sabedoria (...) [Priore, 2014] [Os grifos não são do original.]

Como se vê, Porto-Alegre, médium inspirado e visionário, adverte o Imperador de sua missão espiritual e o previne dos desastres que viriam — como de fato veio a acontecer.

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Um longo período de prosperidade e liberdade

O governo de D. Pedro II, de 58 anos de duração (1831-1889), foi uma época de grande prosperidade e progresso para o país e durante o qual o Brasil experimentou a mais ampla liberdade e o exercício pleno das garantias individuais. Os cidadãos — jornalistas, oposição, homens do povo — tinham o direito de dizer e escrever o que pensavam e acreditavam. [Viola, 2013]

Acumulando os poderes Executivo e o Moderador, D. Pedro II era quase um rei absoluto, mas raramente tomava decisões autoritárias. [Narloch, 2011]

Sua autoridade moral, prestígio e popularidade — frutos de uma longa vida de dedicação à pátria — são imensos, dele diria o Barão do Rio Branco.

Como Imperador, recebera, em usufruto, alguns escravos, ditos escravos da Nação. Todos eram seus protegidos, recebiam salários, eles e filhos frequentavam escolas. E aos seus escravos particulares concedeu-lhes a liberdade. Nas comemorações do casamento de Isabel Cristina, libertou os escravos da Fazenda de Santa Cruz, os que serviam em São Cristovão e outros que serviam à diretamente à Princesa, a pedido dessa. [Zerbini, 2019] 

Após o golpe republicano, na hora de deixar o Paço, D. Pedro viu seus criados negros desmantelarem-se em prantos... [Viola, 2009]

Ao lado da filha Isabel Cristina, D. Pedro II teve relevante papel na abolição da escravatura. Joaquim Nabuco escreve sobre isso na obra O Abolicionismo, recordando a ação pessoal do imperador na supressão do tráfico (Lei Eusébio de Queiroz, 1850), na Lei do Ventre Livre (Lei Rio Branco, 1871) e em tudo o que se executou pela causa da emancipação (Lei Áurea, 1888).

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A imprensa independente

A ideia republicana se consolidava cada vez mais no espírito da nacionalidade inteira. O bondoso imperador nunca lhe cortara os voos prodigiosos no coração das massas populares; aliás, alimentava-os com os seus alevantados exemplos de democracia.

HUMBERTO DE CAMPOS/F. C. Xavier. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho

 


Quando examinamos a imprensa do Segundo Reinado, nos admiramos de ver a extrema liberdade concedida pelo Imperador, que suportava críticas, caricaturas — e mesmo maledicências contra si e sua família  — sem que houvesse nenhum gesto de censura ou autoritarismo.

De fato, essa é uma das mais expressivas características liberais do Império brasileiro: — Liberdade ao mesmo tempo individual e política, consagrada no art. 179, IV, da Constituição de 1824.


CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO - 1824

Art. 179. A inviolabilidade dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros, que tem por base liberdade, segurança individual, e propriedade, é garantida pela Constituição do Império, pela maneira seguinte:

► Nenhum Cidadão pode ser obrigado a fazer, ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude da Lei;
► Nenhuma Lei será estabelecida sem utilidade pública;
► Nenhuma lei terá efeito retroativo;
► Todos podem comunicar seus pensamentos, por palavras, escritos, e publicá-los na imprensa sem censura, desde que respondam pelos abusos cometidos no exercício deste direito;
► Ninguém pode ser perseguido por motivo de religião, uma vez que respeite a do Estado, e não ofenda a moral pública;
► Todo o cidadão tem em sua casa um asilo inviolável;
► Ninguém será preso sem culpa formada, exceto nos casos previstos em lei;
► A exceção de flagrante delito, a prisão não pode ser executada, senão por ordem escrita da autoridade legitima;
► A lei será igual para todos;
► Desde já ficam abolidos os açoites, a tortura, a marca de ferro quente, e todas as mais penas cruéis;
► É garantido o direito de propriedade em toda a sua plenitude;
► Todo cidadão poderá apresentar por escrito, ao Poder Legislativo e ao Poder Executivo, reclamações, queixas, ou petições;
► A Instrução primária é gratuita a todos os cidadãos. (...)

(Fonte: IDEG)


   

Um imperador velho e cansado (R. Ilustrada n. 450/1887)

O Carrossel Partidário - Conservadores e Liberais se revezando no Poder (O Mequetrefe, 1878)


 

Esta biografia composta por Lira Neto mostra um José de Alencar panfletário e cruel, um crítico implacável de D. Pedro II (Globo, 2006)

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A austeridade nos gastos da família

Rigoroso no trato da coisa pública, Dom Pedro e seus familiares, em verdade, viviam uma vida austera, num palácio desprovido de fausto. 

Comentários quanto à "austeridade" da Coroa soavam que a Família Real desatendia à exigência de requinte com os trajes e as carruagens. Que o Palácio Imperial era “mobiliado pobremente e malconservado”. Que raramente o casal oferecia recepções ou bailes e tampouco os frequentava. E que os jantares no palácio eram reconhecidamente frugais, à base da canja diária.  [Priore, 2016]

REZZUTTI, citando o jornalista e imigrante alemão Carl von Koseritz, registrou:

[…] carruagens de corte, disse eu, mas de que espécie!… Todas vinham do século passado […].  A douração de há muito ficou preta, os estofamentos se foram, tudo está no mais triste estrago. Igualmente triste são as velhas librés que vestem cocheiros na sua maioria negros (...)  O carro que trazia d. Teresa Cristina era um pouco melhor, “mas  sempre bastante gasto e estragado” . [Rezzutti, 2019]

Quanto ao casamento de Isabel, ZERBINI escreveu: 

Por causa da crise financeira, as comemorações das núpcias da minha filha não pecaram pela extravagância, poupando um público demasiado ferido nos bolsos. Isabel entrou na igreja sem joias, além da sua comenda, o que foi condizente com o estado das finanças em geral e com a modéstia cristã. [Zerbini, 2019]

Para financiar algumas de suas muitas viagens, Dom Pedro contraía empréstimos.

Se por outro lado Dom Pedro e Teresa Cristina eram pródigos em patrocinar instituições, pesquisadores e artistas, o faziam por conta do dispêndio da Casa Imperial, cujos valores não eram tão expressivos quanto diziam seus opositores. [Viola, 2008]

No exílio, D. Pedro viveria dois anos penosos e tristes, pois rejeitara a indenização que o governo republicano lhe ofereceu, e se viu em sérias dificuldades financeiras. [Priore, 2016]

Com efeito, decreto republicano de 21 de dezembro de 1889 determinava o banimento da família imperial, extinguia-lhe as dotações e revogava a prometida doação de 5 mil contos. [Zerbini, 2019]

Sobre essa duríssima passagem, Zerbini escreveu:

Tomando consciência da precária situação financeira, Pedro resolveu partir para o Porto, onde nos abrigaríamos em local mais simples, com despesas menores, desocupando os 16 cômodos que nosso círculo familiar e de agregados utilizava no Hotel Bragança. Dinheiro, a essa altura, só iria se concretizar com a venda de nossos bens no Brasil. [Zerbini, 2019] (Grifei.)

Faltou dinheiro até para as exéquias da Imperatriz. E se socorreram de um empréstimo de 20 contos, tomado a Francisco Álvares Machado, visconde de Agarez, um português que fizera fortuna no Rio de Janeiro . [Zerbini, 2019]


  Carta de D. Pedro II a Camilo C. Branco, em papel timbrado do Hotel Bragança, em 22/12/1889 - Fonte: restosdecoleccao.blogspot.com


Por outro lado, BEZERRA DE MENEZES, que teve bom trânsito na Corte, escreveu uma biografia de D. Pedro II em que fala da generosidade do Imperador. 

Vejam como o historiador LUCIANO KLEIN descreve esse fato:

(...) chamamos a atenção para a maneira como o historiador Bezerra de Menezes descreve D. Pedro II. Não obstante ter enfocado nuanças de sua carreira política, preocupa-se em ressaltar a feição caritativa do soberano, demonstrando a grandeza dessa alma que, à semelhança de seu biógrafo, veio à Terra para o desempenho de especial missão na Pátria do Cruzeiro. Atentemos para a narrativa de Bezerra nos dois últimos parágrafos:

A bolsa do nosso Imperador abre-se sempre ao pobre que lhe suplica uma esmola. Milhares de famílias de servidores do Estado dirigem fervorosas súplicas ao Onipotente pela conservação da vida daquele que por meio de pensões lhes mitiga os sofrimentos que infelizmente ainda hoje cabem às mulheres e filhas dos homens encanecidos nos serviços da pátria. Nos dias de epidemia, vai consolar em sua choupana o filho ingrato da fortuna que se estorce de dor no seu leito de palha; visita os diferentes hospitais, e ordena que parte de sua insignificante dotação seja distribuída pela classe pobre. [Klein, 2009] (Grifei)


Aqui, antiga moradia da Família Real (na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Rio), seria instalado o Museu Nacional (destruído por um incêndio, em 2018)

Para conhecer parte da decoração, dos espaços destinados aos despachos políticos e à educação das princesas, nas residências da Família Imperial, veja: De palácio a museu: uma visita a espaços do conhecimento de Isabel e Leopoldina, por Jaqueline Vieira de Aguiar, publicado no Anuário do Museu Imperial - Edição 2020, pág. 103 (https://museuimperial.museus.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/Anuario_MIMP_Ed_2020.pdf)

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Liberdade religiosa no Segundo Reinado

No Segundo Reinado (1840-1889), vigia a Constituição de 1824, outorgada por Dom Pedro I em 25 de março de 1824.

Diz o escritor espírita DEOLINDO AMORIM que apesar das ideias liberais (...), apesar de todas as tentativas para estabelecer a necessária separação entre o poder temporal e o poder espiritual, a Constituição de 1824 (...) não pôde fugir à inspiração católica. [Amorim, 1980] 

Desse modo, essa Carta estabeleceu o catolicismo como religião oficial do Brasil, ficando, no entanto, a Igreja  subordinada ao Estado através do Padroado*.

Como Religião de Estado, o culto católico fazia parte do cerimonial da Corte, e o catolicismo exercia uma espécie de monopólio do prestígio social. [Machado, 1983]

O art. 179 da CF/1824 garantiu um avanço formal à liberdade religiosa, decretando que que “ninguém pode ser perseguido por motivo de religião, desde que respeite a moral pública”, mas, na prática, restringia o culto de outras religiões ao âmbito privado, sem a possibilidade de manifestação pública.

Pois bem, nesse cenário é que o Espiritismo chegaria à Capital do Império.

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O Espiritismo na Capital do Império

Graças ao fato de começar o Espiritismo pela nata social [classes elevadas da sociedade], as primeiras notícias da imprensa lhe foram favoráveis, ou pelo menos não lhe foram contrárias. Quando O LIVRO DOS ESPÍRITOS, em edição francesa, chegou à Corte, já encontrou um meio propício para sua divulgação.

CANUTO ABREU


A chegada da Doutrina de Kardec ao Rio de Janeiro teve início no que Canuto Abreu denomina primeiro período espírita (1853-1863)**. 

Antes disso, o magnetismo e a homeopatia já haviam preparado caminho para sua vinda, tanto que essa última se tornou quase um monopólio de médicos espíritas e de médiuns receitadores.*** [Machado, 1983]

Realmente, antes do lançamento de O Livro dos Espíritos (1857), já a Corte do Império Brasileiro possuía um núcleo neoespiritualista — o círculo homeopático — formado de elementos cultos e de responsabilidade. que irradiava por todo o país, por toda a América do Sul e até pela Europa as ondas do seu saber. [Abreu, 1991]

Entre os notáveis pioneiros da homeopatia está o médico e historiador Melo Moraes, o qual, segundo CANUTO ABREU, constituiu o grupo espírita mais antigo que teria se reunido no Rio de Janeiro, por volta de 1853. **** [Abreu, 1991]

Em 1860, o francês Casimir Lieutaud, homem de cultura, poeta e contista, diretor do então conceituado Colégio Francês, que acompanhava as novidades culturais de sua terra, interessou-se pelas experiências espíritas, e lançou o primeiro livro de divulgação espírita publicado no Brasil: Les Temps sont arrivés (Os tempos são chegados) — em francês, como O Livro dos Espíritos, supracitado.  Les Temps sont arrivés talvez tenha sido também o primeiro livro espírita da América do Sul. [Machado, 1983; Abreu, 1991]

Ainda em 1860, foi traduzido por Alexandre Canu e lançado em São Paulo, pela Tipografia Literária, O Espiritismo em sua expressão mais simples, de Allan Kardec. O próprio Kardec autorizou essa tradução.



Em torno de Lieutaud, juntaram-se outros membros da colônia francesa na Corte: Adolphe Hubert, Morin e a médium psicógrafa Madame Perret Colard, que promoviam reuniões domésticas, as primeiras de puro kardecismo realizadas no Brasil. Esses teriam sido os verdadeiros introdutores da doutrina de Kardec no Brasil. [Machado, 1983]

URIRATAN MACHADO menciona ainda que residia na Corte um círculo de franceses que se agrupavam na redação do Courrier du Brésil — um jornal de oposição Napoleão III e intransigente anticlericalismo —  e lá discutiam de tudo, da libertação dos povos ao espiritismo. O editor do periódico era Adolphe Hubert. [Machado, 1983]

Esse grupo de boa posição socioeconômica, formado por jornalistas, professores, comerciantes, estava em contato com a fina flor da sociedade da capital, e fazia mesmo ecoar seu prestígio até o Palácio Imperial. [Machado, 1983]

De fato, 

Jornalistas e professores franceses revestiam o espiritismo de um halo de progresso. Eles se integraram aos primeiros centros espíritas formados na corte, a partir dos anos 1870. (...) Bem-educados, burgueses, em boa situação financeira, muitos franceses tinham contato com o palácio imperial e com a fina flor da sociedade. A propaganda espírita atingia o crème de la crème da sociedade. (Priore, 2014)

Nesse contexto, a doutrina passou a angariar seus primeiros discípulos brasileiros, pessoas de influência social, que não sofreriam quaisquer repressões. E a partir de 1865, com o episódio da Guerra do Paraguai, que gerou um clima triste e desalentador (instabilidade econômica, perda de vidas), as conversões se intensificaram. [Machado, 1983]

Até esse ponto da história, e durante toda a década de 1860, não ocorreu nenhuma ação repressiva da Igreja Católica contra magnetizadores e espíritas. A posição social de relevo, o pequeno número de adeptos e a discrição com que eram realizadas suas sessões, fazia que não despertassem oposição. [Machado, 1983]

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(*) Padroado: Direito de conceder benefícios eclesiásticos. Conjunto de bulas por meio das quais a Santa Sé delegava aos monarcas católicos a administração e organização da Igreja Católica em seus domínios conquistados e por conquistar. Em contrapartida, o rei padroeiro, que arrecadava os dízimos eclesiásticos, deveria construir e prover as igrejas, com todo o necessário para o culto, nomear os párocos por concursos e propor nomes de bispos, sendo estes depois formalmente confirmados pelo Papa. [Wikipedia]


(**) Períodos Espíritas: O segundo, de 1863 a 1873; o terceiro, de 1873 a 1883; o quarto de 1884 a 1894; o quinto, de 1894 a 1904; e o sexto, de 1904 a 1914. [Abreu, 1991]


(***) Homeopatas: Por volta de 1840, ao influxo das falanges de Ismael, chegavam dois médicos humanitários ao Brasil. Eram Bento Mure e Vicente Martins, que fariam da Medicina homeopática verdadeiro apostolado. Muito antes da Codificação kardequiana, conheciam ambos os transes mediúnicos e o elevado alcance da aplicação do magnetismo espiritual. [Campos, 1938]


(****) Precursores: Foi no Rio de Janeiro que se formaram os precursores do movimento espírita brasileiro, mormente pelo grupo fundado pelo médico e historiador Alexandre José de Mello Moraes, integrado por Pedro de Araújo Lima (Marquês de Olinda), Bernardo José da Gama (Visconde de Goiana), José Cesário de Miranda Ribeiro (Visconde de Uberaba) e outros destacados personagens do Segundo Reinado. [Hessen, 2014]

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O Espiritismo na Bahia

As sessões realizadas na Corte, desde os anos 1860, eram secretas, para iniciados. Em crônica datada de 21 de março de 1865, Machado de Assis dá notícia de uma dessas reuniões, que provavelmente ocorrera em janeiro ou fevereiro daquele ano. Mas ela não figura nos anais do espiritismo brasileiro. [Machado, 1983; Priore, 2014]

No Rio de Janeiro, onde o Espiritismo surgiu livre, fazia-se lenta sua evolução, pois o espírito dos precursores se acomodou. MACHADO aponta a razão disso: — os fiéis, adulados por suas posições sociais, não sofreram quaisquer coações ideológicas (...) contaram até com uma certa benevolência da Igreja (...) [Machado, 1983]

Em paralelo aos morosos acontecimentos na Capital do Império, e de um incipiente movimento em São Paulo, na cidade de Salvador, em meados da década de 1860, ocorreu uma explosão espírita de que não há paralelo no Brasil, a qual se deu, segundo MACHADO, à vista da feroz repressão do clero e do movimento capitaneado por Luiz Olímpio Teles de Menezes, um estimado publicista, que de início seguira a carreira militar e depois abandonou-a e abraçou o jornalismo e o magistério. [Machado, 1983 - Abreu 1991]

De fato, além da repressão católica, MACHADO alude que, naquele período de 1860, as obras de Kardec (em francês) eram discutidas apaixonadamente e o ambiente da velha cidade — que muito recolhera do espírito mágico da população africana e de seus cultos — era um convite e um desafio ao mistério. [Machado, 1983]

Eis um resumo dos principais fatos acontecidos na Bahia nos primórdios do Espiritismo no Brasil:

► Em 1865 (mesmo ano do lançamento de O Céu e o Inferno), Luiz Olímpio Teles de Menezes criou, em Salvador, o Grupo Familiar de Espiritismo — primeiro centro kardecista do conhecimento público do país.

►Em 1866, Teles de Menezes publicou o opúsculo O Espiritismo – Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, contendo páginas extraídas e traduzidas de O Livro dos Espíritos.

► Em 1867, com o lançamento do livro acima, a população de Salvador teve acesso às ideias espíritas: preexistência da alma, reencarnação, pluralidade dos mundos habitados. Em decorrência, o clero baiano lançou pequeno livro intitulado Filosofia Espiritualista, no qual contrapunha os postulados espíritas aos dogmas católicos. Nascia aqui a polêmica entre católicos e espíritas, que se estenderia por décadas no País.

►Em 1869 (ano da desencarnação do Codificador), Luís Olímpio publicou o primeiro jornal espírita do Brasil - O Eco do Além-Túmulo, publicado em julho de 1869. Contava com 56 páginas e chegou a circular em Londres, Madri, Nova Iorque, Paris (Kardec fez menção a Luiz Olímpio Teles de Menezes na Revista Espírita, edição de novembro de 1865).

► Em novembro de 1873, foi fundada em Salvador a Associação Espírita Brasileira (extensão do Grupo Familiar do Espiritismo) e, no ano seguinte (1874), alguns membros dessa Associação fundaram o Grupo Santa Teresa de Jesus. [Machado, 1983 - Abreu, 1991 - Hessen, 2014]


O ÉCHO D'ALÉM-TUMULO, n. 1, julho 1869 (Fonte: O Consolador)

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Espiritismo e a abolição da escravatura

É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem.

A escravidão é um abuso de força. Desaparecerão com o progresso,

como gradativamente desaparecerá todos os abusos. 
ALLAN KARDEC. O Livro dos Espíritos


Adeptos do Espiritismo, tão logo a doutrina chegou ao País, alinharam-se aos ideias abolicionistas.
Com efeito, no periódico acima, de julho de 1869, constava o seguinte:

O Écho d’Além-Tumulo deduzirá de cada assinatura realizada 1$000, cuja soma será anualmente publicada e destinada para dar liberdade a escravos, de qualquer cor, do sexo feminino, de 4 a 7 anos de idade, nascidos no Brasil.

Na Corte, desde os anos 1860, os espíritas Antônio da Silva Neto, Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, Francisco Leite de Bittencourt Sampaio e Francisco Raimundo Ewerton Quadros já se manifestavam contra o regime escravocrata.
Na imprensa, e também no Reformador, os espíritas defenderam o fim da escravidão por via legal, sem estimular agitações ou revoltas. 
No Rio de Janeiro, durante a campanha abolicionista, instituições espíritas promoveram eventos de arrecadação de donativos, seja para o Fundo de Emancipação, seja para a compra de carta de liberdade. (Valle, 2015) Assim também a FEB - Federação Espírita Brasileira, logo após sua fundação em 1884, patrocinou subscrição pública para alforriar os cativos.

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O Espiritismo na Corte e a proteção aos espíritas

A presença de espíritas com trânsito na Corte — entre eles, Araújo Porto-Alegre e Joaquim Manoel de Macedo — o contato social e político com Bezerra e outros espíritas — e a curiosidade do Imperador por pesquisas e novidades científicas e culturais, fez que se interessasse por astronomia, magnetismo, homeopatia e fenômenos espiritistas, lesse obras espíritas, partilhasse de muitos de seus postulados e fizesse uso até mesmo de uma mesa divinatória. [Del Priore, 2020]

Recorde-se, ainda, a luta dolorosa de D. Pedro II e D. Teresa Cristina, na tentativa de sarar o neto Pedro Augusto de penosa perturbação psíquica, na qual foram tentados todos os recursos médicos e psiquiátricos, além da terapêutica espírita da desobsessão. [Del Priore, 2020]

E, por fim, veja-se o espírito democrático e a simpatia do Imperador pelo Espiritismo manifestados, por exemplo, no seguinte episódio:

Em 28 de agosto de 1881, inicia-se uma perseguição oficial ao Espiritismo, mediante ordem policial anunciada nos  periódicos O Cruzeiro e Jornal do Commércio, do Rio de Janeiro, proibindo o funcionamento da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade e dos centros filiados.

Em 6 de setembro de 1881, uma comissão de espíritas é recebida pelo Imperador D. Pedro II, que promete fazer cessar as hostilidades. No entanto, a intolerância continuou. Novamente, em 21 de setembro daquele ano, a comissão volta a procurar a ajuda do Imperador, que reafirma sua intenção de não permitir que as perseguições fossem à frente. 

Como se vê, o Imperador ofereceu garantia de plena liberdade, numa época em que era muito relativa a liberdade de crença e de culto. [Viola, 2008]

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Visitando velhos conhecidos

LAURENTINO GOMES relata a passagem de D. Pedro II por Portugal em 1899, logo após a decretação do exílio. Anota aquele autor que D. Pedro II, no Mosteiro dos Jerônimos, depositou flores no túmulo do escritor e historiador Alexandre Herculano, com a seguinte inscrição: Só rico em saber. 16 de dezembro de 1889. Pedro. [Gomes, 2013]

O compromisso seguinte, segundo GOMES, foi o mais doloroso de todos — o reencontro com o romancista Camilo Castelo Branco. Velho, cego, doente e empobrecido, vivendo numa casa em ruínas, Camilo diz em bilhete que não quer receber o velho amigo.

Dom Pedro ignorou o bilhete, e no reencontro deu-se o seguinte diálogo, testemunhado por Ana Correia, sobrinha do escritor: 

— Meu Camilo, console-se. Há de voltar a ter a vista.

— Meu senhor, a cegueira é a antecâmara da minha sepultura.

— Perdi o trono, estou exilado, e não voltar à pátria é viver penando.

— Resigne-se Vossa Majestade. Tem luz nos seus olhos.

— Sim, meu Camilo, mas falta-me o sol de lá! [Gomes, 2013]

Surpreendentes as voltas que o mundo dá! Camilo Castelo Branco vai contar sua história post mortem no extraordinário livro  Memórias de um suicida, psicografado por Yvonne Pereira e revisto pelo espírito de Léon Denis.

Já o velho Alexandre Herculano reencarnará no Brasil, novamente como Herculano, mas de sobrenome Pires, segundo JORGE RIZZINI e o testemunho de Heloísa Pires, filha daquele que foi um dos maiores estudiosos e escritores do Espiritismo no Brasil.[Rizzini, 2001]

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Epítetos elogiosos ao maior brasileiro da história

D. Pedro II foi o mais longevo dos governantes brasileiros e a população o tinha como herói, um modelo de cidadão, um monarca carinhoso e fonte da unidade e bem-estar nacional. Era amante da filosofia, da literatura, das artes e das ciências, tradutor excelente. E entre os muitos epítetos que recebeu estão: Pedro Magnânimo - Pedro da Paz - Pedro do Progresso - Pedro do Amor - O Rei Filósofo.

Depois da queda da Monarquia e do seu infortúnio, surgiram estes: Ele foi o maior dos republicanos! - Caiu a última República da América! - O Brasil era a melhor República! 

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O retorno de Pedro d'Alcântara

No livro Do País da Luz [Lacerda, 1984], vamos encontrar uma manifestação póstuma de D. Pedro II, que assina a mensagem como Pedro d'Alcântara, os dois primeiros nomes do seu registro civil.

Há também interessante entrevista mediúnica com o espírito de D. Pedro II, conduzida por Humberto de Campos em abril de 1938 e publicada no seu livro Novas mensagens [FEB, 1940], que foi reproduzida em [Faé, 1975].  

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PRINCESA ISABEL

     Princesa Isabel Cristina


A missão

É ainda uma vez mais Humberto de Campos que escreve:

A própria princesa Isabel, cujas tradições de nobreza e bondade jamais serão esquecidas no coração do Brasil, viera ao mundo com a sua tarefa definida no trabalho abençoado da abolição. [Campos, 1938]

E o autor espiritual informa ainda que, em razão de um quadro político adverso ao Imperador, especialmente após a Guerra do Paraguai, pois estribado por décadas em poderosa elite fundiária escravagista, ele nunca pudera aprovar a libertação dos negros escravizados. 

Quanto a isso, veja-se o que NARLOCH acrescenta:

É injusto, no entanto, responsabilizar somente os líderes do país por essa lentidão [da aprovação da abolição]. Para aprovar leis, eles precisavam do apoio dos deputados e senadores, que refletiam, pelo menos em parte, a opinião pública. E não só os proprietários rurais, mas o povo em geral e até mesmo a maior parte dos escravos demoraram a aderir com entusiasmo à luta abolicionista. [Narloch, 2011]

“O movimento popular só adquiriu força na década de 1880, tão enraizado estava o escravismo em nossa sociedade”, anotou o historiador José Murilo de Carvalho, referido por [Narloch, 2011].

Esse mesmo historiador, no livro Dom Pedro II, citado por VIOLA, afirmou:

O império foi uma Monarquia presidencial. Mas isso não significa que Dom Pedro II pudesse fazer o que quisesse. Ele tinha clara noção dos limites de seu poder, tanto os estabelecidos pela Constituição, como os determinados pelos interesses das elites econômicas e políticas. [Viola, 2008].

Por outro lado, muitos temiam que a abolição resultasse numa guerra civil, como ocorrera nos Estados Unidos. Sendo assim, foi por ação do Alto que D. Pedro é

afastado do trono, nos primeiros meses de 1888, sob a influência dos mentores invisíveis da pátria, voltando a regência à princesa Isabel, que já havia sancionado a lei benéfica de 1871. [Campos, 1938]

De modo que diante de tal fato

Os abolicionistas compreendem que lhes chegara a possibilidade maravilhosa e a 13 de maio de 1888 é apresentada à regente a proposta de lei para imediata extinção do cativeiro, lei que D. Isabel, cercada de entidades angélicas e misericordiosas, sanciona sem hesitar, com a nobre serenidade do seu coração de mulher. [Campos, 1938]

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Síntese Biográfica

Nascida em 29 de julho de 1846, no Rio de Janeiro, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança foi a filha mais velha do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz D. Teresa Cristina. Como a herdeira presuntiva do Império do Brasil, ela recebeu o título de Princesa Imperial.

Em 1864, contraiu núpcias com o Conde d'Eu, Gastão de Orléans, um príncipe e militar francês, e o casal teve três filhos.

Assumiu a regência do Brasil, em razão da ausência do Imperador, em três ocasiões (1871-1872, 1876-1877 e 1887-1888).

Isabel era um espírito profundamente generoso, que praticava a caridade com apurada consciência de sua responsabilidade como governante, numa época em que as comunidades carentes viviam a indiferença das elites governantes. Muitos de seus atos caritativos foram em benefício dos negros em regime de servidão, sem contar a legislação antiescravagista que aprovou, que veio a culminar na abolição da escravatura, em 1888 (Lei Áurea).

Após a Proclamação da República em 1889, foi exilada com a família imperial, vindo a falecer em Eu, na França, no dia 14 de novembro de 1921 — por obra do destino, data de aniversário do golpe republicano.

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As santas de devoção

D. Isabel Cristina era devota de duas outras nobres do mesmo nome, canonizadas pela Igreja Católica — Santa Isabel da Hungria e Santa Isabel de Portugal, santas essas reconhecidas pela intensa prática da caridade. 


Santa Isabel de Portugal curando as feridas de uma enferma (Francisco Goya y Lucientes, 1799)


Paulo Roberto Viola, no livro Princesa Isabel - Uma viagem no Tempo [Viola, 2011], relata não só as ligações espirituais entre as três nobres mulheres, como anota que elas possuíam laços de parentesco. Com efeito, Isabel de Portugal (Séculos XIII/XIV) era sobrinha (pelo lado da mãe) de Isabel de Hungria (1271-1336).

Não obstante fosse católica fervorosa, o que a Constituição do Império até lhe impunha em decorrência do seu cargo de herdeira presuntiva do Trono, Isabel se interessou em saber quem era seu Anjo Guardião. [Machado, 1983; Priore, 2014]

Segundo informa VIOLA, as ideias espíritas de Araújo Porto-Alegre circulavam pelo Palácio, notadamente por intermédio de Joaquim Manoel de Macedo, que privava da intimidade da família imperial, visto ter sido professor das filhas da Princesa. Pois, certo dia, Isabel indagou a Macedo se era possível conhecer o nome do seu protetor espiritual. [Viola, 2008]

A questão chegou a Porto-Alegre e, conforme [Priore, 2014], em carta de 1857, ele 

(...) comentou que a princesa Isabel teria perguntado sobre quem seria "seu espírito protetor". Resposta: "Escrevi-lhe com toda a lisura de minha alma, mas não sei se recebeu a carta...

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A Princesa no Sul de Minas

Quando de sua viagem ao Sul de Minas em 1868, a busca das águas minerais, na esperança de cura para sua infertilidade, que já durava 10 anos, a Princesa fez promessa para engravidar e mandou construir uma igreja dedicada a Isabel da Hungria, em Caxambu, MG, homenageando, assim, a rainha santa que tanto a inspirou a reinar para os enfermos, humildes e necessitados.[Viola, 2018]



Recorde-se que antes de dirigir-se a Caxambu, Isabel e o Conde D'Eu estiveram em Águas Virtuosas da Campanha (a futura Lambari), e bem assim na cidade de Campanha. [Valladão, 1973]


Aqui a autora incidiu num equívoco, pois a chegada da Princesa a Águas Virtuosas de Lambari — e depois a Campanha — se deu em agosto de 1868, conforme o historiador Alfredo Valladão [Valladão, 1973]


Nessa temporada de agosto a novembro de 1868 passada na Vila de Águas Virtuosas da Campanha (futura Lambari), a Princesa Isabel cumpria um ritual diário de banhos e ingestão das águas virtuosas, ou santas, como ficaram conhecidas as águas minerais de Lambari, passeava a cavalo pelos arredores, se exercitava no fabrico de queijo pelos sítios e fazendas e se divertia jogando xadrez.

É certo que sua Fé Católica a teria levado a orar na ermida dedicada a Nossa Senhora da Saúde, que fora erguida em 1837, nas proximidades das fontes. [Guimarães, 2021]



 Na viagem de 1868, em Campanha (MG), Suas Altezas Princesa Isabel e o Conde D'Eu visitaram a Capela de N. S. das Dores, e lá assistiram missa solene que a respectiva Irmandade mandara celebrar em sua homenagem, visto que aceitaram o título de protetores daquele templo. [Valladão, 1973] 

Conta-se também que nesse dia a Princesa ficou entusiasmada com a notícia de que em Campanha nascera um padre negro, filho de escravizados, educador, latinista, versado em francês e profundo conhecedor de Português, que exercia sua tarefa em Três Pontas (MG). Encantou-se, então, com a possibilidade de conhecer Francisco de Paula Vítor, mas infelizmente não pôde fazê-lo. Mas esse episódio ainda mais nutriu sua alma para cumprimento da missão espiritual de encerrar a escravidão no Brasil.

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A promessa em Aparecida

Ao retornar à Corte, após essa viagem ao Sul de Minas, a comitiva imperial visitou, em Guaratinguetá, a capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida. [Valladão, 1973] Nessa oportunidade, conforme consta da tradição católica, a Princesa Isabel fez uma promessa à virgem — caso viesse a se engravidar — de limpar pessoalmente a capela e oferecer um manto à santa.

Em 1868, Isabel doou uma coroa de ouro de 24 quilates, pesando 300 gramas, com 24 diamantes maiores e 16 menores, a qual foi usada na cerimônia de coroação de Nossa Senhora Aparecida em 1904.

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Chico Xavier e Isabel, A Rainha Santa

Registre-se também fato interessante e pouco conhecido: — foi Isabel, A Rainha Santa, o primeiro espírito a manifestar-se pela mediunidade do então jovenzinho de 17 anos Francisco Cândido Xavier. [Monteiro, 2001]

Isso se deu na noite de 8 de julho de 1927 — e dois dias depois Chico recebeu, em seu quarto, quando orava, a visita de Isabel de Aragão, que lhe falou que viera pedir auxílio, em favor dos pobres, ao que o assustado médium respondeu: 

— Senhora, eu sou pobre e nada tenho para dar. Que auxílio poderei prestar aos mais pobres do que eu mesmo?

A conversação prosseguiu e, ao final, Isabel anunciou: 

— Chegará o tempo em que você disporá de recursos. Você vai escrever para as nossas gentes peninsulares...

E o confuso Chico confessou que nem ele — nem seus conhecidos próximos da pequena Pedro Leopoldo — sabiam o queria dizer gentes peninsulares — quanto menos poderiam imaginar que Chico se tornaria o maior médium psicógrafo do mundo e receberia do Alto centenas de livros, que venderiam milhares de cópias em Portugal e Espanha!

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BEZERRA DE MENEZES

         Bezerra de Menezes


A missão

Humberto de Campos informa que

O século XIX, que surgira com as últimas agitações provocadas no mundo pela Revolução Francesa, estava destinado a presenciar extraordinários acontecimentos.

No seu transcurso, cumprir-se-ia a promessa de Jesus, que, segundo os ensinamentos do seu Evangelho, derramaria as claridades divinas do seu coração sobre toda a carne, para que o Consolador reorganizasse as energias das criaturas, a caminho das profundas transições do século XX. [Campos, 1938]

.................................

Foi assim que Allan Kardec, a 3 de outubro de 1804, via a luz da atmosfera terrestre, na cidade de Lyon. Segundo os planos de trabalho do mundo invisível, o grande missionário, no seu maravilhoso esforço de síntese, contaria com a cooperação de uma plêiade de auxiliares da sua obra... [Campos, 1938]

Quanto ao Brasil, Humberto de Campos diz que

Nos tempos do Segundo Reinado, os mentores invisíveis conseguem criar, na Bahia, no Pará e no Rio de Janeiro, alguns grupos particulares, que projetavam enormes claridades no movimento neoespiritualista do continente, talvez o primeiro da América do Sul. [Campos, 1938]

.......................................

Daí a algum tempo, no dia 29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, no estado do Ceará, nascia Adolfo Bezerra de Menezes (...), que vinha cumprir no Brasil uma elevada missão. [Campos, 1938 - Cap. 22 - Bezerra de Menezes] 

.........................

Foi designado, assim, Bezerra, para levar a cabo a missão de semear no solo fértil das terras brasileiras a semente do Evangelho Restaurado, representado pelo Espiritismo, para, mais tarde, unir, sob a mesma bandeira, todos os seus integrantes.

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Resumo biográfico

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti foi um médico, militar, empreendedor, jornalista, político, administrador público, filantropo, escritor, biógrafo e expoente da Doutrina Espírita brasileiro.

Foi grande em todas as atividades que exerceu.

Médico formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1856, trabalhou como cirurgião-tenente do Corpo de Saúde do Exército.

Foi vereador e deputado provincial pelo Rio de Janeiro, presidente da Câmara Municipal e membro de várias sociedades científicas e culturais.

Foi sócio fundador da Companhia Estrada de Ferro Macaé e Campos (1870), tendo-se empenhado na construção da Estrada de Ferro Santo Antônio de Pádua. Foi um dos diretores da Companhia Arquitetônica de Vila Isabel, criada para empreender a urbanização do bairro de Vila Isabel. Em 1875 foi presidente da Companhia Ferro-Carril de São Cristóvão, período em que os trilhos da empresa alcançavam os bairros do Caju e da Tijuca. [Wikipedia] 

Durante a campanha abolicionista publicou o ensaio "A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação" (1869), no qual defendeu a liberdade aos escravos e sua inserção e adaptação na sociedade por meio da educação.

Na sua obra espírita, destacam-se os romances — Lázzaro, o Leproso, A Pérola Negra, A Casa Assombrada, Casamento e Mortalha, Os Carneiros de Panúrgio, História de um sonho, Evangelho do futuro, Os mortos que vivem, Segredo da Natura e O bandido; o estudo médico-espírita — A Loucura Sob Novo Prisma; e Estudos Filosóficos — artigos publicados no jornal “O País”, que a FEB veio a publicar em 3 volumes.

Bezerra escreveu as biografias de D. Pedro II, de Manuel Alves Branco, visconde de Caravelas e de Paulino José Soares de Sousa, visconde do Uruguai, e também traduziu e publicou a obra O Céu e o Inferno, de Allan Kardec.
Sua atuação no movimento espírita nascente foi extraordinária. Conheceu o espiritismo em 1875 e se tornou um dos principais expoentes do movimento no Brasil, presidindo a Federação Espírita Brasileira (FEB) em momentos conturbados e de afirmação. Ficou conhecido como o Kardec Brasileiro. [Wantuil, 1969]

Mas sua marca inconfundível é ter passado à história como o Médico dos Pobres e o Apóstolo da Caridade, à vista de sua ação incansável em prol de seus irmãos pobres, doentes, desconsolados e humildes, neste plano e no outro.

Para os espíritas, Bezerra de Menezes teria sido a reencarnação de Zaqueu, o coletor de impostos, que, após conhecer Jesus, mudou seu nome para Matias, que veio a ser o 13º Apóstolo do Mestre.  [Guimarães, 2018]

Bezerra de Menezes faleceu em 11 de abril de 1900, no Rio de Janeiro, paupérrimo, e sua família ficou completamente desamparada; seus companheiros espíritas tiveram que angariar fundos para socorrê-la.

Vivendo Bezerra no Rio de Janeiro de 1951 a 1900, boa parte à época do Segundo Império, foi amigo de Quintino Bocaiúva, Artur Azevedo e José do Patrocínio, estes dois últimos emancipacionistas como ele.

Com destacada ação política, cultural, científica, empresarial, abolicionista e espírita — áreas todas de interesse de Dom Pedro e da Família Real — é certo ter com eles mantido algum contato, em face da convergência de suas vidas missionárias.

A propósito disso, veja-se a imagem abaixo:



Inauguração das obras de abastecimento d’água à cidade do Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1876 – Clovis Arrault – Litogravura, 1876 (Fonte Wikipedia)

Nela aparecem Bezerra de Menezes, na condição de presidente da Câmara Municipal, presidindo o ato, tendo ao seu lado D. Pedro II, a princesa regente Isabel e seu marido, o Conde d’Eu. Como se nota, a Imperatriz Teresa Cristina não participou do evento.

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No mundo espiritual

Desencarnado em 1900, Bezerra imediatamente retomou no Plano Invisível sua incansável tarefa de auxiliar e iluminar seus irmãos da retaguarda.

De fato, o espírito Bezerra de Menezes manifesta-se, desde então, por toda a parte.

Na psicografia, na psicofonia, na assistência médico-espiritual, na direção espiritual de incontáveis casas espiritas.

Pelo fenômeno da Irradiação* e da imensa Falange do Bem** que o auxilia, conta o movimento espírita brasileiro diuturnamente com seu auxílio e proteção.

Assim é que através de — só para citar alguns — Eurípedes Barsanulfo, de Chico Xavier, de Yvonne Pereira, de Mathilde Guilhera — puderam Bezerra e seu Grupo Auxiliar trazer receituário homeopático e proceder a cirurgias espirituais em benefício de milhares de pessoas.

Na psicografia, ditou inúmeras obras a Chico Xavier, Waldo Vieira, Divaldo Franco, Yvonne Pereira, sendo que somente por meio dessa última médium é que escreveu romances.


(*) Irradiação

— O Espírito que é evocado ao mesmo tempo em muitos lugares pode responder simultaneamente às perguntas que lhe fazem?

— Sim, se for um Espírito elevado

— Nesse caso, o Espírito se divide ou possui o dom da ubiquidade?

— O Sol é um só e no entanto irradia sua luz por todos os lados, projetando seus raios a distância, sem se subdividir. Dá-se o mesmo com os Espíritos. O pensamento do Espírito é como uma estrela que irradia sua claridade no horizonte e pode ser vista de todos os pontos. Quanto mais puro é o Espírito mais o seu pensamento se irradia e se difunde como a luz. (Kardec, O Livro dos Médiuns, item 282, n. 30)


(...) quanto mais um espírito e elevado, mais se multiplica o seu poder de irradiação. Sabei que um espírito protetor de ordem superior pode tutelar centenas de encarnados (Kardec, O Livro dos Médiuns, item 268, n. 5)


(**) Falange do Bem

— Com mais de cinquenta anos consecutivos de serviço à Causa Espírita, depois de desencarnado, Adolfo Bezerra de Menezes fez jus à formação de extensa equipe de colaboradores que lhe servem à bandeira de caridade. Centenas de Espíritos estudiosos e benevolentes obedecem-lhe às diretrizes na lavoura do bem, na qual opera ele em nome do Cristo.

— Desse modo,  é fácil compreendê-lo agindo em tantos lugares ao mesmo tempo (...)

— Como acontece na radiofonia, em que uma estação emissora está para os postos de recepção, assim qual uma só cabeça pensante para milhões de braços, um grande missionário da luz, em ação no bem, pode refletir-se em dezenas ou centenas de companheiros que lhe acatam a orientação no trabalho ajustado aos desígnios do Senhor. Bezerra de Menezes, invocado carinhosamente, em tantas instituições e lares espíritas, ajuda em todos eles, pessoalmente ou por intermédio das entidades que o representam com extrema fidelidade. (Grifamos.) (Ação e reação — André Luiz - 11 — O templo e o parlatório, 1957)

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TREZE DE MAIO DE 1888 - A ABOLIÇÃO

Os abolicionistas compreendem que lhes chegara a possibilidade maravilhosa e a 13 de maio de 1888 é apresentada à regente a proposta de lei para imediata extinção do cativeiro, lei que D. Isabel, cercada de entidades angélicas e misericordiosas, sanciona sem hesitar, com a nobre serenidade do seu coração de mulher.

HUMBERTO DE CAMPOS/F. C. Xavier. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho


Treze de Maio de 1888 — enfim, a grande missão espiritual da Família Imperial se cumpria: A escravatura foi abolida!

HUMBERTO DE CAMPOS, no livro acima, que já mencionara nomes de grandes personagens auxiliares da Abolição — Luís Gama, Patrocínio, Rio Branco, Castro Alves —, acrescenta que esses dois últimos mais Mauá e Pedro Américo vinham com elevada missão ideológica, nos quadros da evolução política e social da Pátria do Cruzeiro.

Castro Alves, Luís Gama, Porto-Alegre e Rio Branco — esses comemoraram o ato da Princesa já do outro lado da Vida, mas, do lado de cá, estavam ainda presentes Bezerra e Silva Neto — espíritas e abolicionistas — que certamente acompanharam a cerimônia de entrega da Rosa de Ouro, uma honraria conferida à Princesa Isabel pelo Papa Leão XIII, em setembro de 1888, por ter assinado o ato misericordioso de 13 de maio de 1888.

Bezerra e Teresa Cristina, talvez, se tivessem visto pela última vez naquela existência, pois o dia fatídico do exílio estava próximo!


E numa cidadezinha do Sul de Minas um padre negro, Francisco de Paula Vítor, aquele que a Princesa Isabel nos idos de 1868 quis conhecer, e que D. Pedro e a Imperatriz Teresa Cristina conheceram na Vila de Nossa Senhora da Saúde das Águas de Caldas, em 1886, comemorou o 13 de maio libertador...


PALAVRAS DA PRINCESA ISABEL AOS SEUS FILHOS:

"Meus filhos, se mais tarde lerdes este papel, lembrai-vos de que, se vossa mãe assim procedeu nesta grande questão da abolição, foi na convicção de que seria melhor à pátria, por quem tinha obrigação de velar, e a vocês, a quem deixaria o nome de sua mãe e o trono limpos de qualquer piche de egoísmo ou de fraqueza. Deus me ajudou, meus filhos, procedendo inteiramente como minha consciência me mandava, muito, muito pensei, mas tudo fiz facilmente a ponto de, mais tarde, quando tudo ficou terminado, espantar-me dos elogios que me faziam, da minha coragem, do sábio que mostrava, da grandeza do cometimento... Procedei sempre como Deus vos ordenar, vossa consciência e espírito tranquilos, tudo vos será fácil e, se assim não for, é que Deus vos julga capazes de lutar e tornar-vos ainda mais dignos de ganhar a vida eterna.”

 MARY DEL PRIORE. O Castelo de Papel: Uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde d'Eu


Rosa de Ouro

Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus! / Se é loucura... se é verdade / Tanto horror perante os céus?! / Ó mar, por que não apagas / Co'a esponja de tuas vagas / De teu manto este borrão?.../ Astros! noites! tempestades! / Rolai das imensidades! / Varrei os mares, tufão!

CASTRO ALVES. O Navio Negreiro


Rosa de Ouro. Fonte: Apologistascatolicos.com.br

Em setembro de 1888, o Papa Leão XIII conferiu a Rosa de Ouro à Princesa Isabel, como reconhecimento pela sua liderança na abolição da escravatura no Brasil. Deu-se a cerimônia de entrega na Capela Imperial, depois foi mantida na capela particular da Princesa e posteriormente levada ao exílio. Atualmente, a Rosa de Ouro está exposta no Museu de Arte Sacra da Catedral de São Sebastião no Rio de Janeiro.


Missa de celebração da entrega da Rosa de Ouro pelo Papa Leão XIII a Princesa Imperial Dona Isabel como Regente do Império do Brasil. Fotografia de Marc Ferrez na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, Rio de Janeiro, 1888. Coleção Pedro Corrêa do Lago. Fonte: Facebook.com/Brazil Imperial.

À esquerda da foto, na parte inferior, a Família Real: D. Pedro, Teresa Cristina, Princesa Isabel e o Conde D'Eu

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MATHILDE GUILHERA

  Mathilde Guilhera


O nome

Coincidência — ou não! — a imperatriz TERESA CRISTINA levava MATILDE no seu nome civil completo. 

Confira:

— Teresa Cristina Maria Josefa Gaspar Baltasar Melchior Januária Rosalía Lúcia Francisca de Assis Isabel Francisca de Pádua Donata Bonosa Andréia de Avelino Rita Liutgarda Gertrude Venância Tadea Spiridione Roca MATILDE de Bourbon-Duas Sicílias — conforme certidão redigida pelo prefeito de Nápoles, D. Carlo de Tocco, Príncipe de Montemiletto, por ocasião de seu batismo. [Avella, 2014]

O nome civil de reis e rainhas era extenso por várias razões, entre elas: homenagem a antigos parentes, preservação de dinastias, a expressão de laços dinásticos e a homenagem a santos católicos e membros importantes da família.

No caso, o acréscimo de MATILDE foi uma homenagem a SANTA MATILDE, padroeira do dia do nascimento de Teresa Cristina (14 de março).

O certo é que MATHILDE GUILHERA vai ter como seu Anjo Guardião a IMPERATRIZ TERESA CRISTINA, que iria assisti-la na tarefa missionária da mediunidade.

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Santa Matilde e a descendência dos Reis de Portugal

SANTA MATILDE foi uma rainha santa católica, que viveu no Século X. Nasceu na região de Westfalia, na Alemanha, por volta de 895. Foi educada por sua avó, que também se chamava Matilde, abadessa de um mosteiro de monjas beneditinas em Herford. Ali aprendeu a ler e a escrever. Estudou filosofia e teologia, coisa rara entre as mulheres, mesmo de origem nobre. Possuía inteligência brilhante e grande beleza tanto física quanto de alma.

 Foi casada com o Rei Henrique I, ao lado de quem foi feliz por 20 anos, participando de um reinado voltado aos necessitados. Nos bastidores, teve grande influência junto ao marido, sendo justa e generosa com os súditos, especialmente os pobres e enfermos, promovendo a construção de conventos, igrejas, hospitais e escolas.

Em 936, com a morte do seu marido, ela se despojou de todos os seus bens e privilégios, passando a viver como uma monja, sempre atenciosa e caridosa com todos e completamente alheia às coisas mundanas e às prerrogativas da sua posição social.

A Santa rainha Matilde faleceu no ano 968. Foi sepultada ao lado de seu marido, no mosteiro de Quedlinburgo. Sua festa é celebrada no dia 14 de março.

É desta Santa Matilde que des­cenderam os reis de Portugal e, por conseguinte, a Família Imperial do Brasil. (Fonte: diocesedeblumenau e vaticannews)

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Dados biográficos

Mathilde Guilhera Moreira, filha de Marcellino Guilhera e Maria Nunes, nasceu no dia 28 de março de 1896, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

E faleceu em São Lourenço, MG, no dia 10 de dezembro de 1990.

Todas as pessoas que a conheceram ou trabalharam com ela a definiram como uma mulher simpática no falar, gentil no tratar as pessoas, simples no vestir. E exaltaram suas qualidades: amorosa, honesta, fervorosa, que falava muito em Jesus e ensinava às pessoas a terem fé e esperança.


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REFERÊNCIAS

Autores

► ABREU, Canuto. Bezerra de Menezes (Subsídios para a História do Espiritismo no Brasil até o ano de 1895). Edições FEESP, 1991
► AMORIM, Deolindo. Evolução da liberdade religiosa no Brasil. In Ideias e Reminiscências Espíritas. Juiz de Fora, Instituto Maria, 1980
► AVELLA, Aniello Angelo. Teresa Cristina de Bourbon: uma imperatriz napolitana nos trópicos 1843-1889. SciELO - EDUERJ. 2014. Edição do Kindle.
► BUENO, Eduardo. Brasil - Uma História. LeYa, Rio, 2012
► GOMES, Laurentino. 1889. Globo, 1a. edição, 2013
► BITTENCOURT, Circe. Dicionário de datas da história do Brasil. Contexto. 2007. Edição do Kindle. 

► CAMPOS, Humberto de. Francisco Cândido Xavier. Boa Nova, FEB, 1941
► CAMPOS (Espírito), Humberto de; Xavier, Francisco Cândido. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho (Coleção Humberto de Campos/Irmão X). 2013. FEB - Federação Espírita Brasileira. Edição do Kindle. 
► FAÉ, Walter José. Chico Xavier, D. Pedro II e o Brasil - Nova Época Editorial, SP, 1975
► GUIMARÃES, Antônio Carlos. As Águas Virtuosas de Lambari e a Devoção a Nossa Senhora da Saúde. UICLAP, SP, 2021
► GUIMARÃES, Antônio Carlos. Os Curadores do Senhor - Edição do Autor - Belo Horizonte, 2014
► HESSEN, Jorge. Os primórdios do Espiritismo. A história do Espiritismo no Brasil. Edição Autoresespiritasclassicos.com, 2014
► LACERDA, Fernando de. Do País da Luz - Comunicações Medianímicas - Vol. IV - (D. Pedro d'Alcântara) - FEB, Rio, 3a. edição, 1984
► MACHADO, Ubiratan. Os intelectuais e o Espiritismo - De Castro Alves a Machado de Assis - Antares/Pró-Memória/INL, Brasília, 1983
► MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Chico Xavier e Isabel, A Rainha Santa de Portugal. Madras, SP, 2001
► NARLOCH, Leandro. Guia politicamente incorreto da história do Brasil. LeYa. 2011. Edição do Kindle. 
► NETO, Lira. O inimigo do Rei. Globo, SP, 2006
► PERALVA, Martins. Mediunidade e Evolução. FEB - Federação Espírita Brasileira. 1a. edição, 1980
► PRIORE, Mary Del; VENANCIO, Renato. Uma breve história do Brasil. Planeta, SP, 2010
► PRIORE, Mary Del. Do outro lado. A história do sobrenatural e do espiritismo [Os espíritos na Corte Brasileira]. Planeta, SP, 2014
► PRIORE, Mary Del. Histórias da gente brasileira: Império - Volume 2 . LeYa. 2016. Edição do Kindle. 
► PRIORE, Mary Del. O Castelo de Papel: Uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde d'Eu. 2020. Edição do Kindle
► PRIORE, Mary Del. O príncipe maldito: Pedro Augusto de Saxe e Coburgo: uma história de traição e loucura na Família Imperial. Editora Pausa. 2013. Edição do Kindle.

► REZZUTTI, Paulo. D. Pedro II – A história não contada. SP, Editora Leya, 2019
► RIZZINI, Jorge. Herculano Pires, O Apóstolo de Kardec. Paideia, SP, 2001
► SOARES, Sylvio Brito. Vida e obra de Bezerra de Menezes - FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio, 7a. edição
► VALLADÃO, Alfredo. A Princesa Isabel e o Príncipe Consorte na Cidade da Campanha da Princesa. In Da Aclamação à Maioridade (1822-1840). Freitas Bastos, Rio, 3a. edição, 1973
► VANNI, Júlio Cezar. Italianos no Rio de Janeiro: a história do desenvolvimento do Brasil partindo da influência dos italianos na capital do Império. Comunità, 2000. GoogleBooks
► VIOLA, Paulo Roberto. Barão de Santo Ângelo - O Espírita da Corte - Editora Lorenz, Rio, 1a. edição, 2009
► VIOLA, Paulo Roberto. Dom Pedro II e a Princesa Isabel - Uma Visão Espírita-Cristã do Segundo Reinado. Editora Lorenz, Rio, 1a. edição, 2008
► VIOLA, Paulo Roberto. No tempo do Império. Editora Lorenz, Rio, 1a. edição, 2013
► VIOLA, Paulo Roberto. Princesa Isabel - Uma viagem no Tempo - Editora Lorenz, Rio, 1a. edição, 2011
► WANTUIL, Zêus. Grandes Espíritas do Brasil - FEB - Federação Espírita Brasileira, Rio, 1a. edição, 1968
► ZERBINI, Eugênia. Para você nunca se esquecer de mim: Imperatriz nos tempos do imperador. Edição do Kindle, 2019

Sites

► APARECIDA, os mantos da Mãe. https://santuarionacional.org.br/paginasanimadas/091015-manto/ 
► APRENDIZADO ESPÍRITA. Site. EBM - ESPAÇO SEARA ESPIRITUAL BEZERRA DE MENEZES - https://www.aprendizadoespirita.net/blog.php?idb=46429 
► BEZERRA DE MENEZES - Um historiador na Corte de D. Pedro II. Luciano Klein - 2009 - https://entendendooespiritismo.blogspot.com/2009/08/bezerra-de-menezes-um-historiador-na.html 
► BEZERRA DE MENEZES. Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Bezerra_de_Menezes                   
► GUIMARÃES, Antônio Carlos - Paulo Roberto Viola e a Série de livros de inspiração espírita-cristã sobre o Segundo Reinado, 2016a - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=44084              
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► GUIMARÃES, Antônio Carlos - Site Guimaguinhas - A Princesa Isabel e a Espiritualidade, 2016c - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=5645212 
► GUIMARÃES, Antônio Carlos - Site Guimagüinhas - A Princesa Isabel em Aguinhas, 2016b- https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=47427 
► GUIMARÃES, Antônio Carlos Guimarães. Doenças do corpo e da alma, 2019a- https://guimaguinhas.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=4903632 
► GUIMARÃES, Antônio Carlos. Desirée Gadu - Allan Kardec e uma médium curadora - E-book, 2017 - https://rl.art.br/arquivos/5888960.pdf?1485083442 
► GUIMARÃES, Antônio Carlos. Mediunidade de cura - Sublimidade e perigos, 2019b- https://guimaguinhas.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=6625113 
GUIMARÃES, Antônio Carlos - Aprendizado Espírita Net - Perfil - https://www.aprendizadoespirita.net/perfil.php   
► HISTÓRIA DO ESPIRITISMO NO BRASIL. Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_espiritismo_no_Brasil 
► INCÊNDIO em museu destrói parte fundamental da história do Brasil - https://www.nationalgeographicbrasil.com/museu-nacional-do-rio-de-janeiro/2018/09/incendio-em-museu-destroi-parte-fundamental-da-historia-do-brasil 
► ISABEL DE ARAGÃO, Rainha de Portugal. https://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_de_Arag%C3%A3o,_Rainha_de_Portugal 
► NOS TEMPOS DO IMPERADOR - Telenovela da Rede Globo - Thereza Falcão; Alessandro Marson e outros. Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Nos_Tempos_do_Imperador 
► O CONSOLADOR. Biografia preciosa e detalhada de Bezerra de Menezes. Luciano Klein  - 2022 - https://www.oconsolador.com.br/ano15/758/especial2.html 
► REIS DE PORTUGAL, CRONOLOGIA DOS - https://casarealportuguesa.org/cronologia-dos-reis-de-portugal/ 
► SANTA ISABEL. O encontro de Chico Xavier com o Espírito de Santa Isabel de Portugal. https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=47427#encontro 
► SANTA MATILDE, RAINHA. https://diocesedeblumenau.org.br/63032/ https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/03/14/s--matilde--rainha.html 
► TAPIOCA NETO, Renato Drummond - Site Rainhas Trágicas - https://rainhastragicas.com/?s=Teresa+Cristina 
► TERESA CRISTINA. D. Teresa Cristina de Bourbon, filha do rei das Duas Sicílias e esposa do imperador d. Pedro II. Antonella Rita Roscilli. In Anuário do Museu Imperial - Edição 2021 - https://museuimperial.museus.gov.br/wp-content/uploads/2022/08/ANUARIO-MUSEU-IMPERIAL-2021-.pdf 

► VALLE, Daniel Simões do. História: espíritas ajudaram na libertação dos escravos no Brasil. Portal UOL, 2015. Reproduzido em: https://letraespirita.blogspot.com/2016/02/voce-sabia-espiritas-ajudaram-na.html 

Outros

► CAPA feita pelo autor, com fotos do seu acervo e recursos do CANVA

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► IMAGENS E GRAVURAS acima por IA/Copilot/Microsoft

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Enviado por ALGuimaraes em 24/02/2026
Alterado em 24/02/2026
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